O dólar terminou o dia em baixa de 0,15%, cotado a R$ 5,157, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a guerra no Irã está perto do fim.
Donald Trump declarou na segunda-feira que o conflito está quase encerrado e que os Estados Unidos estão adiantados em relação ao prazo previsto, que era entre quatro e cinco semanas.
Essa notícia fez o preço do petróleo cair mais de 10% e os índices das bolsas de valores ao redor do mundo subirem.
No Brasil, a bolsa fechou com alta significativa de 1,39%, alcançando 183.447 pontos. Empresas do setor de energia, como Petrobras e Braskem, tiveram queda nas ações.
A fala de Trump trouxe alívio ao mercado, que estava preocupado com os efeitos da guerra na região do Oriente Médio, importante para o comércio de petróleo.
Desde o início dos bombardeios dos Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de fevereiro, houve uma escalada de conflito regional, gerando temor sobre um possível bloqueio no estreito de Hormuz, um canal estratégico por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás mundiais.
Na segunda-feira, o preço do barril de petróleo chegou a quase US$ 120, com países considerando reduzir a produção após o Irã ameaçar atacar navios no estreito, o que poderia impactar também o transporte de fertilizantes, plásticos, carnes e grãos.
Um bloqueio prolongado no estreito poderia causar efeitos negativos em cadeia para a economia mundial, aumentando a inflação e pressionando as taxas de juros em várias nações.
A declaração de Trump aliviou essa pressão, sugerindo que o conflito pode ser resolvido rapidamente e permitindo a retomada da produção de petróleo em países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar.
O preço do petróleo Brent teve um dos dias mais voláteis da história na segunda-feira, após oscilar de US$ 119,46 pela manhã, cair ao redor de US$ 100 à tarde, e despencar para US$ 90 após as palavras de Trump. Na terça-feira, o valor caiu mais de 10%, chegando a US$ 88.
João Duarte, sócio da ONE Investimentos, ressalta que mesmo com o alívio, o cenário segue sensível às notícias geopolíticas e ao mercado de energia, e que novas tensões podem provocar mais oscilações no câmbio e nos preços das commodities.
Especialistas em energia afirmam que a guerra no Irã já causou a maior interrupção na produção de petróleo da história, e que os riscos para a economia global dependem do tempo de duração do conflito.
Grandes bancos, como Barclays e JPMorgan Chase, preveem que o barril pode chegar a US$ 120 se a guerra continuar por mais algumas semanas, enquanto o Barclays alerta que, no cenário mais pessimista, o preço do petróleo Brent pode alcançar cerca de US$ 150 até o final do mês.
Donald Trump também estaria considerando reduzir as sanções contra a Rússia, segundo fontes próximas ao governo.
Além disso, países do G7 estudam liberar estoques emergenciais de petróleo para enfrentar a crise, conforme informação da Agência Internacional de Energia (AIE).
Em consequência da queda do petróleo, as ações de empresas do setor energético caíram na B3 nesta terça-feira, com Petrobras recuando 0,5%, Braskem 4,46% e Prio 1,34%.
O Grupo Pão de Açúcar também destacou-se negativamente, com queda de 2,93%, após solicitar recuperação extrajudicial, que é um processo de negociação com credores homologado pelo judiciário.
