O dólar iniciou a quinta-feira com uma pequena queda, enquanto investidores aguardam os leilões cambiais anunciados pelo Banco Central. No cenário internacional, a moeda dos Estados Unidos mantém valorização frente a outras moedas fortes.
O mercado acompanha também as negociações entre os Estados Unidos e o Irã sobre o controle do estreito de Hormuz, uma passagem estratégica por onde circulam grande parte da produção mundial de petróleo e gás.
Às 9h07, o dólar estava com queda de 0,12%, cotado a R$ 5,1473. No pregão anterior, a moeda subiu 0,25%, atingindo R$ 5,152. A bolsa de valores permaneceu estável, sem variação em relação ao dia anterior, fechando em 174.586 pontos.
No exterior, o índice DXY, que avalia o desempenho do dólar em relação a seis moedas fortes, avançou 0,23%, chegando a 99,15 pontos.
No Brasil, o IPCA-15 registrou deflação de 0,4% em agosto, abaixo das expectativas do mercado, segundo dados do IBGE. Essa foi a primeira deflação do índice em um ano e a maior em quatro anos.
O resultado reforça a expectativa de cortes na taxa básica de juros, a Selic, o que pode elevar o interesse dos investidores por ativos de maior risco. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a inflação medida pelo índice PCE permaneceu acima da meta do Federal Reserve, o banco central americano.
O IPCA-15 acumula alta de 4,24% em 12 meses até agosto, ficando dentro da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central.
Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, destaca que o resultado é positivo para a bolsa, especialmente para setores sensíveis à taxa de juros, como varejo e construção.
Nos EUA, o índice de preços PCE subiu 3,7% em 12 meses até julho, repetindo a taxa de junho. Economistas previam alta de 3,6%. A inflação continua acima da meta de 2% do Fed, influenciando decisões sobre juros.
Os mercados estimam um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros americanos até o final do ano, embora a manutenção dos juros seja mais provável na reunião de setembro.
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, comenta que a inflação elevada pelo PCE mantém pressões para ajustes futuros na política monetária americana.
Otávio Araújo ressalta que, apesar do cenário, a inflação americana segue alta, o que limita cortes dos juros no curto prazo e mantém o dólar forte.
Investidores monitoram também a situação no Irã. Recentemente, Teerã anunciou acordo com Omã para controlar o estreito de Hormuz, embora a passagem permaneça bloqueada enquanto não houver consenso nos detalhes. A Guarda Revolucionária afirmou que a implementação depende da aprovação dos EUA.
Os Estados Unidos, que iniciaram um conflito no final de fevereiro, rejeitam qualquer controle do estreito que não passe por eles.
Recentemente, os EUA ampliaram sanções contra o Irã e países que mantêm relações comerciais com o país persa, numa operação denominada de “Dia D Econômico” pelo governo americano, visando setores importantes da economia iraniana.
Scott Bessent, secretário do Tesouro americano, anunciou as medidas sem detalhar prazos ou alvos específicos.
O ex-presidente Donald Trump declarou que a operação econômica contra o Irã é a mais severa já realizada contra um país, afirmando que o Irã não aproveitou as chances para um acordo.
Não está claro se essa medida inclui aliados próximos ao Irã ou outros parceiros comerciais, incluindo o Brasil, que exporta milho e soja para o país persa.
