FOLHAPRESS
O dólar teve uma queda significativa de 1,62%, fechando a R$ 5,230 nesta segunda-feira (16), influenciado principalmente pela guerra no Irã e pelas expectativas em relação aos juros no Brasil. Investidores mostraram maior interesse por ativos de maior risco.
A moeda americana acompanhou a tendência de queda observada no exterior, chegando a seu valor mais baixo em R$ 5,226, o que representa uma redução de 1,69%. O índice DXY, que avalia o desempenho do dólar em relação a seis outras moedas, caiu 0,58% ao longo do dia.
Por outro lado, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, subiu 1,24%, atingindo 179.875 pontos, com a maioria das ações apresentando valorização.
Esse movimento reverteu as altas do dólar e as perdas da bolsa que haviam ocorrido na sexta-feira (13), quando a moeda americana subiu 1,35% e o índice caiu 0,9%.
Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX, comentou que uma correção aconteceu após a alta da moeda: “Encerramos sexta com o dólar a R$ 5,32. Agora vemos uma correção, pois o dólar enfraquece no exterior e o real se beneficia”.
Na sexta-feira anterior, o receio do mercado foi impulsionado pela declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou ao canal Fox News que atacaria o Irã com força nesta semana.
Nesta segunda, embora não haja mudança diplomática significativa na região, o dólar desvalorizou diante de um maior apetite por risco, favorecendo moedas emergentes, explica Bezzon.
O conflito tem se tornado regional, com Israel invadindo novas áreas no sul do Líbano em uma ofensiva contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.
O principal temor está nos possíveis problemas no mercado de energia, já que o estreito de Hormuz, localizado na costa iraniana, é responsável por 20% da produção mundial de petróleo e gás, o que pode causar aumento da inflação global.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que a guerra mantém a volatilidade no preço do petróleo, que está próximo a US$ 100 por barril, aumentando preocupações inflacionárias e favorecendo investimentos em moedas seguras, como o dólar.
No sábado, Donald Trump pediu que outros países enviem navios de guerra para garantir a rota no estreito de Hormuz, mas até o momento o pedido não teve efeito.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a passagem está aberta para todas as nações, exceto para aliados dos EUA, e advertiu que a guerra pode se expandir se houver intervenção de outros países.
Além disso, na última quarta-feira, a Agência Internacional de Energia aprovou a liberação recorde de 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas para tentar estabilizar o mercado.
As tensões na região também influenciam as expectativas sobre política monetária global. O mercado acredita que o Federal Reserve dos EUA manterá as taxas de juros atuais até julho, com chances muito altas de manutenção nas reuniões de abril e junho, e possibilidade de redução a partir de julho.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, comenta que o aumento do preço do petróleo eleva as expectativas de inflação global, especialmente em países desenvolvidos, o que pode dificultar cortes rápidos nos juros pelo Fed.
Também no exterior, os principais índices acionários dos EUA S&P 500, Dow Jones e Nasdaq tiveram alta, com ganhos acima de 0,8%.
