FOLHAPRESS
O dólar caiu nesta quinta-feira (19) no Brasil, diferente do que aconteceu com a moeda americana em outros países. O motivo principal foi a divulgação do IBC-Br, índice usado para medir a atividade econômica do país, e o aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã.
Às 12h53, o dólar estava cotado a R$ 5,220, caindo 0,41%. No mercado internacional, o índice que mede a força do dólar frente a outras moedas fortes subiu 0,15%.
No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil, subiu 1,17%, chegando a 188.167 pontos, ajudado principalmente pela valorização das ações da Petrobras.
A economia brasileira cresceu 2,5% em 2025, mostrando mais força no último trimestre do ano, especialmente nos setores de agricultura e serviços, segundo dados do Banco Central divulgados hoje.
O IBC-Br mostrou, em dezembro, uma pequena queda de 0,2% em comparação a novembro, menos do que o esperado pelos economistas, que previam uma queda de 0,5%.
Para Cristiane Quartaroli, economista chefe do Ouribank, esses dados mostram que a economia está crescendo, mas em um ritmo mais lento. “Esse tipo de informação influencia a forma como o mercado vê a política de juros e as projeções para o crescimento do país”.
Ela também destacou que os dados reforçam a expectativa de cortes pequenos na taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 15%.
“Economistas que esperavam um corte maior podem agora pensar em uma redução menor”.
A previsão dos economistas é que a Selic termine 2026 em 12,25%.
Enquanto isso, os juros altos no Brasil, que são os maiores em quase 20 anos, continuam atraindo investidores estrangeiros para aplicar em títulos e ações brasileiras.
Quanto maior a diferença entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos, maior tende a ser o interesse dos investidores em trazer dinheiro para o Brasil, o que ajuda a valorizar o real.
No cenário internacional, a atenção está voltada para o aumento das tensões entre os EUA e o Irã. Apesar de algumas negociações para evitar conflitos, os Estados Unidos aumentaram sua mobilização militar contra o Irã nos últimos dias.
Somente entre segunda-feira (16) e quarta-feira (18), foram deslocados pelo menos 78 caças e aviões de ataque, mais do que o dobro dos que já estavam em bases importantes do Comando Central das Forças Armadas americanas, além dos 90 aviões a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln.
Na quinta-feira, os preços do petróleo continuaram subindo devido às tensões. Na quarta-feira, o preço da commodity chegou a subir 4%.
Por volta das 11h20, os contratos futuros do petróleo Brent subiram 1,82%, e os do WTI tiveram alta de 2,11%.
Essa alta também impactou o Brasil, com as ações da Petrobras subindo até 2,31%, liderando os ganhos do Ibovespa.
Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, explicou que os preços do petróleo estão recebendo um “prêmio geopolítico” por causa do risco na região do Oriente Médio. “Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, uma área muito importante para o transporte global. Qualquer problema ali pode afetar a oferta.”
Rodrigo Moliterno, responsável pela área de renda variável da Veedha Investimentos, disse que o risco de interrupção no fornecimento do petróleo tende a aumentar os preços e causar impactos em outros mercados. “O dólar voltou a subir temporariamente diante da busca por segurança. O mercado de petróleo está funcionando como um termômetro para o risco geopolítico no momento.”

