O dólar apresentou queda pelo quinto dia seguido nesta quarta-feira (25), influenciado pelo cenário político brasileiro e pelos acontecimentos internacionais que estão na mira dos investidores.
Ao mesmo tempo, a vontade de correr riscos no mercado aumenta, devido a boas perspectivas para o setor de tecnologia nos Estados Unidos, especialmente com a divulgação dos resultados da Nvidia.
Às 15h38, a moeda americana estava 0,48% mais baixa, cotada a R$ 5,130, alinhada com o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma seleção de seis moedas fortes, que recuava 0,21%.
Nesse mesmo horário, a Bolsa estava praticamente estável, com uma pequena queda de 0,06%, chegando a 191.374 pontos. Durante o dia, o Ibovespa chegou a atingir 192.623 pontos, um recorde intradiário.
No Brasil, a pesquisa Atlas/Bloomberg revelou que Luiz Inácio Lula da Silva está numericamente atrás de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em simulações de segundo turno nas eleições presidenciais.
No segundo turno, Flávio Bolsonaro tem 46,3%, contra 46,2% de Lula. Já Tarcísio soma 47,1%, contra 45,4% do presidente. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos.
“O mercado tende a reagir melhor a candidatos que seguem uma agenda liberal, focada em privatizações e medidas pró-mercado, o que pode influenciar positivamente o índice”, afirma Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.
No cenário internacional, o discurso do ex-presidente Donald Trump no Congresso dos EUA não mudou o rumo da política econômica do país, mas houve indicações de que o conflito com o Irã pode se intensificar, caso o país não negocie o fim do seu programa nuclear, segundo o próprio republicano.
Um possível conflito entre esses países pressiona os preços do petróleo, pois existe o receio de que a distribuição da commodity seja interrompida, o que tende a aumentar os preços.
“Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo estreito de Hormuz, uma região crucial para o transporte global da commodity. Qualquer ameaça ali afeta as expectativas de oferta”, explica Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.
Nos últimos dias, analistas têm observado a nova política de tarifas dos EUA. O governo americano estabeleceu uma alíquota de 10%, diferente dos 15% previamente anunciados pela CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA).
Essa redução gerou incertezas no mercado, sem explicações claras por parte das autoridades americanas.
“Com a diminuição da alíquota, moedas e ações de mercados emergentes têm se valorizado. Esse é um cenário que favorece principalmente países com juros mais altos, como o Brasil”, comenta Lucca Bezzon, analista da StoneX.
A nova tarifa foi baseada em uma regra de 1974, que permite ao presidente impor taxas temporárias de até 15% sobre importações em caso de déficits significativos na balança comercial, após a Suprema Corte dos EUA ter considerado ilegais as tarifas anteriores baseadas em outra lei.
No Brasil, a expectativa é que as novas tarifas beneficiem o país, pois são menores do que as tarifas anteriores sobre certos produtos brasileiros, aumentando a atratividade do mercado nacional, que já é favorecido pelo ingresso de investidores estrangeiros.
“O mercado recebeu positivamente a decisão da Suprema Corte dos EUA sobre as tarifas comerciais, o que ajuda economias exportadoras e pressiona o dólar para baixo”, afirma Bruno Shahini, especialista da Nomad.
A entrada de capital estrangeiro no Brasil ocorre por uma diversificação global de investimentos, impulsionada também pelas incertezas políticas nos EUA. Além disso, a taxa de juros brasileira, mantida em 15%, a mais alta em quase 20 anos, atrai investidores buscando lucros maiores, mantendo o real valorizado.
