FOLHAPRESS
O dólar está em queda nesta quinta-feira (28), enquanto os investidores demonstram otimismo sobre a possibilidade de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã.
Essa mudança ocorre após uma reportagem do portal Axios informar que os dois países teriam concordado em estender o cessar-fogo por mais 60 dias. No entanto, na véspera, episódios de ataques mútuos voltaram a ocorrer.
Por volta das 14h, o dólar registrava uma queda de 0,54%, cotado a R$ 5,033. No mesmo horário, a Bolsa subia 0,03%, atingindo 175.802 pontos.
Durante o pregão, os investidores permanecem atentos ao conflito no Oriente Médio. Na noite de quarta-feira (27), os Estados Unidos realizaram ataques a uma base militar iraniana, que, segundo autoridades americanas, representava uma ameaça às suas tropas.
Logo após, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado uma base aérea dos EUA no Kuwait, local de onde teria partido a ofensiva contra o Irã.
Na manhã de hoje, no entanto, notícias do site Axios trouxeram esperança aos analistas. A reportagem indicou que EUA e Irã chegaram a um acordo para estender o cessar-fogo por 60 dias e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano, embora essa trégua ainda precise ser aprovada pelo presidente Donald Trump.
Leonel Oliveira Mattos, analista de mercado da StoneX, comenta que essa informação ajudou a reduzir o temor de riscos geopolíticos, beneficiando ativos mais arriscados, como o real. Ele ressalta, porém, que o movimento é moderado, pois o acordo ainda não foi formalizado.
Nos últimos dias, as negociações enfrentaram dificuldades. Na véspera, conforme a agência Reuters, a TV estatal iraniana afirmou que um esboço de acordo foi firmado entre os países.
Segundo o documento, o Irã restauraria o transporte comercial pelo Estreito de Hormuz aos níveis anteriores à guerra dentro de um mês, enquanto os Estados Unidos retirariam suas tropas próximas ao Irã e suspenderiam o bloqueio naval.
A Casa Branca negou essa informação, qualificando-a como uma “fabricação completa”. O presidente Donald Trump também expressou insatisfação com as condições apresentadas pelo Irã.
“O Irã está muito determinado e quer fechar um acordo. Ainda não chegaram lá… não estamos satisfeitos, mas podemos ficar. Ou fazemos isso, ou precisamos terminar o trabalho”, afirmou Trump.
Essa instabilidade nas negociações mantém o mercado em alerta para sinais claros de acordo ou de agravamento do conflito.
Além disso, a guerra tem elevado os preços do petróleo e causado incertezas nas cadeias globais de suprimentos, como gasolina e diesel, contribuindo para a inflação.
O conflito já impacta as políticas monetárias no Brasil e nos EUA. Em abril, o Fed manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% citando as incertezas da guerra. No Brasil, o Copom reduziu a Selic para 14,5% ao ano, mas não indicou cortes futuros.
Indicadores econômicos também estão na mira dos investidores. No Brasil, a taxa de desemprego subiu para 5,8% no trimestre até abril, segundo o IBGE, um aumento em relação aos 5,4% dos três meses anteriores, mas ainda o menor nível para esse período desde 2012.
Para Otávio Araújo, consultor da Zero Markets Brasil, o aumento sugere uma desaceleração no mercado de trabalho, o que pode indicar um desaquecimento econômico e será considerado pelo Banco Central junto a outros dados de atividade e inflação.
Nos Estados Unidos, a atenção está voltada aos dados de inflação de abril. O índice PCE, principal referência do Fed, subiu 3,8% em 12 meses até abril, o maior aumento desde maio de 2023, segundo o Departamento de Comércio.
O Fed acompanha o PCE para sua meta de inflação de 2%, e o índice estava em 3,5% em março.
Esses dados indicam que os juros provavelmente permanecerão altos por um período prolongado. Nickolas Lobo, especialista da Nomad, explica que a persistência da inflação deve dificultar cortes de juros no restante do ano, embora o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, apoie essa possibilidade.
A ferramenta FedWatch do CME Group projeta que a taxa de juros dos EUA ficará entre 3,5% e 3,75% em todas as reuniões até dezembro.
