O dólar está caindo nesta segunda-feira (6), enquanto o mercado acompanha atentamente a situação da guerra no Oriente Médio.
A possibilidade de um acordo para cessar o conflito tem animado os mercados globais. Estados Unidos e Irã estão negociando uma trégua. Durante o dia, os preços do petróleo vêm recuando.
Às 11h52, o dólar caía 0,23%, sendo negociado a R$ 5,149. No mercado internacional, o índice DXY, que avalia a força do dólar em relação a seis moedas fortes, caiu 0,14%.
Enquanto isso, a Bolsa brasileira subiu 0,19%, alcançando 188.412 pontos, e os principais índices de Wall Street também iniciaram em alta.
Os Estados Unidos e o Irã discutem um plano intermediado pelo Paquistão para encerrar um conflito que já dura cinco semanas. Este plano prevê um cessar-fogo de 45 dias, seguido por negociações para um acordo mais amplo, conforme informações de uma fonte próxima às negociações.
Asim Munir, chefe do Exército do Paquistão, manteve contato durante a noite com autoridades norte-americanas e iranianas para avançar nas negociações, incluindo o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi.
Apesar dos esforços, os negociadores reconhecem que as chances de um acordo são pequenas.
O contexto das negociações é marcado por um ultimato do presidente norte-americano Donald Trump às forças iranianas, que devem aceitar a trégua e liberar o estreito de Hormuz até terça-feira (7), sob pena dos Estados Unidos tomarem ações severas.
As ameaças de Washington são direcionadas principalmente à infraestrutura civil iraniana, como usinas de energia e pontes. Trump planeja dar uma entrevista coletiva para detalhar os próximos passos caso o ultimato não seja aceito.
Embora a possibilidade de um cessar-fogo seja pequena, investidores estão mais propensos a assumir riscos e reduzindo posições defensivas em dólar, segundo Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas.
“O fluxo cambial tende a ser favorável para países emergentes, que atraem investimentos estrangeiros buscando maior retorno.”
Teerã descartou a reabertura do estreito de Hormuz mesmo em caso de cessar-fogo temporário. O bloqueio do estreito, por onde passam 20% do petróleo e gás naturais liquefeitos do mundo, causou uma crise energética global, impulsionando os preços do petróleo e de seus derivados.
Com a inflação mundial pressionada, as perspectivas de crescimento econômico são incertas, assim como as decisões dos principais bancos centrais, incluindo o Federal Reserve dos EUA e o Banco Central do Brasil, que já mencionaram a guerra em suas últimas decisões devido ao risco inflacionário global.
A XP alerta que um conflito prolongado e preços elevados do petróleo são os maiores riscos, podendo elevar a inflação local acima da meta de 3% estipulada pelo Banco Central.
No Boletim Focus divulgado hoje, analistas revisaram para cima as projeções da inflação para 2026 pelo quarto ajuste consecutivo. Agora, o IPCA está estimado em 4,36% para este ano e 3,85% para o próximo.
Economistas mantêm a previsão do dólar em R$ 5,40 no fim do ano e a Selic em 12,50%, com expectativa de pequena redução na próxima reunião do Banco Central.
O diferencial de juros entre Brasil e EUA, atualmente em 3,50% a 3,75%, ainda é um atrativo para investimentos no país, mantendo o real relativamente valorizado frente ao dólar, apesar dos efeitos da guerra que pressionam a moeda norte-americana para cima.
A XP destaca que o Brasil está bem posicionado, devido à sua alta exposição ao petróleo e ao potencial para continuar atraindo investimentos estrangeiros, especialmente quando as tensões internacionais diminuírem.

