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segunda-feira, 19/01/2026

dólar cai com tensões políticas e eleições em foco

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Em São Paulo, nesta segunda-feira, 19, o dólar caiu em relação ao real seguindo a tendência global. A queda ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentar uma postura menos agressiva sobre a questão da Groenlândia. No Brasil, o mercado está mais confiante numa aliança mais forte da direita para as eleições de 2026, especialmente depois que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu permissão para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visitá-lo na prisão.

O diferencial das taxas de juros do Brasil em relação a outros países continua atraindo operações chamadas de carry trade, que favorecem a valorização do real. Mesmo com o feriado do Martin Luther King nos EUA, que reduziu o volume de negociações, o dólar caiu 0,16% e fechou a R$ 5,364, com queda acumulada de 2,28% em 2026.

Pela manhã, o dólar chegou a subir devido à ameaça de Trump de impor tarifas sobre países da União Europeia para pressionar pelo controle da Groenlândia. Porém, à tarde, ele suavizou suas declarações, fazendo a moeda americana cair para R$ 5,3459. Para o economista André Galhardo, essa suavização nas declarações do presidente dos EUA foi o principal motivo para a queda do dólar.

A taxa Selic no Brasil está em 15% ao ano e deve se manter nesse nível até março, o que continua atraindo investidores estrangeiros para operações de carry trade, segundo Ricardo Chiumento, especialista do BS2. Além disso, a possibilidade de que Tarcísio de Freitas seja candidato à presidência em 2026 também traz otimismo para o mercado, segundo o estrategista Gustavo Cruz da RB Investimentos.

Mercado de ações e impacto geopolítico

O feriado nos EUA ajudou a manter a estabilidade do Ibovespa, que terminou o dia com leve alta de 0,03%, impulsionado pelas ações da Petrobras e de alguns bancos. Na Europa, os índices acionários caíram mais de 1%, diante das tensões comerciais provocadas pelas ameaças tarifárias de Trump.

Enquanto isso, o mercado aguarda com atenção o discurso do presidente americano em Davos e indicadores importantes da economia dos EUA que serão divulgados durante a semana.

As tensões aumentam a volatilidade, mas especialistas como Ramon Coser e Matthew Ryan alertam que as ameaças tarifárias são uma tática de negociação do presidente dos EUA e que a Dinamarca não pretende vender a Groenlândia.

A diretora do FMI, Kristalina Georgieva, considera que é cedo para avaliar os impactos dessas tensões, enquanto a China pede que os EUA abandonem justificativas infundadas para seus interesses no território.

Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, anunciou que tentará se reunir com Trump para evitar uma escalada da crise comercial entre EUA e Europa.

Juros futuros e expectativas econômicas

Com pouca movimentação por conta do feriado americano, os juros futuros no Brasil recuaram após alta nos dias anteriores. O contrato DI para 2027 fechou em 13,76% e outros prazos também apresentaram leves quedas.

O boletim Focus mostrou uma melhora nas projeções inflacionárias para o curto prazo, especialmente para este ano, com o IPCA caminhando para o centro da meta de 3%. No entanto, as expectativas para 2027 e 2028 permaneceram estáveis.

Segundo João Freitas, estrategista do Santander, a queda do dólar também contribuiu para aliviar a pressão sobre os juros futuros.

Por fim, a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que reafirmou o apoio do governo ao Banco Central e à política monetária, trouxe confiança ao mercado.

Em resumo, o dólar apresenta queda diante da melhoria do cenário político e da continuidade do diferencial de juros favorável ao Brasil, enquanto as tensões geopolíticas e comerciais continuam gerando volatilidade global.

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