FOLHAPRESS
O dólar caiu nesta sexta-feira (19) após subir em dois dias seguidos. Essa correção ocorreu mesmo com o adiamento das negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã, que estão relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Os investidores também estão atentos às decisões recentes sobre juros do Copom e do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA.
Por volta das 13h51, o dólar tinha caído 0,58%, sendo cotado a R$ 5,143. A bolsa de valores também apresentou uma pequena queda de 0,13%, chegando aos 168.044 pontos, em um dia com menor volume de operações devido ao feriado nos EUA.
A Suíça comunicou que as negociações entre EUA e Irã para tentar encerrar o conflito no Oriente Médio não aconteceriam nesta sexta-feira, como planejado, e foram adiadas indefinidamente. O adiamento ocorre em meio a novos ataques entre Israel e o grupo extremista Hezbollah no Líbano. Isso aumenta a preocupação dos mercados, que temem que o acordo temporário feito recentemente possa ser abandonado.
Nas últimas horas, quatro soldados israelenses foram mortos em ataques realizados pelo Hezbollah, o que representa uma das ofensivas mais graves desde o início do conflito. Bombardeios atribuídos a Israel mataram pelo menos 18 pessoas no Líbano. Além disso, o Irã anunciou que, ao término de um memorando de entendimento de 60 dias, pretende controlar a navegação pelo Estreito de Hormuz em parceria com Omã, o que desafia as exigências dos EUA para encerrar a guerra.
Segundo Leonel Mattos, analista da StoneX, esses acontecimentos aumentam as dúvidas sobre a continuidade do acordo temporário, levando os investidores a tomarem uma postura cautelosa, especialmente com os mercados dos EUA fechados por feriado.
O dólar valorizou-se nos dois dias anteriores devido às decisões sobre juros do Fed e do Copom, e a baixa de hoje é um ajuste após esse movimento. Investidores agora aguardam a divulgação da ata do Copom, marcada para terça-feira (23), que pode trazer mais informações sobre a política monetária.
O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano, sem surpresas, mas o comunicado emitido foi mais brando em relação ao controle da inflação. Isso sinaliza que cortes adicionais na taxa Selic podem ocorrer, mesmo com a inflação ultrapassando o teto da meta, o que causou confusão no mercado.
Alexandre Schwartsman, economista e ex-diretor do BC, afirma que há uma divergência entre o diagnóstico correto da inflação alta, resultado da crise do petróleo e outros riscos, e a resposta do Copom, considerada inadequada e com justificativas fracas.
O Copom indicou que manter os juros nos níveis atuais para atingir a meta de inflação até o final de 2027 poderia fazer o índice ficar abaixo do alvo no início de 2028, e isso foi interpretado como um adiamento no cumprimento da meta.
Solange Srour, diretora de macroeconomia do UBS no Brasil, vê isso como uma mudança na meta sem admitir oficialmente. A ata do Copom deverá esclarecer essas dúvidas.
Taxas de juros mais baixas no Brasil tornam menos atrativo o “carry trade”, que é pegar dinheiro emprestado em países com juros baixos, como EUA e Japão, e investir em países como o Brasil, com juros altos, para ganhar a diferença.
Com a expectativa de juros brasileiros mais baixos e juros americanos que podem subir, os investidores estão menos interessados em investir no Brasil.
O Fed manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75%, como esperado, mas surpreendeu o mercado com a previsão de que poderá haver pelo menos uma alta esse ano, com alguns membros esperando até duas mudanças. O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, fez uma coletiva que foi interpretada como mais rígida no combate à inflação.
Leonel Mattos observa que essas declarações aumentaram as expectativas de elevações de juros nos EUA, o que fortalece o dólar globalmente e pressiona a taxa de câmbio brasileira, atraindo mais investimentos para os Estados Unidos.
