O dólar teve queda significativa em relação ao real nesta segunda-feira, fechando a R$ 5,16, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que o conflito com o Irã está próximo do fim.
A moeda americana atingiu seu menor valor de fechamento desde 27 de fevereiro, antes dos primeiros ataques ao Irã. Essa foi a segunda sessão seguida de queda forte.
Trump afirmou em entrevista que os EUA estão avançados no processo de encerramento da guerra, destacando que o Irã não possui mais força naval, comunicações eficientes ou aviação militar.
O preço do petróleo, que é um indicador chave sobre a percepção do conflito no Oriente Médio, variou bastante durante o dia. Apesar de ter fechado o pregão regular em alta, recuou no pregão eletrônico, mantendo ganhos consideráveis no mês e no ano.
O índice que mede o valor do dólar frente a outras moedas fortes também caiu, refletindo a melhora do humor dos investidores.
O real brasileiro se destacou positivamente entre as moedas emergentes, impulsionado pelos altos preços do petróleo relacionados às tensões no Oriente Médio.
O economista Robin Brooks, do Brookings Institute, comentou que o real teve um desempenho melhor do que outras moedas emergentes, graças ao impacto positivo dos preços do petróleo para exportadores como o Brasil.
De manhã, o dólar chegou a se aproximar de R$ 5,30, mas recuou rapidamente com a redução da aversão ao risco no exterior.
Os preços do petróleo chegaram perto dos US$ 120 o barril devido a temores de que o conflito possa se estender, especialmente com a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã. O filho do aiatolá Ali Khamenei, morto em ataques conjuntos de EUA e Israel, é considerado um líder linha-dura.
Antes das declarações otimistas de Trump, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que não há condições para cessar-fogo enquanto os ataques continuarem.
Luiz Arthur Hotz Fioreze, diretor de portfólio da Oryx Capital, explicou que o impacto dos altos preços do petróleo na economia brasileira demora algumas semanas para ser refletido integralmente no mercado cambial.
Bolsa
O mercado financeiro esteve cauteloso durante o dia devido à alta do petróleo e ao impacto potencial na inflação e nas taxas de juros globais, especialmente nos EUA. No entanto, depois das declarações de Trump, houve otimismo e o mercado acionário americano fechou em alta, com o índice Nasdaq atingindo seu pico do dia.
No Brasil, o Ibovespa passou por uma leve queda durante o dia, mas recuperou e teve alta significativa no fim do pregão, chegando próximo a 182 mil pontos.
Especialistas como Felipe Cima e Pedro Moreira destacaram que a alta do petróleo foi intensa devido à expectativa de que o conflito possa durar mais e afetar a oferta global de petróleo. Alguns países já consideram usar reservas estratégicas para conter o aumento dos preços.
Marcos Praça, da ZERO Markets Brasil, ressaltou que a nomeação do novo líder do Irã indica continuidade de uma postura rígida do regime, sem sinais claros de negociação para o fim do conflito.
O preço do petróleo atingiu na sessão seus níveis mais altos desde junho de 2022, influenciado por cortes na produção e pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
Entre as ações da B3, a Petrobras se destacou positivamente, mesmo que suas ações tenham desacelerado no fim do pregão, enquanto outras empresas como Vale, Itaú, Azzas, Eneva e CPFL tiveram alta significativa.
Taxas de juros
Após as declarações de Trump, o otimismo ajudou na queda das taxas de juros futuras no Brasil, enquanto o dólar e os preços do petróleo caíram, aliviando a pressão sobre a curva de juros.
Houve uma breve interrupção na negociação dos contratos futuros de DI1 por questões técnicas, mas após a retomada, as taxas para os contratos de 2027, 2029 e 2031 apresentaram queda.
Antes da fala de Trump, a alta do petróleo aumentava a expectativa de um corte menor da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. Após o discurso, a chance de um corte maior se fortaleceu.
Economistas como Flávio Serrano e André Muller revisaram suas projeções para a Selic, indicando maior convicção para um corte de 0,5 ponto percentual em março, dependendo dos dados econômicos e da evolução dos preços do petróleo.
Apesar da incerteza atual, acredita-se que o impacto do conflito na economia brasileira será temporário, conforme avaliação dos especialistas.
