O dólar começou o dia em queda nesta quarta-feira (11), seguindo a tendência das moedas estrangeiras no mercado global. Essa movimentação ocorre enquanto investidores aguardam a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em um evento em São Paulo.
Por volta das 9h10, a cotação do dólar estava em R$ 5,1796, uma queda de 0,35%. Na véspera, a moeda americana teve alta de 0,18%, chegando a R$ 5,196, enquanto a Bolsa registrou leve queda, com 185.929 pontos.
O destaque do dia está em dados recentes sobre a inflação no Brasil e nas críticas do mercado sobre a situação fiscal do país, discutidas durante evento do BTG Pactual.
O índice oficial da inflação, o IPCA, apresentou aumento de 0,33% em janeiro, repetindo o valor de dezembro, segundo o IBGE. Esse número ficou ligeiramente acima da expectativa do mercado, que previa 0,32%.
André Valério, economista sênior do Inter, explicou que o resultado indica uma leve piora, esperada pela sazonalidade do período. Mesmo assim, isso não deve influenciar o corte na taxa básica de juros, a Selic, previsto para o próximo mês devido às orientações do Comitê de Política Monetária (Copom).
A principal dúvida é o tamanho do corte, que pode ser de 0,25 ou 0,5 ponto percentual. Os investidores dão maior chance ao corte maior. Atualmente, a projeção para a Selic está em 12,25%.
Na segunda-feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que o momento atual exige uma ‘calibragem’ cuidadosa na política monetária. Ele também destacou que a expectativa de corte nos juros não significa que a alta anterior foi revertida, pois ainda existem sinais de robustez na economia.
O ministro Fernando Haddad falou sobre a taxa de juros durante o evento do BTG Pactual, afirmando que não há razão para manter a Selic em 15% ao ano, pois isso prejudica a economia com uma dívida pública alta, que o governo não consegue compensar com superávit fiscal.
Haddad ressaltou a importância de cuidar do Banco Central, que pode ajudar ou atrapalhar o país dependendo da sua atuação.
Um fator importante para o investimento no Brasil é o diferencial da taxa de juros entre o país e os Estados Unidos, que tem uma taxa entre 3,50% e 3,75%. Isso tem atraído investimentos que ajudam a manter o dólar em níveis mais baixos.
O ministro também sugeriu que uma reforma na estrutura de gastos sociais do governo federal pode ser necessária, citando o Bolsa Família como exemplo de programa unificado que trouxe ganhos no passado. Ele comparou o momento atual com o início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, indicando que o sistema de assistência social pode precisar de mudanças.
Haddad afirmou que essa nova arquitetura para os gastos sociais pode ser importante para melhorar a eficiência e coordenação das políticas públicas.
O governo enfrenta desafios para cumprir as regras fiscais sem aumentar receitas e, ao mesmo tempo, precisa preservar programas sociais importantes.
Durante o evento, o economista-chefe do BTG, Mansueto Almeida, expressou preocupação com a situação fiscal do país e disse que a melhora recente nos indicadores econômicos é mais influenciada por fatores externos do que ações do governo.
No cenário internacional, os investidores aguardam dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, uma medida importante para entender os próximos passos do Federal Reserve, que pausou os cortes nas taxas de juros recentemente.
Taxas de juros mais baixas nos EUA facilitam a diversificação dos investimentos globalmente, enquanto taxas altas atraem recursos para investimentos considerados seguros naquele país.
