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segunda-feira, 23/03/2026




Dólar cai a R$ 5,22 e Bolsa sobe mais de 3% após Trump adiar ataques ao Irã

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FOLHAPRESS

O dólar caiu mais de 1% nesta segunda-feira (23), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resolveu adiar por cinco dias os ataques contra usinas de energia do Irã e mencionou a possibilidade de negociações com o país.

Com a queda do petróleo lá fora, às 11h31, o dólar estava cotado a R$ 5,228, com uma queda de 1,56%, seguindo o movimento internacional. No ponto mais baixo do pregão, a moeda americana chegou a R$ 5,224, com queda de 1,67%.

No mesmo momento, a Bolsa brasileira subia 3,32%, alcançando 182.081 pontos, em meio a um maior interesse global por investimentos de risco. Nas bolsas dos EUA, como Dow Jones, Nasdaq e S&P 500, os índices subiam juntos, com alta de até 2,17%.

O presidente Donald Trump recuou das ameaças de destruir usinas de energia iranianas e anunciou que pediu para adiar qualquer ação militar contra o Irã por cinco dias.

Em uma postagem no Truth Social, ele falou que Estados Unidos e Irã tiveram conversas “muito boas e produtivas” nos últimos dias, visando uma “resolução completa e total” das tensões no Oriente Médio.

Trump também disse a jornalistas que está conversando com um representante iraniano, que não é o líder supremo, Mojtaba Khamenei, e pediu que o Irã pare de enriquecer urânio.

Segundo a agência iraniana Mehr, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que Trump só quer ganhar tempo para sua estratégia militar e para aliviar a pressão no mercado de petróleo. O Irã confirmou que existem iniciativas para diminuir a tensão, mas só aceitará propostas diretas dos EUA.

Otávio Araújo, consultor da ZERO Markets Brasil, explicou que a declaração de Trump trouxe alívio aos mercados ao indicar uma diminuição do conflito, ajudando a conter a alta do petróleo, que vinha prejudicando as bolsas. Ele destacou que o sentimento de risco e os temores de interrupção no fornecimento de energia diminuíram.

Nas últimas semanas, a tensão entre EUA, Israel e Irã afetou as bolsas de valores. Apesar da valorização da Petrobras com o aumento do petróleo, o conflito levou investidores a buscar ativos seguros como dólar e renda fixa, deixando as bolsas menos atrativas.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra outras moedas fortes, subiu 1,50% desde o início do conflito. Já o Ibovespa, indicador das ações brasileiras, caiu 3,6%.

Também existe receio de aumento da inflação caso o conflito dure muito e o preço do petróleo continue alto.

Os preços do petróleo dispararam após o fechamento do Estreito de Hormuz, na fronteira com o Irã, pelo qual passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.

O anúncio da trégua de cinco dias nos ataques ao Irã fez o preço do petróleo cair mais de 13%, chegando a US$ 91,89 às 8h (horário de Brasília). Antes, o barril Brent estava entre US$ 105 e US$ 109, com máxima de US$ 109,68 às 5h15. Após o anúncio, o preço caiu rapidamente até atingir US$ 91,89.

O movimento desta segunda foi o oposto ao da sexta-feira passada, quando o dólar subiu 1,81%, cotado a R$ 5,311, e a Bolsa caiu 2,24%, a 176.219 pontos.

Na semana anterior, Trump enviou um segundo grupo de fuzileiros navais para a região, embora tenha descartado envio de tropas para ações terrestres. A ideia era tomar a ilha de Kharg para pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Hormuz, rota importante para o transporte de petróleo.

Uma frota com três navios de guerra e 4.000 marinheiros, incluindo 2.500 fuzileiros, deixou San Diego (Califórnia) na quinta-feira passada.

No mesmo dia, Trump negou a intenção de usar “botas no solo”, mas disse que não contaria à imprensa se tivesse outra ideia.

Antes disso, ele já havia deslocado do Japão outro grupo parecido, que se aproxima da região. Com isso, haverá 5.000 soldados treinados para operações terrestres, número insuficiente para uma invasão para derrubar o governo do Irã. Em 2003, a invasão do Iraque envolveu 20 navios desse tipo.

Hormuz é uma área estratégica para o Irã, que a militarizou, provavelmente com minas, para controlar quem pode passar, obrigando navios autorizados a usarem uma rota que passa por suas águas.

A tomada da ilha é considerada arriscada por analistas militares. O Irã, mesmo enfraquecido pelos bombardeios, ainda tem considerável capacidade de lançar mísseis e drones.

Trump também criticou a Otan, chamando a aliança militar, criada por Washington em 1949, de “tigre de papel” sem os americanos.

No Brasil, a agenda do dia tem poucos indicadores. Às 10h30, o Banco Central realizou um leilão de venda de dólares no valor de US$ 2 bilhões para rolar vencimentos de 2 de abril. Às 11h30, foi realizado leilão de 60 mil contratos de swap cambial para rolar vencimentos de 1º de abril.

Na semana passada, foram anunciadas decisões sobre taxas de juros em vários países em meio ao conflito. As taxas foram mantidas no Banco Central Europeu (2%), EUA (3,5% a 3,75%), Reino Unido (3,75%), Canadá (2,25%), Suécia (1,75%), Japão (0,75%) e Suíça (0%). A Austrália subiu a taxa para 4,1%.

No Brasil, o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, agora em 14,75% ao ano, veio acompanhado de uma fala cautelosa do Copom (Comitê de Política Monetária), que usou o termo “calibração” de juros em vez de flexibilização.

Analistas entendem que essa expressão indica que a taxa pode ser reduzida mais algumas vezes ao longo do ano, mas continuará em um nível restritivo.




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