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segunda-feira, 06/04/2026

Dólar cai a R$ 5,14 e Bolsa permanece estável com tensão no Oriente Médio

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FOLHAPRESS

O dólar encerrou o dia em baixa de 0,27%, cotado a R$ 5,1469 nesta segunda-feira (6), enquanto as preocupações com a guerra no Oriente Médio continuam em destaque.

Durante o pregão, a moeda apresentou pequena oscilação, alcançando o máximo de R$ 5,159 à tarde, no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedia entrevista coletiva. O valor mínimo chegou a R$ 5,139.

Essa tendência de queda foi observada globalmente: o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas importantes, registrou recuo de 0,05%.

A Bolsa brasileira não teve grandes alterações e fechou praticamente estável, com avanço modesto de 0,06%, aos 188.161 pontos.

As negociações do mercado foram influenciadas pela possibilidade de um cessar-fogo no conflito do Oriente Médio, que já dura cinco semanas. Um acordo proposto pelos Estados Unidos e Irã, com mediação do Paquistão, sugere uma trégua de 45 dias seguida por negociações para um pacto ampliado, segundo fonte próxima às conversas.

O chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, manteve contato durante toda a noite com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi.

Embora as negociações estejam em curso, as partes reconhecem que as chances de um acordo são pequenas.

O Irã rejeitou a ideia de trégua temporária e exige uma solução definitiva para os conflitos na região. O país afirmou que a guerra seguirá enquanto for necessário e apresentou aos Estados Unidos dez pontos para negociação, incluindo o uso do estratégico estreito de Hormuz, fim das sanções econômicas e planos para reconstrução.

Essa situação está imersa no ultimato do presidente Donald Trump às forças iranianas para que aceitem a trégua e reabram o estreito de Hormuz até às 21h de terça-feira (7), horário de Brasília. Caso contrário, os EUA ameaçam uma ação militar severa. Autoridades de Teerã já descartaram reabrir o estreito se o cessar-fogo for apenas temporário.

Em entrevista, Trump afirmou que o Irã poderia ser neutralizado em uma noite, afirmando que isso pode acontecer já amanhã.

Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, comentou que os mercados já estão cansados dessas declarações sem ações concretas: “Quando Trump fala em resolver a guerra rapidamente, parece apenas um blefe.”

Investidores estão buscando segurança em títulos do Tesouro dos EUA, aguardando sinais mais claros sobre o conflito.

O bloqueio do Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás natural consumidos globalmente, provocou uma crise energética sem precedentes, elevando os preços do petróleo e derivados.

Hoje, o petróleo Brent avançou cerca de 1%, cotado a US$ 112 por barril.

Com a inflação global pressionada, o crescimento econômico sofre dúvidas, impactando decisões de grandes bancos centrais, como o Federal Reserve dos EUA e o Banco Central brasileiro, que citaram a guerra em suas últimas deliberações.

Segundo a XP Investimentos, um conflito prolongado e preços elevados do petróleo por mais tempo são motivos de preocupação diante da inflação local acima da meta de 3% do Banco Central.

No Boletim Focus de hoje, analistas revisaram para cima a expectativa de inflação para 2026 pela quarta semana seguida: o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) está projetado em 4,36% para este ano e 3,85% para o próximo.

Economistas mantêm projeção de dólar a R$ 5,40 no fim do ano e Selic em 12,50%, com expectativa de corte da taxa básica em 0,25 ponto percentual na reunião do mês.

Ainda assim, a XP considera o Brasil bem preparado para os impactos da guerra, devido à sua exposição ao petróleo e ao potencial de atração de investimentos estrangeiros, principalmente quando as tensões diminuírem.

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