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sábado, 24/01/2026

dólar cai 1,61% na semana com entrada de capital estrangeiro e juros atrativos

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Em Brasília

O dólar ficou estável em relação ao real nesta sexta-feira, 23, fechando com uma leve alta de 0,03% a R$ 5,2862, após atingir sua menor cotação desde novembro de 2025 na quinta-feira. Contudo, ao longo da semana, a moeda americana caiu 1,61%, acumulando uma desvalorização superior a 3,6% em 2026, impulsionada por forte entrada de capital estrangeiro e atratividade do carry trade.

O real não conseguiu manter o avanço do dia anterior, mesmo com a alta de quase 3% no preço do petróleo e cerca de 1% no minério de ferro em Dalian, além da desvalorização do dólar em relação a outras moedas fortes.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, há uma forte demanda pelo dólar próximo ao nível de R$ 5,30, o que limita quedas mais acentuadas, mesmo em um cenário favorável.

Na opinião de Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o desempenho do dólar nesta sexta é um ajuste natural do mercado devido à valorização recente do câmbio. Ele destaca que a queda do índice DXY explica por que o dólar permanece abaixo de R$ 5,29.

Do ponto de vista fundamental, Sung acredita que a redução das tensões geopolíticas aumenta o interesse dos investidores em realocarem recursos para outros mercados. Além disso, o Brasil oferece uma taxa de juros atrativa, com a Selic a 15% ao ano, favorecendo operações de arbitragem.

João Duarte, sócio da One Investimentos especializado em câmbio, comenta que o real se mantém estável devido a um contexto externo mais positivo, que atrai capital estrangeiro para câmbio, renda fixa e bolsa de valores.

Bolsa

O Ibovespa teve forte alta nesta sexta, rompendo novamente recorde intradia e atingindo 180,5 mil pontos. Desde terça-feira são quatro sessões consecutivas de recordes, com volume de negociações elevado, chegando a R$ 36 bilhões no dia.

Na semana, o índice acumulou alta de 8,53%, a maior desde abril de 2020, e em janeiro já sobe 11,01%, o melhor desempenho desde novembro de 2023. O avanço é contínuo, refletindo a boa participação dos investidores estrangeiros.

Os ganhos foram amplamente distribuídos entre as principais ações, sem resistência por parte dos vendedores, facilitando o forte movimento de alta.

As ações da Petrobras PN registraram alta de 4,35%, beneficiadas pela valorização do petróleo, e no mês a alta acumulada é de 13,69%. Outros destaques positivos foram Petrobras ON e Vale ON, além dos bancos, com variações entre 1,14% e 3,54%. Entre os maiores ganhos do dia estão Braskem, CSN e Prio; e as maiores perdas ficaram com Vivara, Pão de Açúcar e Caixa Seguridade.

O movimento do Ibovespa também foi influenciado pela presença de investidores estrangeiros, que garantem fluxo e liquidez na bolsa. Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença, destacou operações estrangeiras no ETF EWZ em Nova York que refletem no índice brasileiro.

Christian Iarussi, economista da The Hill Capital, observa que o apetite pelo mercado brasileiro é impulsionado por fatores internacionais, como o aumento do petróleo devido a tensões no Oriente Médio, e o bom desempenho do minério de ferro na Ásia. Ele também ressalta que as bolsas americanas enfrentam pressão pelas incertezas sobre política monetária e política interna.

O otimismo para a próxima semana é crescente, com maior parcela de profissionais esperando alta no Ibovespa e redução significativa nas previsões de queda, segundo o Termômetro Broadcast Bolsa.

Juros

Os juros futuros da B3 recuaram na sexta-feira, especialmente nas partes longas da curva, refletindo um ambiente externo mais favorável e menor tensão geopolítica após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A expectativa é de manutenção da taxa Selic na próxima reunião do Copom.

A taxa do contrato DI para janeiro de 2027 caiu para 13,695%, para 2029 recuou a 13,025% e para 2031 caiu a 13,345%. Andrea Damico, economista da BuysideBrazil, comentou que o risco global diminuiu e que investidores estrangeiros estão buscando maior retorno na renda fixa e juros brasileiros.

Ela destacou ainda que as pesquisas eleitorais recentes tiveram pouco impacto no mercado, sendo o fator externo o principal motor do rali dos ativos locais.

Segundo a equipe econômica do Santander, o maior apetite pelo risco externo favorece a bolsa e a valorização do real, enquanto a curva de juros permanece estável a poucos dias das decisões do Copom e do Federal Reserve, com expectativa de que as taxas se mantenham inalteradas.

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