O dólar atingiu seu menor valor intradia desde junho de 2024, chegando a R$ 5,2612 nesta segunda-feira, devido ao enfraquecimento global da moeda americana e a um carry trade ainda atrativo. No entanto, esse movimento perdeu força no final do dia por causa da queda nos preços das commodities e da pausa no rali do Ibovespa, indicando menor entrada de capital estrangeiro.
O dólar à vista fechou a sessão em queda de 0,12%, cotado a R$ 5,2797, o menor preço desde 11 de novembro de 2025, acumulando uma redução de 3,81% no mês de janeiro.
Há especulações de que os Estados Unidos, em parceria com o Japão, possam estar coordenando intervenções para fortalecer o iene, fazendo com que o índice DXY — que mede o dólar contra uma cesta de moedas fortes — alcançasse a mínima dos últimos quatro meses. Esse cenário também ajudou na valorização das moedas emergentes. Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos, comenta: “Se os EUA entrarem para proteger o iene, podem enfrentar prejuízos fiscais”.
Além disso, há a possibilidade de uma nova paralisação do governo americano, caso os parlamentares democratas não aprovem o orçamento, após incidentes envolvendo a agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). A chance desse shutdown aumentou de 9% para 81% segundo a plataforma Polymarket.
Na esfera geopolítica, o presidente Donald Trump ameaçou aplicar tarifas de 100% ao Canadá devido a negociações com a China, enquanto dúvidas permanecem sobre a escolha do novo presidente do Federal Reserve (Fed).
O Fed e o Comitê de Política Monetária (Copom) brasileiro decidirão sobre as taxas de juros nesta quarta-feira, com expectativa de que o diferencial de juros no Brasil continue atraente.
Apesar da queda dos preços do petróleo e minério de ferro hoje, o câmbio se afastou das mínimas da sessão, refletindo uma redução no fluxo para a bolsa, como explica Fernando Cesar, operador de câmbio da AGK corretora.
Beto Saadia também destaca que investidores globais estão redirecionando seus investimentos para empresas fora do setor de tecnologia, favorecendo companhias emergentes.
Bolsa
O Ibovespa iniciou a semana mais calmo após uma forte alta na semana anterior, que renovou recordes históricos. Hoje, oscilou entre 177.694 e 179.543 pontos, com volume financeiro de R$ 31,2 bilhões.
Petrobras obteve avanços mesmo com queda no preço do petróleo, e o setor financeiro recuperou-se durante o dia, com destaque para Itaú. Por outro lado, Vale e o setor metálico caíram, apesar de acumularem fortes ganhos no início do ano.
Localiza, WEG e Cogna foram os melhores desempenhos, enquanto MBRF e Cemig tiveram as maiores quedas. Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, o mercado vive uma realização de lucros saudável, mantendo perspectivas positivas para o Brasil.
Na quarta-feira, o Copom e o Fed anunciarão suas decisões de juros. Espera-se que o Copom sinalize possíveis cortes da Selic a partir de março.
Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, afirma que o mercado começa a precificar mais riscos no curto prazo, mas o setor de energia mantém boas perspectivas.
Nícolas Merola, analista da EQI Research, ressalta que além das decisões sobre juros, a temporada de resultados corporativos nos EUA, incluindo Meta e Amazon, deve influenciar o mercado, com atenção especial às orientações das empresas de tecnologia e inteligência artificial.
Juros
O enfraquecimento global do dólar e o fechamento da curva dos Treasuries contribuíram para a queda dos juros futuros na B3 pelo quarto dia consecutivo, antes das decisões do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve.
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) longos recuaram, enquanto as de curto prazo mantiveram-se mais estáveis, refletindo consenso de que a Selic será mantida em 15% no próximo encontro do Copom.
O debate sobre o cenário político no Brasil ganhou destaque, com pesquisas recentes indicando um possível impacto nos juros, mas sem novas grandes pesquisas divulgadas nesta segunda-feira.
A taxa do DI para janeiro de 2027 caiu ligeiramente, bem como as taxas para os anos seguintes. No mercado americano, os rendimentos das T-Notes e T-Bonds recuaram, indicando perda de inclinação na curva de juros.
O dólar terminou o dia em queda modesta frente ao real, cotado a R$ 5,2797, após alcançar mínima intradia desde junho de 2024. Na última semana, acumulou queda de 1,6% em relação ao real.
Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, destaca que o cenário político atual é visto como oportunidade pelos investidores estrangeiros, que avaliam de forma positiva as perspectivas para o Brasil, especialmente com menor chance de reeleição do presidente Lula, prevista pelas pesquisas recentes.
O instituto Paraná Pesquisas divulgará nova pesquisa nesta quinta-feira, que poderá influenciar os ativos domésticos, segundo Tavares.
Internamente, a Petrobras anunciou redução de R$ 0,14 por litro no preço da gasolina para as distribuidoras, o que levou a revisões para baixo nas projeções de inflação para 2026, feitas por diversas instituições financeiras.
Para a reunião do Copom desta semana, o consenso é de manutenção da Selic em 15%, mas o mercado busca sinais que apontem para a possibilidade de cortes a partir de março. Tavares observa que o Banco Central tem adotado postura conservadora, mesmo diante das condições para iniciar o ciclo de queda dos juros.
