A alta do dólar após a reeleição do presidente Lula está começando a influenciar os preços de produtos agrícolas como soja, milho, açúcar, trigo e café. Embora isso possa beneficiar os produtores, há risco de aumento nos preços para o consumidor brasileiro.
Especialistas afirmam que a valorização do dólar pode refletir nos valores finais de alguns alimentos, já que soja e milho são ingredientes importantes na produção de carne, pois são usados para alimentar os animais.
Após a vitória de Lula, o dólar subiu 9,2% na semana passada, alcançando R$ 5,486, o maior valor desde dezembro de 2025. No entanto, nos últimos dias, houve uma pequena queda para R$ 5,45.
O economista André Braz, do FGV Ibre, alerta que quanto mais tempo o dólar permanecer acima do nível anterior às eleições, maior será a chance de impactos nos preços.
Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a alta do dólar aumentou a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, incentivando a compra de compradores estrangeiros e fazendo os preços subirem para níveis similares aos do início de outubro.
Na quarta-feira, o preço da saca de 60 kg de soja era de R$ 152,21 no Paraná, 3,8% mais alto que antes do segundo turno das eleições. O milho também teve aumento, com a saca custando R$ 66,47 em Campinas, São Paulo, um aumento de 3,4%.
O analista Gabriel Viana, da consultoria Safras & Mercado, explica que os preços de commodities que o Brasil exporta são muito afetados pelo câmbio, o que explica os aumentos recentes na soja e no milho.
Outros fatores influenciam os preços
Além do dólar, o avanço do plantio da soja no Brasil tem ajudado a conter aumentos mais expressivos. O clima até agora tem favorecido o plantio, exceto em algumas regiões do Sul que enfrentam fortes chuvas.
No entanto, o fenômeno climático El Niño pode trazer temperaturas mais altas que podem prejudicar as plantações mais à frente.
Outro ponto a observar é o preço do óleo diesel, essencial para a produção agrícola. Com a alta do petróleo após o conflito no Irã, o governo brasileiro tem subsidiado o diesel para evitar aumentos bruscos, mas essa política pode ser revista, o que traria custos maiores para os produtores.
Açúcar, milho e trigo também sentem efeitos
Os preços do açúcar cristal subiram na última semana de outubro, impulsionados pelo dólar mais forte. No estado de São Paulo, a saca de 50 kg atingiu R$ 128,57, o que representa a 15ª semana consecutiva de alta, a maior sequência desde 2020.
Os produtores de trigo também enfrentam preços mais altos devido a uma oferta limitada de cereal de boa qualidade causada por chuvas durante a colheita, com o dólar valorizado contribuindo para aumentar os custos.
O preço do trigo cresceu 2,2% no mês passado no Rio Grande do Sul, principal produtor do país. Este estado também lidera a produção nacional de arroz, que voltou a receber atenção do mercado após a valorização do dólar e expectativas de aumento da demanda externa.
A dificuldade para vender arroz ao mercado interno e o adiamento de negócios por parte dos vendedores indicam um cenário complexo para o setor.
Dólar alto mantém preços do café elevados
O café tem mantido preços firmes devido à valorização do dólar. Enquanto os preços internacionais caem, a moeda forte sustenta os valores no mercado nacional.
A saca de 60 kg do tipo robusta custava R$ 972,99, 3,9% acima do preço antes do segundo turno; o arábica mantinha valor semelhante, próximo a R$ 1.600.
