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terça-feira, 14/04/2026

dois investigados não comparecem a depoimentos sobre o banco master

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Em Brasília

JOSÉ MARQUES
FOLHAPRESS

Dois dos quatro investigados no caso do Banco Master, que deveriam ser ouvidos nesta segunda-feira (26), não compareceram para prestar depoimento à Polícia Federal. As defesas deles comunicaram as ausências por videoconferência.

A defesa de um dos investigados, André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor da consultoria Tirreno e ex-funcionário do Master, pediu que a audiência fosse remarcada para uma data posterior, após terem acesso aos autos do processo.

O outro investigado que não compareceu é Henrique Souza e Silva Peretto, outro proprietário da consultoria. As audiências acontecem em sessões fechadas na sede do STF (Supremo Tribunal Federal). A notícia das ausências foi confirmada pela reportagem com pessoas que acompanham as investigações.

A Tirreno é apontada nas investigações como uma empresa de fachada, que teria sido usada na tentativa de venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília).

O Banco Master é suspeito de ter fraudado carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões, vendidas ao BRB, adquiridas da Tirreno, e que teriam origem em operações de empréstimo consignado feitas por associações de servidores públicos da Bahia.

Investigações do Banco Central, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal indicam que esses créditos foram forjados, usados para inflar o balanço do banco de Vorcaro, que repassou a carteira ao BRB enquanto enfrentava problemas de liquidez.

O Banco Master teria adquirido créditos da Tirreno sem qualquer pagamento, segundo as investigações, e revendido ao BRB.

Maia e Peretto estão entre os quatro investigados que seriam ouvidos pela Polícia Federal presencialmente ou por vídeo.

Peretto foi responsável por aumentar o capital social da Tirreno, que passou de R$ 100 para R$ 30 milhões. Para a Polícia Federal, esse aumento é incompatível com a operação normal da Tirreno e foi feito para criar uma falsa impressão de capacidade econômica e esconder que a empresa é uma fachada.

A defesa de André Felipe afirmou que ainda não teve acesso aos autos e, por isso, não pode dar esclarecimentos. Os advogados de Peretto não foram localizados.

Pela manhã, o ex-diretor financeiro do BRB, Dario Oswaldo Garcia Júnior, prestou depoimento presencial à Polícia Federal. Ele é investigado junto com o ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, por suspeita de gestão fraudulenta e associação criminosa, na tentativa de salvar o Banco Master.

De acordo com as investigações, sua atuação facilitou aportes do banco público para ajudar o Master em sua crise de liquidez. Ele era responsável por garantir que as informações enviadas ao Banco Central estivessem dentro das normas legais.

Dario respondeu todas as perguntas feitas pelos investigadores.

À tarde, a partir das 16h, será ouvido Alberto Felix de Oliveira Neto, ex-diretor do Banco Master. Ele assinou o contrato de parceria entre o banco e a Tirreno, além de outros contratos em investigação. É investigado por suspeita de vários crimes contra o sistema financeiro nacional.

Estavam previstos oito depoimentos para segunda e terça-feira (27).

Esperava-se que mais pessoas fossem ouvidas pela Polícia Federal, incluindo o dono do banco, Daniel Vorcaro. Contudo, o ministro do STF, Dias Toffoli, determinou que o prazo para os depoimentos fosse reduzido de seis para dois dias. A Polícia Federal apresentou um novo cronograma excluindo o ex-banqueiro.

Em 30 de dezembro, Vorcaro foi ouvido no STF, junto com Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.

Depois, Vorcaro e Costa participaram de uma acareação para esclarecer divergências sobre a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos que, segundo os investigadores, são inexistentes, do Banco Master para o BRB.

Nas declarações públicas, as defesas dos investigados negam terem cometido irregularidades.

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