LUIS EDUARDO DE SOUSA
CAMPINAS, SP (FOLHAPRESS)
A esporotricose, uma doença causada por um tipo de fungo, passou a ser um caso que todos os profissionais de saúde devem informar ao Ministério da Saúde desde 23 de janeiro.
Conhecida antigamente como “doença do jardineiro”, a esporotricose é causada por fungos encontrados na terra, plantas, madeira e material orgânico em decomposição. No Brasil, a transmissão ocorre principalmente por meio do contato com gatos infectados.
Essa medida foi tomada após pequenos surtos da doença em cidades brasileiras. Em 2023, a Sociedade Brasileira de Infectologia alertou que a transmissão estava fora de controle. A obrigatoriedade da notificação ajuda a monitorar a doença, controlar infecções e planejar ações entre saúde pública e controle de animais transmissores.
Nos humanos, a doença geralmente aparece como um caroço ou ferida na pele que pode se espalhar pelos vasos linfáticos, criando uma série de lesões sem formato definido. Para confirmar o diagnóstico, é necessário exame de biópsia, conforme explica a dermatologista Christiana Blattner, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.
Na maioria das vezes, a infecção fica apenas na pele e na camada logo abaixo dela. Porém, pode ser mais grave em pessoas com o sistema imunológico fraco, atingindo pulmões, ossos, articulações e até o sistema nervoso. Isso acontece principalmente com pacientes com HIV, câncer, usuários de corticoides ou transplantados, podendo causar infecções severas e dores intensas.
“É raro, mas se acontecer, pode ser grave. Por isso, o diagnóstico rápido é fundamental”, afirma a médica.
Nos animais, especialmente gatos, a doença tende a ser mais agressiva, causando muitas feridas abertas, secreção e maior risco de transmissão. Christiana Blattner destaca que gatos e humanos são vítimas da doença e não os culpados. Portanto, ambos precisam de cuidado adequado para evitar o contágio.
“O fungo está presente na terra e nas plantas; o gato é uma vítima, não um vilão”, reforça a médica.
Locais ao ar livre como parques e praias podem ter o fungo, e por isso o risco existe, mas é possível se proteger sem pânico.
“Usar calçados, luvas e roupas com mangas longas ao mexer em plantas e árvores ajuda a evitar o contato com o fungo”, explica a médica. A infecção acontece quando ocorre algum machucado na pele, como arranhões ou mordidas de animais infectados.
“Jardineiros e profissionais que trabalham com animais devem sempre usar equipamentos de proteção para evitar o risco. A doença não mata, mas pode causar feridas importantes”, comenta o infectologista Juvencio Furtado, do Hospital Heliópolis.
Para Furtado, a notificação é importante para localizar focos da doença. “Com a notificação, é possível determinar onde a doença está, como as pessoas foram infectadas e se há animais doentes.”
Assim, as autoridades podem orientar a prevenção com base nas características dos casos.
“A notificação também mostra o número de casos, aumenta a atenção para a doença e ajuda a conscientizar a população”, destaca Christiana Blattner.
O tratamento é feito com remédios antifúngicos, principalmente o itraconazol, por períodos que podem variar de semanas a meses, dependendo da gravidade e da resposta do paciente. Diagnosticar cedo é essencial para evitar complicações e reduzir a propagação, tanto em pessoas quanto em animais.
