A quantidade de leite materno doado no Distrito Federal não é suficiente para suprir a demanda dos recém-nascidos internados nas unidades de terapia intensiva neonatal (UTIs). Mensalmente, a rede necessita de cerca de 2 mil litros, mas em janeiro foram arrecadados apenas 1.558 litros, volume insuficiente para atender as 21 unidades da rede, que incluem 14 bancos de leite humano e 7 postos de coleta.
Graça Cruz, coordenadora das políticas de aleitamento materno do Distrito Federal, explicou que essa diminuição nos estoques acontece, principalmente, durante o período de férias, devido às mudanças na rotina das famílias. “Os estoques ficam baixos porque, durante as férias escolares e as viagens, além da presença de familiares nas casas das doadoras, a retirada e o armazenamento do leite ficam mais difíceis”, destacou. Em janeiro, 1.380 bebês receberam leite humano nas unidades do DF. Esses bebês são recém-nascidos internados em UTIs neonatais, prematuros, com baixo peso ou problemas de saúde. Muitas vezes, as mães desses bebês não conseguem produzir leite suficiente devido ao estresse causado pela internação.
A rede do Distrito Federal é parte da Rede Global de Bancos de Leite Humano e é considerada referência. É comum profissionais de outras regiões do Brasil e até de outros países virem para treinamento. Nos bancos de leite ocorre o processo de pasteurização do leite doado, enquanto os postos de coleta cuidam do atendimento às mães. O leite humano é o alimento ideal para bebês, sendo recomendado exclusivamente até os seis meses de vida. Quando a mãe do recém-nascido não consegue produzir a quantidade necessária, a doação torna-se essencial. Cada doação salva vidas, já que um frasco de 300 ml pode nutrir até 10 bebês em um dia.
O leite doado é classificado conforme o tempo após o parto da doadora para garantir que o bebê receba o tipo mais adequado às suas necessidades, sendo dividido em colostro, intermediário e maduro. O colostro é especialmente indicado para os bebês mais frágeis, pois contém alta concentração de anticorpos. Conforme o bebê cresce, ele recebe leite com maior teor de gordura e açúcar. Para ser doadora, a mulher deve estar saudável, amamentando e com excedente de leite, sem quantidade mínima exigida. A retirada do leite não prejudica o bebê da doadora, pois quanto mais leite é retirado, mais o corpo produz.
Além da coleta e distribuição, os bancos de leite oferecem atendimento gratuito às mulheres com dificuldades para amamentar, ajudando a evitar o desmame precoce. Para se cadastrar como doadora, a mulher deve enviar exames do pré-natal para avaliação da equipe responsável. Após aprovação, ela recebe visitas do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal para realizar a coleta do leite, que pode ser semanal ou quinzenal, dependendo do volume acumulado. O leite pode ser armazenado congelado por até 15 dias antes de ser processado.
Os Bancos de Leite Humano foram criados para garantir segurança alimentar e nutricional aos recém-nascidos, e realizam a coleta, processamento e distribuição do leite doado, além de fornecer apoio especializado às mães. Mais informações sobre doação e amamentação podem ser obtidas no site oficial do governo do Distrito Federal.

