A capacidade de pagamento de empresas e famílias ainda enfrenta grandes desafios, aumentando os riscos para o sistema financeiro do país, de acordo com um relatório divulgado pelo Banco Central.
O Banco Central informou que os ativos considerados problemáticos no crédito às famílias cresceram e alcançaram o maior patamar desde 2012. Esses ativos incluem créditos em atraso por mais de 90 dias e outras dívidas com risco elevado de não serem pagas.
A inadimplência foi apontada como o principal motivo desse aumento e teria crescido mesmo sem as mudanças nas políticas de baixa adotadas no ano passado. As previsões indicam que a pressão deve continuar em diversas linhas de crédito no segundo semestre deste ano.
Para as famílias, o comprometimento da renda chegou ao nível mais alto dos últimos 21 anos, afetando especialmente os que têm menor renda. Nas empresas, o número de companhias com lucro líquido menor e despesas financeiras maiores aumentou, mostrando menos folga para pagar dívidas.
O Banco Central concluiu que o aumento da inadimplência teria ocorrido mesmo sem as mudanças regulatórias recentes.
Em junho, estima-se que a taxa de inadimplência do sistema financeiro teria sido 0,78 ponto percentual menor se as regras anteriores tivessem sido mantidas. Isso representa cerca de 45% do aumento total de 1,76 ponto percentual desde dezembro de 2024.
O órgão acredita que o impacto das mudanças regulatórias deve diminuir com o tempo.
Sobre o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, houve aumento nas concessões, mas o risco de não pagamento é maior do que em outras linhas de crédito mais arriscadas.
Desafios operacionais contribuem para a inadimplência nesse segmento, que supera a verificada no crédito pessoal não consignado sem garantias. Uma parte significativa dos atrasos está em dívidas de pessoas que ainda estão empregadas ou que voltaram ao trabalho formal.
“Levando em conta que, nesses casos, o desconto em folha deveria garantir o pagamento, os resultados indicam que dificuldades operacionais podem estar afetando a carteira”, explica o Banco Central.
O Banco Central também destacou que a rentabilidade dos bancos caiu no primeiro semestre, especialmente nos bancos públicos, devido aos riscos no crédito rural e crédito pessoal.


