GUILHERME PIMENTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A dívida pública do Brasil alcançou 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho deste ano, o nível mais alto desde abril de 2021, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central.
Esse índice subiu 0,6 ponto percentual em relação a junho. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) engloba o governo federal, os governos estaduais, as prefeituras e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em valores nominais, a dívida corresponde a R$ 10,9 trilhões.
Em abril de 2021, a dívida estava em 82,62% do PIB, quando os gastos federais aumentaram bastante por causa da pandemia da Covid-19.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ao Congresso Nacional o Orçamento para 2027, prevendo um superávit primário de R$ 20 bilhões, a melhor previsão desde 2014, quando se estimava um superávit de R$ 86 bilhões para 2025, valores da época.
Embora seja a previsão mais positiva em mais de dez anos, especialistas acreditam que a meta precisa ser maior nos próximos anos para equilibrar as contas públicas. Recentemente, o presidente Lula minimizou o crescimento da dívida pública em entrevista à TV Globo.
No terceiro mandato de Lula, a dívida aumentou mais de 10 pontos percentuais, passando de 71,68% do PIB em dezembro de 2022 para o patamar atual. Especialistas consideram essa alta um sinal de que medidas fortes para ajustar as contas públicas são necessárias, principalmente para os candidatos à presidência neste ano.
No Relatório de Projeções Fiscais divulgado em junho pelo Tesouro Nacional, a equipe econômica prevê que a dívida bruta atingirá o pico de 87,9% do PIB em 2029 e, depois disso, começará a diminuir. No entanto, as previsões do mercado financeiro são mais pessimistas, sem indicar uma estabilização em breve.
O Banco Central explicou que o aumento mensal da dívida aconteceu devido principalmente aos juros nominais (0,8 ponto percentual), às emissões líquidas de dívida pública (0,2 ponto percentual) e à variação do PIB nominal (-0,5 ponto percentual). No acumulado do ano, a dívida subiu 3,9 pontos percentuais do PIB.
Considerando o aumento anual de 3,9 pontos percentuais do PIB, o BC destacou que este crescimento decorre de juros nominais incorporados (5,7 pontos percentuais), emissões líquidas de dívida (1,5 ponto percentual), crescimento do PIB nominal (-3,1 ponto percentual) e valorização cambial (-0,3 ponto percentual).
Em julho, o setor público registrou um superávit primário de R$ 1,4 bilhão. No mesmo mês do ano anterior, o setor teve um déficit de R$ 66,6 bilhões.
