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sábado, 04/04/2026

Dívida dos EUA preocupa investidores

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Após a aprovação do grande projeto de lei orçamentária pelo presidente Donald Trump no Congresso dos Estados Unidos nesta quinta-feira (3), houve um avanço político para o líder republicano, mas os mercados financeiros agora monitoram atentamente os efeitos, já que a dívida americana atingiu níveis inéditos.

Os juros que a maior potência econômica precisa pagar para obter empréstimos nos mercados financeiros estão elevados, gerando dúvidas entre os investidores sobre a viabilidade da dívida dos Estados Unidos.

Quem detém a dívida dos Estados Unidos?

Atualmente, a dívida americana ultrapassa 36,2 trilhões de dólares (aproximadamente R$ 196 trilhões), o que representa 120% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo dados do Tesouro americano.

Dos valores totais, cerca de 29 trilhões de dólares (R$ 157 trilhões) correspondem a títulos da dívida vendidos no mercado financeiro. A maior parte está dentro dos Estados Unidos, mas um terço da dívida pública pertence a países estrangeiros, principalmente Japão, Reino Unido e China.

Desde 2020, em decorrência de uma guerra comercial inicial entre China e Estados Unidos, investidores chineses vêm diminuindo sua aposta na dívida americana visando a compra de ouro, conforme explica Aurélien Buffault, gerente de títulos da Delubac AM. Eles não liquidam os títulos que possuem, mas também não os renovam no vencimento.

Os restantes 7 trilhões de dólares (cerca de R$ 39 trilhões) estão nas mãos de órgãos federais americanos, como fundos previdenciários e pensões para funcionários públicos.

Motivo do aumento dos juros pagos pelos EUA

A dívida do país costuma ser atrativa pois oferece retorno seguro e estável. Contudo, quando sinais de fragilidade surgem na economia americana, os investidores se tornam mais cautelosos em emprestar dinheiro, exigindo juros maiores para compensar o risco.

Em maio, os rendimentos dos títulos americanos de 30 anos ultrapassaram 5% por um momento, estabilizando depois em torno de 4,8%.

Gregoire Kounowski, consultor de investimentos da Norman K., destaca que a chamada “Grande e Bela lei” aprovada recentemente visa estender as isenções fiscais implantadas por Donald Trump em seu primeiro mandato, o que pode aumentar a dívida americana em 3 a 4 trilhões de dólares (R$ 16 a 22 trilhões).

O rebaixamento da nota da dívida dos EUA pela agência Moody’s em maio foi motivado pelo aumento do endividamento e seu impacto no orçamento federal, alerta Raphaël Thuin, diretor de estratégias de mercado da Tikehau Capital.

A dívida dos EUA e o dólar como porto seguro

Como maior economia global, os Estados Unidos são vistos como bons pagadores. Seu mercado financeiro líquido permite fácil compra e venda dos títulos, atraindo investidores que buscam segurança.

Porém, a imposição de tarifas por Donald Trump no início de abril tem levado investidores a se desfazerem da dívida americana e do dólar, que tradicionalmente são considerados refúgios seguros, junto com o ouro.

Enquanto o ouro atingiu preços recordes, o dólar caiu mais de 10% no primeiro semestre, registrando seu pior desempenho nesse período desde 1973.

As dúvidas sobre a economia dos EUA crescem devido à política comercial de Trump, tensões geopolíticas no Oriente Médio e à política monetária do Federal Reserve.

Imène Rahmouni-Rousseau, diretora geral de operações de mercado no Banco Central Europeu (BCE), explica que os investidores têm buscado outras moedas e ativos seguros para proteger seus investimentos em meio à volatilidade e incertezas.

Assim, o euro e os títulos da dívida pública europeia passaram a funcionar como alternativa de segurança.

Mercados europeus financeiros são tidos como atraentes novamente para investidores, pela primeira vez desde a crise financeira de 2011, destaca imponente a situação atual.

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