A escolha do próximo ministro da Fazenda pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionou uma disputa interna entre grupos do Partido dos Trabalhadores sobre quem terá mais influência na política econômica até 2030.
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, surgiu como um dos principais candidatos ao cargo, considerado o segundo mais importante do governo, atrás apenas do presidente.
No entanto, Fonteles enfrenta críticas dentro do próprio partido, que veem a preferência do mercado financeiro por seu nome como um risco de um ajuste fiscal rigoroso, semelhante ao prometido pela equipe do senador Flávio Bolsonaro, derrotado na última eleição.
Economistas do PT, incluindo o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o ex-diretor do FMI Paulo Nogueira Batista, também demonstraram preocupações em grupos internos.
Fonteles defende um governo que combine ousadia para melhorar a vida das pessoas com responsabilidade fiscal, garantindo avanços sociais sem abrir mão das contas públicas.
O governador faz parte de um grupo jovem do PT do Nordeste, que ganhou espaço após Lula ficar em segundo lugar no primeiro turno das eleições, atrás de Flávio Bolsonaro. O senador Camilo Santana, ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação, também integra essa ala que busca renovação para o último mandato de Lula.
Entre os candidatos surge também o vice-presidente Geraldo Alckmin, tendo Fonteles como favorito do mercado por sua formação em economia, destacando-se em meio a um governo com muitos advogados em cargos econômicos.
O grupo da Bahia, liderado por Rui Costa, ex-governador e atual senador, mantém grande influência junto ao presidente. Bruno Moretti, ex-secretário de Rui Costa e ministro do Planejamento, é um dos principais responsáveis pelas medidas de ajuste fiscal do governo.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad representa o PT de São Paulo, mas sua força política diminuiu após a derrota nas eleições estaduais, o que enfraquece também seu aliado Dario Durigan na equipe econômica.
A velha guarda do PT inclui nomes como Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, os ministros Wellington Dias e Luiz Marinho, além da ex-ministra Gleisi Hoffmann e do presidente do partido, Edinho Silva. Entre eles estão também parlamentares experientes como José Guimarães.
Fonteles conquistou apoio do presidente por suas iniciativas inovadoras, como o uso avançado da inteligência artificial no Piauí, destacando-se em relação a outros estados.
O núcleo próximo a Lula inclui Rui Costa, Camilo Santana, Fonteles, Aloizio Mercadante e Edinho Silva. Entre eles, Mercadante, Rui e Camilo defendem a indicação de Fonteles para ministro da Fazenda.
Alguns desses líderes são apontados como possíveis sucessores de Lula em futuras eleições presidenciais, e o apoio a Fonteles também visa influenciar a política econômica do próximo governo.
Procurados para comentar, Rui Costa evitou falar sobre nomes para o ministério, enquanto Aloizio Mercadante negou as informações. Camilo Santana não respondeu aos contatos, e Guido Mantega optou por não se manifestar.
Aliados do PT acreditam que Lula não deve mudar radicalmente o rumo do governo, mas quer um ministro que tenha boa relação com o mercado financeiro e empresários, favorecendo Fonteles, que tem aceitação entre líderes financeiros.
Além disso, o governador do Piauí está bem preparado para enfrentar críticas sobre a nova reforma tributária, já que participou ativamente das discussões sobre o tema no Congresso.

