JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS
Marcelo Kalim, CEO do C6 Bank, acredita que liberar uma parte dos depósitos obrigatórios que os bancos guardam no Banco Central para reforçar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) seria uma ótima medida, principalmente se essa liberação abranger depósitos a prazo.
Esses depósitos obrigatórios são valores que os bancos precisam guardar no BC para emergências. Durante a pandemia, parte desse dinheiro foi liberada para ajudar a economia.
Kalim afirmou que o FGC precisa de mais recursos para continuar oferecendo segurança e confiança aos investidores, especialmente depois dos recentes problemas com o Banco Master.
O FGC tem discutido com o Banco Central e os bancos formas de recuperar seu capital. O presidente do C6 também sugere que sejam feitas mudanças nas regras do FGC para evitar que situações como a do Banco Master se repitam, já que algumas instituições usaram o fundo como garantia para se capitalizar de forma imprópria.
Com a liquidação do Banco Master, o FGC pode ter que pagar até R$ 40,6 bilhões, e há outros R$ 6,3 bilhões previstos para pagamentos relacionados ao Will Bank. Após esses pagamentos, o fundo teria cerca de R$ 78 bilhões disponíveis para coberturas futuras.
Para recompor o fundo, os bancos associados podem precisar adiantar cinco anos de suas contribuições, pagamento que ocorreria no início de 2026. Há também a possibilidade de uma contribuição adicional.
Segundo Kalim, esse adiantamento não afetaria a saúde financeira do C6, pois seu impacto seria pequeno para o banco.
Kalim também comentou que o pagamento das garantias do Banco Master pelo FGC nas últimas semanas ajudou o C6 a aumentar seu capital, atraindo mais investidores.
Resultados do C6 em 2025
A fintech, que tem como parceiro o americano JPMorgan Chase, anunciou que teve lucro líquido de R$ 2,5 bilhões em 2025, um crescimento de 8,5% em relação a 2024.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) foi de 45%, um número elevado para o setor.
A carteira de crédito do banco cresceu 49% no ano, chegando a R$ 89,3 bilhões, impulsionada principalmente pelo crédito consignado.
O banco espera crescer ainda mais no crédito consignado privado, com melhorias no modelo e futuro uso do FGTS como garantia.
As provisões para devedores duvidosos (PDD) aumentaram 32% em 2025, totalizando R$ 2,5 bilhões.
Kalim declarou estar otimista para 2026, especialmente com a expectativa de queda da taxa Selic, o que deve reduzir o custo do capital e diminuir a inadimplência. Ele também destacou que a economia deve continuar estável e o desemprego está em nível baixo.
As contas em atraso por mais de 90 dias representaram 2,9% do total em 2025, ante 2,6% em 2024.
Dados do C6 Bank em 2025
- Lucro líquido: R$ 2,5 bilhões
- Fundação: 2019
- Clientes: 40 milhões
- Principais concorrentes: Nubank, Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil
