O período que antecede o Carnaval é uma verdadeira corrida para muitos: blocos, ensaios, longas caminhadas ao ar livre e muitas horas em pé. Para apoiar o público a celebrar sem prejudicar a saúde, especialistas do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), ligado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), separaram várias recomendações sobre cuidados com a pele, alimentação, saúde infantil e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Proteja a pele: evite queimaduras e irritações
Tomar sol intenso, suar bastante e usar produtos como maquiagem, tinturas e glitter podem prejudicar a pele e o cabelo durante o Carnaval. Jorgeth Motta, dermatologista, recomenda começar a cuidar da pele alguns dias antes, hidratando com cremes e máscaras e beber bastante água para manter a hidratação do corpo.
No dia da folia, usar protetor solar regularmente é fundamental para evitar queimaduras e manchas. Roupas leves e de algodão ajudam a impedir assaduras nos locais onde a pele está mais sensível, como nas coxas, axilas e virilha. Para minimizar o atrito e irritação, aplicar pomada ou talco líquido nas áreas de maior atrito é uma boa prática.
Alimentação equilibrada na festa
Gleyce Bezerra, nutricionista do HUB-UnB, afirma que não existe alimento proibido durante o Carnaval, mas é importante conservar os hábitos alimentares do dia a dia para evitar problemas. Experimentar comidas novas feitas em locais sem higiene adequada pode trazer riscos à saúde.
Uma alimentação colorida, com frutas, verduras, tubérculos como mandioca e batata, milho, e fontes de proteína de qualidade mantém o corpo nutrido e com energia para aproveitar a festa. A atenção para a hidratação é essencial, pois desidratação é comum na folia. Consumir pelo menos dois litros de água por dia e mais se ingerir bebidas alcoólicas é recomendado. Sucos naturais, água de coco e alimentos ricos em água como abacaxi, melancia e laranja são ótimas opções para manter o corpo hidratado.
Não pular refeições ajuda a evitar fraqueza e a ingestão de alimentos de procedência duvidosa. Levar petiscos saudáveis, como frutas secas, barrinhas de cereal sem açúcar, castanhas e amendoim, é uma excelente ideia para manter a energia.
Cuidados para as crianças aproveitarem o Carnaval
Larissa Matos, pediatra, reforça que as crianças precisam de cuidados especiais para se divertirem com segurança. Roupas leves, feitas de algodão, confortáveis e sem peças apertadas são as melhores escolhas. Os sapatos devem ser confortáveis para evitar machucados e bolhas.
Ao usar maquiagens, sprays ou tinturas, prefira produtos infantis, hipoalergênicos e testados dermatologicamente. Em caso de dúvidas ou reações na pele, procure o pediatra. Testar o produto em uma pequena área da pele da criança pode evitar problemas.
Outras orientações para garantir a segurança das crianças incluem:
- Colocar pulseiras com nome e telefone dos responsáveis para facilitar a identificação;
- Aplicar protetor solar FPS 30+ e evitar o sol forte entre 10h e 16h;
- Manter as crianças afastadas de alto volume de som e trios elétricos, observando sinais de desconforto como irritação ou choro;
- Oferecer água com frequência para mantê-las hidratadas;
- Procurar locais ventilados e respeitar momentos de descanso;
- Ensinar a criança a não aceitar comida ou doces de desconhecidos;
- Evitar levar bebês para festas com aglomeração e barulho intenso para protegê-los;
Como prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)
André Bon, infectologista, explica que as ISTs são causadas por vírus e bactérias transmitidos principalmente por relações sexuais sem proteção, incluindo sexo oral. Exemplos comuns são HIV, hepatites A, B e C, sífilis, clamídia, gonorreia, HPV e herpes.
Os sinais podem incluir feridas, corrimentos, verrugas e dor ao urinar, variando conforme o tipo da infecção. O vírus da hepatite pode causar sintomas semelhantes aos de hepatites agudas, enquanto o HIV geralmente manifesta sintomas leves nas primeiras semanas, seguidos de um período sem sintomas até o avanço da doença.
A melhor forma de prevenção combina o uso de preservativos masculino e feminino, gel lubrificante, vacina contra hepatites e HPV, teste regular para ISTs, tratamento adequado para pessoas com HIV, além do uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e Pós-Exposição (PEP) para o HIV.
É fundamental buscar atendimento médico rapidamente após exposição sexual sem proteção, idealmente até 72 horas, para iniciar a PEP com maior chance de sucesso, independentemente de a exposição ter ocorrido com consentimento ou não.
Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) no HUB
No HUB, a PrEP é oferecida no Ambulatório de Prevenção, parte do serviço de Infectologia, com atendimento às terças-feiras, das 13h às 18h, mediante agendamento. Além da medicação, a unidade distribui camisinhas femininas, camisinhas com texturas variadas e lubrificantes para aumentar a proteção.
Além de prevenir o HIV, a PrEP ajuda a criar um vínculo entre o usuário e o cuidado contínuo, com orientação e acompanhamento médico regular, contribuindo para a saúde integral.
Para concluir, preparar o corpo, planejar com antecedência e buscar informações corretas são ações que garantem uma festa segura e saudável antes, durante e depois do Carnaval.
Sobre a Rede Ebserh
O Hospital Universitário de Brasília integra a Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde 2013. A Ebserh, vinculada ao Ministério da Educação, foi criada em 2011 e administra 45 hospitais universitários federais, que atendem pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e contribuem para a formação de profissionais de saúde e desenvolvimento de pesquisas.
