Por Lucas Alarcão, Maria Júlia Andrade e Maria Isabel Gameiro
A jornalista Raíssa Saraiva, de 34 anos, se surpreendeu ao ser diagnosticada com esclerose múltipla em 2014, descrevendo como um choque inicial.
Ela conta que o suporte da família, amigos e colegas de trabalho foi fundamental para seguir com a vida normalmente. Ela destaca que receber o diagnóstico não significa o fim das atividades normais.
“Podemos ficar tristes por não conseguir fazer algo, ou podemos nos adaptar e fazer o melhor possível.”
A esclerose múltipla afeta mais de 40 mil brasileiros. Os médicos dizem que um diagnóstico rápido é importante para o tratamento. O desafio é que os sintomas são muito parecidos com os de outras doenças.
“Quando descobri, foi um grande impacto. Porém, é possível lidar com isso e seguir a vida.”
Raíssa também ressalta a importância do dia de conscientização da esclerose múltipla, 30 de agosto, que ajuda as pessoas a conhecerem mais sobre a doença.
Informações sobre a esclerose múltipla
Dr. Alexandre Guerreiro, neurologista, explica que a esclerose múltipla é uma doença crônica, inflamatória e autoimune que atinge o sistema nervoso central.
O sistema imunológico, que protege o corpo de ameaças externas, ataca a camada protetora dos nervos, chamada bainha de mielina, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o corpo.
De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, cerca de 40 mil brasileiros têm a doença, e 85% dos casos são em mulheres jovens, entre 18 e 30 anos.
Sintomas da esclerose múltipla
O neurologista Alexandre Guerreiro comenta que os sintomas podem parecer com os de outras condições, como estresse ou problemas na coluna.
Alguns sinais comuns são: fraqueza em um ou mais membros, tremores involuntários, visão dupla ou borrada, dificuldade para manter o equilíbrio e a coordenação, problemas de memória e concentração, fadiga intensa e mudança na fala ou expressão facial.
Esses sintomas aparecem gradualmente, pioram por algumas semanas e depois melhoram sozinhos. Esse ciclo é chamado de surto.
Na maioria dos casos, a doença apresenta picos de sintomas que duram dias e depois diminuem.
Fatores que aumentam o risco
A causa exata da esclerose múltipla ainda não é conhecida, mas acredita-se que uma combinação de fatores genéticos e ambientais pode desencadear a doença.
Entre os fatores ambientais estão infecções virais, pouco contato com luz solar, tabagismo e obesidade.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito por neurologistas, que avaliam os sintomas e realizam exames para eliminar outras doenças parecidas.
Apesar de não ter cura, identificar a esclerose múltipla cedo permite um tratamento eficaz que pode retardar a evolução da doença e proteger as funções motoras e cognitivas.
O tratamento também reduz a frequência e a intensidade dos surtos, ajuda a controlar os sintomas e facilita a recuperação.
Dr. Alexandre Guerreiro destaca que o tratamento precoce é essencial para evitar danos permanentes e que é importante iniciar o cuidado médico o mais rápido possível ao suspeitar da doença.