O Governo do Distrito Federal mudou a data oficial do Dia do Servidor Público, que antes era comemorada em 28 de outubro, para 30 de outubro, conforme o Decreto nº 49.585 publicado no Diário Oficial. Esta alteração permite aos servidores aproveitar um descanso maior, antecipando o feriado nacional de Finados, dia 2 de novembro.
Nas repartições públicas, hospitais e escolas do DF, o trabalho é intenso e realizado frequentemente com poucos recursos. Os servidores enfrentam desgaste físico e emocional, impactando seu bem estar. Uma agente administrativa com 37 anos de serviço relata a pressão diária enfrentada em sua jornada de 240 horas mensais.
Ela destaca a dificuldade em se aposentar sem perdas financeiras significativas, pois ao deixar o cargo perde as gratificações recebidas. “Nos últimos anos, passamos por muitas mudanças negativas. Fomos substituídos por terceirizados e nosso valor reduziu comparado aos que entraram sem concurso”, lamenta. Além disso, evidencia a perda de contato familiar durante a carreira e a desvalorização das duas formações que possui, as quais não propiciam avanços salariais ou de aperfeiçoamento.
Esses desafios refletidos no dia a dia correspondem aos problemas estruturais apontados pelos sindicatos. O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) aponta um déficit de cerca de 12 mil professores efetivos na rede pública da capital. A entidade informa que a categoria está na penúltima colocação salarial entre profissionais de nível superior no DF.
As principais demandas do Sinpro-DF incluem a reestruturação da carreira, respeito à Meta 17 do Plano Distrital de Educação, realização de concursos para suprir as vagas, pagamento retroativo de reajustes desde 2015, e construção de escolas para reduzir o número de alunos por sala. Também são reivindicadas a climatização das salas e a garantia de uma educação inclusiva e de qualidade.
A falta de profissionais e o baixo investimento em infraestrutura prejudicam a comunidade escolar e a sociedade. Segundo o sindicato, a alta rotatividade dificulta a criação de vínculos entre docentes e estudantes, comprometendo o desenvolvimento dos projetos pedagógicos das escolas.
O sindicato reforça a necessidade de campanhas públicas para valorizar os servidores. “O mais importante hoje para o servidor público é uma valorização completa em todos os aspectos”, afirma seu representante.
Em resposta, a Secretaria de Estado de Economia do Distrito Federal (SEEC-DF) divulgou informações sobre o quadro de servidores. Segundo dados do Painel Estatístico de Pessoal, o DF possui 192.186 servidores registrados, sendo 112.194 ativos, 62.947 aposentados, 13.567 pensionistas e 3.478 em outras categorias. A Secretaria de Educação possui o maior contingente, com 71.786 servidores, seguida pela Secretaria de Saúde, com 54.246.
Sobre a carência de profissionais, a Secretaria esclarece que não existe um levantamento centralizado para medir o déficit por órgão, tarefa que cabe a cada gestão. Atualmente, há seis concursos autorizados para diversas carreiras, incluindo auditor tributário, servidores de assistência social, magistério, metroviários, agentes de custódia e especialistas na saúde.
A SEEC-DF ainda destaca os recentes reajustes e benefícios concedidos aos servidores. A Lei nº 7.253/23 aplicou um reajuste linear de 18% para as carreiras, dividido em três parcelas até julho de 2025, e aumento de 25% para cargos comissionados. Também houve reajustes específicos para auditores, procuradores, técnicos em enfermagem, e melhorias na gratificação de desempenho social.
Entre as conquistas recentes para os servidores do GDF estão um plano de saúde exclusivo, berçário para mães servidoras, academia para incentivo à prática esportiva e um espaço dedicado à qualidade de vida no Palácio do Buriti.
Há, porém, um contrastante debate entre o governo e os sindicatos. Enquanto o Executivo destaca limitações orçamentárias e avanço em benefícios, as entidades mantêm a pressão por reposição da inflação, nomeações e melhores condições de trabalho.
Para quem atende o público diariamente, o reconhecimento vai além do salário. A agente entrevistada enfatiza que a falta de sensibilidade dos governantes piora a saúde dos servidores, que muitas vezes precisam trabalhar mesmo doentes. Já o Sinpro-DF ressalta que valorizar o funcionalismo significa reconhecer quem forma crianças e jovens para a cidadania e mercado de trabalho.
A decisão da governadora Celina Leão de transferir o ponto facultativo para 30 de outubro busca oferecer três dias seguidos de descanso aos servidores. Contudo, no DF, essa celebração destaca a importância de converter homenagens em ações reais de valorização, como reajuste salarial, concursos públicos e melhorias nas estruturas de atendimento à população.


