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Dia das Crianças: geração conectada ainda gosta de brincar de bonecos

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Especialistas apontam como construir uma relação saudável das crianças com a internet e com as interações fora do mundo digital

Dia das Crianças: maioria dessa geração adora uma tela e jogos digitais (Max Mumby/Indigo / Colaborador/Getty Images)

Nativos digitais, as crianças que comemoram o dia dedicado a elas na data de hoje – 12 de outubro – não conhecem o mundo sem os tablets, internet e toda a gama de conexão e tecnologia que existe atualmente. Chamada de geração alfa, as crianças nascidas a partir de 2010 ainda sonham em ser médico ou dentista quando crescerem, mas, como o Rubens Benith Belo, de 6 anos, também querem fazer robô.

“Quero ser dentista como minha irmã, quero ser médico e ser mecânico para consertar carros. Mas, também quero fazer robô”, disse o garoto, que é irmão gêmeo da Lorena, que quer ser dentista. “Porque gosto de mexer no dente!”, disse a menina.

Enquanto não crescem, os irmãos gostam de brincar de boneco, boneca, lego, jogos de tabuleiro, mas, como a maioria das crianças dessa geração, adoram uma tela e gostam dos jogos digitais. “Gosto de encontrar o meu irmão no jogo do Roblox [jogo online]. Gosto de assistir desenho, mas também de brincar de mico [jogo de baralho]. Acho o mundo maravilhoso, mas tenho medo de gente malvada. Não gosto da pandemia, nem das queimadas, não acho legal”, opinou Lorena, que contou ainda que pediu uma boneca de presente de Dia das Crianças, já que “dá para inventar mundos, como se estivesse montando um filminho.”

O irmão contou que também pediu um boneco “porque ele tem máscara”. E continuou: “Gosto de brincar de Lego, aí eu monto coisas, eu sou criativo. Também gosto de jogar Roblox e de ver filmes na TV. Acho o mundo legal, mas é meio malvado, porque tem ladrão e ladrão que mata policial”, disse Rubens.

A mãe dos gêmeos, a professora Angélica dos Santos Benith Belo, disse que eles acham engraçado quando conta que na infância dela não existia celular. “A tecnologia para eles é uma realidade, mas não entendem quando a gente fala, por exemplo, que na nossa época não tinha celular, que não tinha isso ou aquilo, eles acham engraçado porque eles já nasceram na era digital”.

Apesar de eles gostarem de jogos digitais, ela disse que coloca limite no tempo de tela. “Com relação à tecnologia, se a gente não colocar um limite, eles querem o tempo todo ficar com o tablet, mas a gente está sempre de olho e explica que tem que ser com moderação”.

também mãe de uma bebê de um ano, Angélica espera que no futuro suas crianças sejam pessoas de bem. “Imagino um futuro no qual eles possam fazer o que quiserem, no sentido de ter a profissão que quiserem, e eu imagino que serão pessoas de bem, engajadas, porque a gente tenta, de toda a maneira, criar com apego e com carinho para que eles não sintam necessidade de buscar fora de casa alguma coisa para eles. A gente tenta criá-los com empatia, ensinando a se colocar no lugar do outro.”

Futuro da geração alfa

Assim como a Angélica, a relações públicas Lays Ribeiro, mãe do Vincenzo, espera um futuro mais empático para o seu filho viver. “Um futuro em que a escolha do gênero não interfira em que somos, em 2020 ainda vivemos com estereótipos. E que a educação dada agora o ajude a ser emocionalmente saudável e que busque para si sempre o melhor. E que o sucesso tão procurado por todos, seja em se sentir bem, estar com alguém que goste e amar o que ele faça.”

O pequeno Vincenzo, de 4 anos, também falou que gosta de jogos digitais, mas ainda de outras brincadeiras. “Gosto de montar o parque do Jurassic World, com muitos dinossauros”. Quando perguntado sobre o que acha do mundo em que vive, ele ainda não tem noção das malícias, e responde: “Gosto muito de tomar sol lá fora”. Sorte do Vincenzo, que quer ser paleontólogo e pescador.

A mãe dele conta que ele vê o mundo como uma grande brincadeira. “No dia a dia lidamos as tarefas como missões, para que possa ter noção de responsabilidades. Não ligamos noticiários, então ele não sabe o que está acontecendo lá fora exatamente. Sabe os porquês da restrição de não sair de casa, e de nós cuidarmos para não passar o vírus aos avós”.

Lays conta ainda que as telas são usadas com cautela, mesmo em tempos de isolamento. “Tem dias que passam um pouco do combinado, mas vemos claramente que a restrição de telas ajuda a ter criatividade, proatividade e desperta o livre brincar. Como consequência, tenho uma criança mais ativa e que interage com todos ao redor, é muito curiosa, menos ansiosa e irritada”, detalhou.

“A geração denominada alfa já nasceu com a tecnologia inserida em seu contexto diário, mas, se bem estimuladas, também adoram o brincar desconstruído”, afirma a pedagoga Elisabete da Cruz, que tem especialização em educação transdisciplinar e é autora de literatura infantil e infantojuvenil. “O que observo é este brincar precisa ser mais instigante. Elas não gostam do jogo pronto, mas da possibilidade de criar suas próprias regras. São mais autônomos e frequentemente desafiadores.  Precisam de outros estímulos que estimulem seu lado criativo e imediatista.”

É o que também pensa a neuropsicopedagoga Viviani Zumpano. “A criança precisa se pautar pelo toque, pela leitura do corpo, das expressões e das atitudes do outro. A lição mais importante que os pais podem ensinar aos filhos pertencentes a geração alfa é a de saber equilibrar as relações tecnológicas e presenciais, entender que não podemos banir a tecnologia de nossas vidas , mas fazer dela ferramenta que nos ajuda a ler o mundo”, aconselha.

Tecnologia, infância e pandemia

Como a tecnologia faz parte dessa geração, cabe aos pais o papel de não cercear, e sim, auxiliar os seus filhos a utilizar a tecnologia com equilíbrio, defende Viviani.  “Os pais podem ensiná-los a estabelecer uma relação de “usuário e consumidor consciente” dos meios tecnológicos desde cedo, pois eles impactam diretamente nas relações sociais e acadêmicas que os filhos estabelecerão por toda a vida.”

A neuropsicopedagoga explica que, devido a intensa influência tecnológica, as crianças alfa são muito inteligentes, curiosas, multitarefas e tem intensa necessidade de interagir, inventar e se conectar. “Boa parte das brincadeiras são realizadas por meio da tecnologia, ou seja, os amigos podem ser virtuais ou não, mas o meio de relação entre eles é o mesmo: a tecnologia,”

A pandemia intensificou o uso das tecnologias e a sala de aula virou a tela do computador, tablet e celular. Esse “novo normal” para as crianças pode mudar a relação delas com o mundo. “O período de quarentena vivenciado por todos nós aumentou consideravelmente o “tempo de tela” de adultos e crianças, gerando alguns problemas que são notados de perto por todos: a exposição intensa gera dificuldades de concentração, atenção, memória e irritabilidade, problemas ocasionados pelo isolamento social e também pela instabilidade do sono”, disse.

“A tecnologia, nesse caso, nos possibilitou algumas situações que eram feitas presencialmente. A viabilização dessas situações por meio da tecnologia foi o que nos permitiu continuar, mesmo que em adaptação, algumas atividades essenciais do nosso cotidiano”, destacou a pedagoga especialista em Gestão e Docência no Ensino de EaD [educação a distância], Regina Madureira.

Para Regina, esse período de pandemia vai se refletir no futuro das crianças. “Temos que considerar as mudanças na rotina, a incerteza – não só da criança, mas dos adultos que convivem com ela – enfim, teremos impactos no futuro, que podem ser positivos ou de melhoria para os seres humanos.”

Na opinião da Elisabete da Cruz, o uso das tecnologias pelas crianças não é responsável por despertar inseguranças. “Nesse isolamento, as dificuldades, a ausência do convívio dos amigos e familiares pode gerar inseguranças, medos e até aflorar outras emoções no futuro, o uso da tecnologia não, ela faz parte do contexto desta geração alfa e para eles é apenas uma ferramenta”, afirmou.

“O que não podemos perder de vista é que somos seres humanos geneticamente sociais e apesar dos relacionamentos interpessoais se darem também por meio da tecnologia, necessitamos do afeto físico. Nossas crianças precisam ser educadas também para se relacionar de forma física. O afeto ultrapassa as telas de computadores e dispositivos móveis”, ressaltou a neuropsicopedagoga Viviani Zumpano.

Conteúdos infantis e tempo de tela

Nem herói, nem vilã, as telas devem ser vistas como uma realidade, apontaram as especialistas. Mas o que muito se discute entre os pais é se limitar o tempo de tela é necessário. A pedagoga Elisabete destaca a importância da família para estabelecer regras.

“A criança não tem discernimento do que é bom para ela, a família é seu norteador, os limites são necessários para seu crescimento como ser humano. Não existe uma quantidade de horas pré determinadas, porque cada família possui sua própria rotina. Acredito no equilíbrio. Brincar, comer, se exercitar, usar o tablet ou celular, assistir a um filme, ler um livro. A vida tem nos mostrado que o equilíbrio é o caminho. Opte pelo equilíbrio e não deixe de acompanhar as atividades que a criança tem tido acesso”, aconselha.

A pedagoga Regina Madureira completa que é preciso orientar e otimizar. “O tempo precisa ser de qualidade, principalmente com os recursos tecnológicos. Não podemos só focar na tecnologia e deixar as outras atividades como brincadeiras que estimulem coordenação motora e lateralidade, por exemplo. O desenvolvimento infantil precisa ser holístico e diversos fatores precisam ser considerados para termos um processo sólido e de efetividade para facilitar esse processo das crianças.”

Para as especialistas, é necessário pensar também no conteúdo a ser acessado pelas crianças. “Estar atento, acompanhar, buscar informações sobre a programação, limitar acessos e principalmente fazer parte disto. Ser presente, se familiarizar com o que está sendo o centro de interesses da criança, participar quando possível desta experiência e oferecer também possibilidades de conteúdo”, disse Elisabete, que ainda orienta aos pais a utilizarem ferramentas de moderação.

“Hoje existem centenas de plataformas, sites, blogs, empresas de projetos educativos e outras infinidades de recursos facilmente encontrados na internet para dar este suporte, até a contratação de um profissional especializado para estas orientações.”

Construir uma relação saudável das crianças com a internet é possível, concorda  Regina. “Estar junto à criança nas atividades, entender o propósito delas, se conectar com as crianças. Todos os momentos são únicos porque são momentos de orientação para o uso efetivo e consciente da tecnologia, tendo em mente o propósito dela que é ser uma ferramenta para facilitar e servir o ser humano.”

Outro conselho da pedagoga Elisabete é usar a tecnologia a seu favor promovendo atividades fora da tela, mas usando suas referências. “Frequente mais a cozinha, faça receitas encontradas nos aplicativos e coloque a criança para cozinhar com você, faça atividades manuais, brincadeiras, jogos. A felicidade está nas coisas simples, então, descomplique. Exercite o equilíbrio porque não existe receita pronta. Cada criança é um ser único, e independente de sua geração, precisa de afeto e proteção.”

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Tecnologia

E-commerce já tem 600 empresas no Brasil, mostra mapeamento inédito

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Crescimento das vendas pela internet impulsiona a criação de novos negócios que oferecem diferentes serviços para o varejo online

Centro de distribuição do Magazine Luiza: a pandemia levou a um crescimento recorde das vendas pela internet no Brasil (Germano Lüders/Exame)

O mercado de comércio eletrônico brasileiro já é atendido por quase 600 startups e empresas, que oferecem os mais diversos serviços em diferentes áreas de atuação. O dado faz parte do estudo Scape Report E-commerce 2020/2021, produzido pela Pipeline Capital, consultoria especializada em operações de fusão e aquisição e captação de investimentos no setor de tecnologia.

O estudo traz um mapeamento inédito das principais empresas que atuam no comércio eletrônico no Brasil, em diferentes áreas. São ao todo 598 empresas identificadas em nove categorias.

A maior delas é a categoria de marketing e vendas, com 168 empresas (28% do total) – incluindo desde agências de marketing digital e plataformas de gestão de clientes (CRM) a serviços online de comparação de preços e empresas que oferecem programas de fidelidade.

Também foram mapeadas no estudo empresas das áreas de implementação e plataformas de e-commerce, meios de pagamento, marketplaces, gestão das operações, logística, atendimento a clientes, segurança e suporte.

O crescimento das vendas pela internet no país tem impulsionado o surgimento de um número crescente de empresas para oferecer diferentes serviços para varejistas que apostam cada vez mais no canal digital.

No primeiro trimestre de 2020, as vendas pela internet tiveram crescimento recorde e movimentaram 38,8 bilhões de reais, um volume 47% maior do que no mesmo período de 2019. Os dados são da consultoria Ebit Nielsen. O número de pedidos cresceu 39%, somando 90,8 milhões de transações.

O crescimento foi puxado, naturalmente, pelo fechamento do comércio de rua na fase mais aguda da quarentena durante a pandemia do novo coronavírus. Como alternativa, as pessoas passaram a fazer mais compras pela internet. Mas a digitalização das vendas tende a continuar.

“O e-commerce brasileiro passa hoje pela sua maior diversificação desde as primeiras operações em meados dos anos 1990, como o estudo Scape Report de E-commerce deixa claro”, diz Pyr Marcondes, sócio da consultoria.

Segundo ele, existe hoje uma pulverização dos serviços relacionados ao e-commerce e também uma alta demanda por inovação constante nos modelos de negócios das empresas que atuam no setor.

“Para 2021, todas essas tendências devem se aprofundar. Veremos nascer novos subsetores, novas plataformas internacionais vão desembarcar no Brasil e algumas novas serão criadas aqui mesmo. Deverá ser um dos setores mais promissores e pujantes da economia do país”, afirma Marcondes.

O estudo está disponível para download no site da consultoria.

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Como Steve Jobs “previu” o fim do Adobe Flash Player

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Co-fundador da Apple rejeitou o padrão desde 2010, por considerá-lo obsoleto

Jobs: Flash servia bem para computadores, mas não para dispositivos touch (Bloomberg / Colaborador/Getty Images)

Apesar do encerramento do suporte — e das atividades — do padrão terem fim recente, Steve Jobs já o rejeitava desde 2010 por considerá-lo obsoleto. Em uma carta aberta publicada no site da Apple em abril do mesmo ano, chamada “Thoughts on Flash”(Pensamentos sobre o Flash), o executivo da Apple afirmava que o Flash havia sido desenvolvido para computadores que usavam mouse e que, por isso, não via razão para adotá-lo em iPhones ou iPads.

Na época, a Adobe não ficou nada feliz com a declaração de Jobs — e as ações da companhia caíram 3% após a declaração de Jobs.

Contudo, anos depois, Bob Burrough, co-cirador do iPhone, afirmou que Steve Jobs não negou o uso do Flash de antemão, mas chegou a testar o Flash para seus equipamentos em 2008. Outro fator que contribuiu para a decisão estava no fato de que a empresa  não dava o suporte necessário à Apple quando era necessário consertar problemas simples de engenharia de software. De acordo com as declarações de Burrough, Jobs lamentou a falta de uma relação próxima entre as duas companhias.

O tempo provou que Jobs tomou uma decisão inteligente. O encerramento do Flash faz sentido para a companhia e dá a vez a padrões mais novos, além de seguir a uma decisão tomada em 2017, quando Apple, Adobe, Google, Microsoft, Mozilla e Facebook concordaram em remnover o conteúdo e tecnologia Flash de seus produtos. Além disso, os principais navegadores devem remover o plug-in de suas plataformas até o fim deste mês.

 

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YouTube suspende conta de Trump citando potencial de violência

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O Youtube, que pertence ao Google, disse ainda que decidiu desabilitar os comentários do canal de Trump por tempo indeterminado

Trump fala a jornalistas antes de viajar ao Texas 12/01/2021 REUTERS/Kevin Lamarque (Kevin Lamarque/Reuters)

O YouTube removeu um vídeo publicado pela conta do presidente Donald Trump e impediu que o canal divulgue novos conteúdos por um período de sete dias. A empresa comunicou a decisão há pouco, por meio da sua conta no Twitter destinada a avisos de imprensa.

“Após revisão e à luz das preocupações sobre um potencial contínuo de violência, removemos o novo conteúdo publicado pelo canal de Donald J. Trump por violação das nossas políticas”, escreveu o YouTube. “Agora ele tem seu primeiro aviso e estará temporariamente impedido de enviar novo conteúdo por um mínimo de 7 dias.”

A empresa, que pertence ao Google, disse ainda que, devido a preocupações com violência, decidiu desabilitar a seção de comentários do canal de Trump por tempo indeterminado.

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O que é a rede social Parler, usada por adoradores de Trump

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Banida das lojas de aplicativos após invasão no Capitólio, rede social era opção predileta da direita radical

Parler: a rede social recebeu quase 1 milhão de instalações após eleição de Joe Biden (Jaap Arriens/NurPhoto/Getty Images)

Após a invasão feita por apoiadores de Trump no Capitólio em Washington, nos Estados Unidos, na última quarta-feira (6), e o banimento do presidente Donald Trump das redes sociais, as atenções se voltaram para o aplicativo Parler, uma rede social parecida com o Twitter.  Favorita dos trumpistas, a rede social foi essencial para organizar o ataque que tentou impedir a confirmação da vitória do democrata Joe Biden e virou refúgio para os apoiadores de Trump diante da postura mais ativa das redes sociais de bloquear mensagens que incentivam a violência ou promovem a desinformação.

Junto com o banimento de Donald Trump em diversas redes sociais, não demorou para que as gigantes Google, Apple e Amazon se manifestassem contra o aplicativo que poderia potencialmente influenciar mais um tumulto — desta vez, na posse de Joe Biden, que acontecerá no dia 20 de janeiro.

Hoje (11), o aplicativo foi banido das lojas de aplicativos da Apple e do Google. A Amazon anunciou que não forneceria seus serviços de computação em nuvem para a rede. O CEO do Parler, John Matze, afirmou em sua última postagem na rede que o aplicativo “provavelmente ficará inativo por mais tempo do que o esperado” por conta de fornecedores “abandonando” o Parler.

Mas, afinal, o que é a rede social que, para muitos, apareceu tão rápido quanto desapareceu?

O que é o Parler

Parler é uma rede social semelhante ao Twitter, descrita como uma “plataforma de comentários e notícias sociais”. Ela ganhou atenção de apoiadores de Donald Trump, extremistas, conservadores e fãs de teorias da conspiração por se anunciar como um aplicativo que “apoia a liberdade de expressão”. Na realidade, a falta de moderação torna o aplicativo um espaço perfeito para a divulgação de fake news e desinformação.

Em novembro, postagens feitas por Trump no Twitter afirmando que a eleição havia sido fraudada pelo Partido Democrata foram sinalizadas como potencialmente falsas pelos moderadores da rede social. Uma análise do New York Times apontou que 15 das 44 publicações do presidente receberam algum tipo de marcação.

Em postagem, o Twitter afirmou ter marcado cerca de 300.000 tuítes de diversos usuários sobre as eleições como potencialmente enganosos.

Restrições como estas, que também aconteceram no Facebook, tornaram o Parler o refúgio de adoradores do presidente americano. De acordo com informações do The Verge, o aplicativo recebeu quase 1 milhão de downloads entre os dias 3 e 8 de novembro, durante a semana da eleição nos Estados Unidos.

Como é o conteúdo do Parler

Em poucos meses, a rede social se tornou um espaço repleto de mensagens que destilam misoginia, xenofobia, racismo, anti-semitismo e, principalmente, ódio aos democratas americanos.

“Acabe com isso, Senhor Presidente. Julgue, enforque ou atire neles publicamente. Os traidores, ladrões e pervertidos que deixaram nosso abençoado país como refém”, publicou o usuário IMPatriotRU.

“Para todos os democratas: isso não é um videogame. Existem muitos veteranos que vão gostar de dar um tiro em seus cérebros. Muitos de nós mal podem esperar por isso. Pensei que gostariam de saber”, escreveu o usuário Josephcarson607.

Na semana após a invasão ao Capitólio, muitos usuários começaram a falar sobre um apagão nacional que seria divulgado pelo presidente Donald Trump através do sistema de transmissão de Emergência nos Estados Unidos. Não há nenhum indício que a informação seja verdadeira.

A postagem do usuário linwood sobre o apagão foi vista por mais de 700 mil usuários antes do aplicativo ser banido. Nele, ele escreve: “Nós temos um homem de coragem e fé no comando. Ele estará no comando por mais 4 anos de acordo com o Estado de direito”.

O Parler é usado no Brasil?

O presidente Jair Bolsonaro também é usuário da rede social desde julho de 2020 junto com seu filho, o senador Flávio Bolsonaro.

 

De acordo com a Bloomberg, no mês que ambos anunciaram sua presença na rede social, metade das instalações do aplicativo foram de brasileiros. O nome de usuário do presidente pode ser encontrado facilmente em sua descrição no Twitter.

Bolsonaro anunciando Parler no Twitter

Agora, com o banimento do aplicativo na App Store e na Google Play Store, fica inconclusivo para onde os apoiadores de Trump e Bolsonaro irão migrar. Algumas redes sociais menos conhecidas, como o Minds, MeWe, Gab e até o aplicativo de mensagens Telegram vêm sendo promovidos por usuários como possíveis opções.

 

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Site revela quais foram os 10 jogos de celular mais baixados em 2020

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Sucesso absoluto no ano passado, Among Us ficou na primeira colocação com mais de 260 milhões de downloads

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Bitcoin passa Facebook em valor de mercado e Winklevoss não perdoa: ‘Faz sentido’

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Se fosse uma empresa, bitcoin seria hoje a 7ª maior do mundo; ao passar valor de mercado do FB, Cameron Winklevoss faz provocação no Twitter

(Dado Ruvic/Reuters)

A recente alta do bitcoin, cujo preço varia de acordo com a lei da oferta e procura, aumentou também o valor de capitalização de mercado do criptoativo, que é a multiplicação do preço pelo total de unidades do ativo em circulação. As duas coisas andam praticamente lado a lado. Se uma sobe, a outra tende a acompanhar. Assim, além de mais caro, o bitcoin está também com uma capitalização de mercado maior — atualmente, acima de 772 bilhões de dólares, segundo o site “Coin Market Cap“.

Se fosse uma empresa, o Bitcoin seria a sétima mais valiosa do mundo, atrás apenas de Apple, Saudi Aramco, Microsoft, Amazon, Alphabet (Google) e Tesla — com exceção desta última, cujo “market cap” é de 832,72 bilhões de dólares, as outras seis empresas têm capitalização de mercado superior a 1 trilhão de dólares (Apple e Saudi Aramco passam de 2 trilhões).

Com a alta dos últimos dias, a capitalização de mercado do bitcoin superou a de gigantes como Facebook (759,04 bilhões de dólares), Tencent (746,67 bilhões) e Alibaba (647,03 bilhões). Maior empresa de pagamentos do mundo, a Visa tem “market cap” de 472,79 bilhões de dólares, e já tinha sido superada pelo bitcoin desde o final de dezembro de 2020. Os dados são do site “Companies Market Cap“.

O bitcoin “ultrapassou” o Facebook nesta sexta-feira (8). Cameron Winklevoss, que, antes de criar a exchange de criptoativos Gemini e se tornar um dos primeiros “bilionários do bitcoin”, travou batalha jurídica com Mark Zuckerberg por ter, supostamente, sido o verdadeiro criador do Facebook junto com seu irmão Tyler, não deixou a oportunidade passar batido: “O ‘market cap’ do bitcoin ultrapassou o do Facebook. Faz sentido que uma rede financeira valha mais do que uma rede social”, disse, no Twitter.

Atualmente, o bitcoin responde por 70,8% da capitalização de mercado de todos os criptoativos, também segundo o “Coin Market Cap”, que rastreia mais de 8 mil criptoativos. O mercado de criptoativos, aliás, ultrapassou a marca de 1 trilhão de dólares em capitalização de mercado pela primeira vez na história nesta semana.

O número, apesar de relevante e de indicar um aumento na adoção e interesse pelo criptoativos, ainda deixa o mercado bastante distante da soma de capitalização de mercado das empresas de capital aberto. Segundo o site “Companies Market Cap”, que rastreia 4.381 empresas, o “market cap” total delas ultrapassa 83 trilhões de dólares — mais de 80 vezes o mercado cripto. Este, por sua vez, também é muito mais recente.

A comparação entre a capitalização de mercado do bitcoin e de grandes empresas, não tem nenhum efeito prático, mas é utilizada como referência para medir a adoção e o desenvolvimento do mercado de criptoativos.

 

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sábado, 16 de janeiro de 2021

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