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Brasil

Dia da pessoa com deficiência: profissionais pedem mais inclusão

Foto: Arquivo Pessoal

Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub
Por Natalia Francescutti

No início das aulas, a professora Carolina Belfort, que usa cadeira de rodas, percebe que seus alunos não a associam à educação física, demonstrando o quanto pessoas com deficiência ainda enfrentam preconceito.

Carolina tem paralisia nas pernas desde pequena, após sofrer um acidente doméstico com um tiro disparado pelo irmão. Apesar dos desafios, ela se formou em Educação Física na Universidade Católica de Brasília, se tornando a primeira cadeirante da turma, e hoje trabalha na Secretaria de Educação do Distrito Federal, ajudando alunos com deficiência.

Ela lembra das dificuldades nas provas práticas do vestibular que restringiam candidatos com deficiência, mas a mudança dessa regra em 2008 permitiu que ela ingressasse na universidade.

Como professora, Carolina usou recursos digitais para facilitar o aprendizado e destaca que as escolas adaptaram o ambiente para ser acessível a ela.

Faculdade

Durante a graduação, Carolina encontrou barreiras para adaptar as aulas práticas, o que exigia que ela explicasse os movimentos em vez de realizar fisicamente. Essas adaptações ajudaram na sua formação e na hora de ensinar os alunos.

Memórias

Um ex-aluno que se tornou professor disse a Carolina que sua presença mostrou que tudo é possível, um motivo de orgulho para ela.

Ao ser aprovada em concurso público, enfrentou dúvidas sobre sua capacidade, mas foi considerada apta para o cargo.

Inclusão no trabalho

Carolina acredita que a inclusão depende de conhecimento e que pessoas com deficiência enfrentam barreiras físicas e sociais, buscando sempre independência.

Ela ressalta a importância do incentivo ao esporte paraolímpico, que sofre com falta de visibilidade e apoio financeiro no Brasil.

Para Carolina, o esporte é um direito e incentiva quem tem deficiência a não desistir.

Saúde mental

A psicóloga Wendy Amorim destaca que a saúde mental de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho melhora com acolhimento, respeito e acessibilidade, que são direitos fundamentais, e que a falta desses elementos prejudica o trabalhador e a produtividade.

Fotografia

João Maia descobriu sua paixão pela fotografia ainda criança e continuou a praticar mesmo após perder a visão, mostrando criatividade e determinação para aprender o ofício sem recursos acessíveis na época.

Ele se mudou para São Paulo e investiu em equipamentos para seguir sua paixão, além de ser atleta de arremesso de peso e lançamento de disco.

Redescobrindo a visão

Após uma doença, João perdeu quase toda a visão, mas continuou fotografando com o apoio de tecnologia, assistente e a experiência como atleta para captar os melhores momentos em competições.

Ele usa recursos de inteligência artificial para ajudar na descrição do ambiente quando fotografa sozinho.

Superando preconceitos

João Maia enfrenta dúvidas sobre sua capacidade como fotógrafo por ser deficiente visual, mas enfatiza que a informação é a melhor arma contra o preconceito, e valoriza que seu trabalho artístico seja reconhecido pelo seu talento.

Reações positivas

O maior retorno para João vem ao ver a autonomia que proporciona aos alunos das suas oficinas de fotografia cega, também inspirando fotógrafos que haviam parado de trabalhar após deficiência.

A exposição fotográfica que ele realizou trouxe emoção ao público, mostrando o poder da fotografia para além da visão.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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