Nos últimos dez anos, o Distrito Federal enfrentou 14 desastres relacionados ao clima, como incêndios, secas, erosões, enchentes e chuvas fortes. Em 2024, foram registrados quatro desses eventos, incluindo três incêndios e uma chuva intensa que deixou 80 pessoas sem moradia.
Esses dados fazem parte do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas 2026, uma parceria entre o Centro Brasil no Clima e o Instituto Clima e Sociedade. O relatório destaca a importância de fortalecer a prevenção e a resposta a esses desastres.
Brasília precisa estar preparada para eventos climáticos variados, desde secas até chuvas em excesso. Recentemente, especialistas se reuniram para discutir o fenômeno El Niño, mudanças climáticas e como as cidades podem se adaptar a eventos extremos.
Um ponto importante da discussão é a capacitação local para enfrentar esses problemas. Segundo o professor Guilherme Bastos, a maior parte dos municípios brasileiros não possui planos adequados para lidar com riscos climáticos, o que dificulta a adaptação.
Ele ressaltou que a adaptação ocorre principalmente no nível municipal, onde é necessário planejamento e rápida resposta. A União fica responsável por monitorar e financiar ações, os estados dão suporte, e os governos locais executam as medidas necessárias, como evacuações e alertas para a população.
No Distrito Federal, a maior quantidade de notificações ocorreu em 2021, com sete eventos, principalmente erosões e enchentes. Em 2024, os incêndios representaram a maioria dos desastres registrados.
Para enfrentar o El Niño, o Governo do Distrito Federal está finalizando um plano de preparação para minimizar seus impactos, como atraso nas chuvas, calor intenso e agravamento da seca.
Mesmo antes do plano ser concluído, ações de vigilância e comunicação de riscos já estão em andamento para alertar sobre calor, baixa umidade e fumaça de queimadas.
O professor Eduardo Assad destacou que ondas de calor são uma preocupação importante para a região Centro-Oeste e que o El Niño pode aumentar a frequência desses episódios. Apesar da imprevisibilidade da intensidade do fenômeno, a preparação é essencial.
Mais do que reagir a emergências, é necessário que governos avaliem sua capacidade institucional para implementar políticas eficazes de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, como mostra o Anuário Estadual de Mudanças Climáticas.
O Distrito Federal tem um planejamento específico para reduzir emissões, mas ainda é preciso adaptar serviços públicos e infraestrutura para lidar com os riscos climáticos existentes.
Bastos enfatizou a importância de focar na prevenção e nas ações que podem ser tomadas para evitar perdas, principalmente no nível municipal e estadual.
Além disso, no Museu de Arte de São Paulo, ocorreu um encontro discutindo os riscos climáticos e a importância do setor segurador para aumentar a resiliência do Brasil, destacando o custo de não estar preparado.
Especialistas alertaram que a incerteza sobre quando o próximo desastre ocorrerá não deve ser motivo para adiar as ações preventivas. Conforme afirmou a presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima da Organização Meteorológica Mundial, Thelma Krug, "não sabemos exatamente o que vai acontecer, mas sabemos que vai acontecer. Não precisamos esperar para agir."
