O Distrito Federal gasta mais de R$ 5,8 milhões todos os meses para recolher lixo e entulho jogados de forma irregular nas ruas e espaços públicos, uma quantidade quase igual ao lixo recolhido normalmente pelo serviço de limpeza urbana. Segundo o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), são retiradas diariamente cerca de 2,1 mil toneladas de resíduos jogados irregularmente, perto das 2,2 mil toneladas que vão para o aterro sanitário.
Esse lixo extra exige mais equipes, máquinas e caminhões trabalhando, o que acaba tirando recursos de outras atividades de manutenção na cidade. A diretora técnica do SLU, Andreia Almeida, destaca que o problema pode ser evitado e que muitas pessoas não sabem a dimensão desse desperdício.
Além do custo financeiro, o descarte errado causa alagamentos, erosão do solo e aumenta a presença de ratos, baratas e mosquitos que transmitem doenças, danificando bocas de lobo, redes de drenagem e rios.
Jogando lixo onde não deve é uma infração grave e pode até ser crime ambiental, fiscalizado pela DF Legal. As multas podem variar de R$ 122,28 a R$ 305.803,16 e veículos podem ser apreendidos. Em 2025, foram feitas 10.806 vistorias em locais com lixo de construção, com 1.516 notificações e 275 multas aplicadas; para lixo doméstico, 4.985 vistorias resultaram em 1.170 notificações e 20 multas.
O Governo do Distrito Federal está expandindo a rede de papa-entulhos, que passará de 26 para 43 pontos até o final do ano, para alcançar mais regiões da cidade. Esses locais recebem até um metro cúbico de entulho, restos de poda ou objetos que não servem mais.
Em Ceilândia, o administrador regional Dilson Resende destaca os danos causados à limpeza e ao sistema de drenagem, aumentando o risco de doenças como a dengue. Moradores como o autônomo Antônio Marcos da Silva e o pedreiro Francisco das Chagas dos Santos contam que o descarte irregular acontece frequentemente, mesmo após limpezas, o que gera sujeira e proliferação de insetos perto de suas casas.
O programa De Cara Nova, do SLU, está recuperando áreas prejudicadas, como no Riacho Fundo II, onde foram retiradas 25 toneladas de resíduos, seguido pelo plantio de árvores, criação de uma horta comunitária e de um Ponto de Encontro Comunitário para evitar que o problema volte a acontecer.
Para se livrar do lixo de forma correta, o SLU recomenda usar os papa-entulhos para restos de obra pequenos; volumes maiores devem ser descartados por empresas especializadas. O lixo doméstico deve ser separado entre materiais recicláveis (em sacos verdes ou azuis) e orgânicos ou rejeitos (em sacos pretos ou cinzas). Os horários de coleta estão no site slu.df.gov.br ou no aplicativo SLU Coleta DF. Andreia Almeida lembra que cuidar do lixo é uma responsabilidade de todos, e que separar e descartar corretamente é uma obrigação legal.
