A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) conseguiu diminuir bastante as perdas de vacinas na rede pública, atingindo uma taxa de descarte de apenas 0,94% em 2025. Nesse ano, foram aplicadas 2,9 milhões de doses, enquanto 27,3 mil foram descartadas por terem vencido, um resultado melhor do que em 2024, quando 2,8 milhões de doses foram aplicadas e 36,5 mil (1,27%) foram perdidas.
Tereza Luiza Pereira, gerente da Central Distrital da Rede de Frio da SES-DF, destaca: “Nosso objetivo é garantir o uso máximo das vacinas recebidas”. Para isso, a secretaria investe em três áreas principais: logística, busca ativa da população e capacitação das equipes.
Em infraestrutura, a Central de Rede de Frio, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), recebeu câmaras frias novas, com capacidade para 10 mil litros, após um investimento de R$ 298 mil em 2022. No Hospital Regional de Taguatinga (HRT), o espaço de armazenamento passou de 12 para 16 refrigeradores, cada um com 400 litros. Além disso, a manutenção dos equipamentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e a oferta de insumos como seringas garantem o funcionamento de mais de cem salas de vacinação em dias úteis.
Ao mesmo tempo, a busca ativa foi intensificada. Em 2025, equipes da SES-DF aplicaram 154,9 mil doses durante 1.085 ações fora dos postos, em locais como praças, escolas, feiras, shoppings, parques, igrejas, supermercados e órgãos públicos. O Carro da Vacina, iniciado em 2022 como projeto-piloto em áreas como Ceilândia, Sol Nascente/Pôr do Sol e Brazlândia para combater a covid-19, foi ampliado para oferecer vacinas do calendário regular, como febre amarela, tétano, sarampo, gripe, coqueluche e pólio. A iniciativa ganhou mais veículos e foi levada a outras regiões administrativas.
Essas ações são apoiadas por um planejamento cuidadoso, que inclui o monitoramento da temperatura nas caixas térmicas a cada hora e o cálculo correto do número de seringas. Zildene Bitencourt, chefe do Núcleo de Vigilância Epidemiológica e Imunização da Região Oeste de Saúde, ressalta a importância desses cuidados para evitar desperdícios.
A capacitação também é fundamental: entre 2024 e 2025, a Central de Rede de Frio promoveu 43 treinamentos para quase dois mil profissionais, cobrindo manejo das vacinas, técnicas de aplicação e boas práticas.
Apesar dos progressos, o secretário de Saúde, Juracy Lacerda, lembra que é necessário que a população participe. “O Governo do Distrito Federal faz os investimentos necessários para a vacinação, mas é essencial que o público, especialmente pais e responsáveis, leve as crianças e adolescentes para receber as doses”, destaca.
Um cuidado especial é com a vacina contra a dengue, destinada a crianças de 10 a 14 anos, iniciada em fevereiro de 2024. Até janeiro de 2026, 183,4 mil doses foram aplicadas, porém a cobertura está abaixo da meta de 90%: 64,1% para a primeira dose e 39% para o esquema completo de duas doses. Entre crianças de 10 anos, os números são ainda menores, com 41,9% para a primeira dose e 16% para o esquema completo.
Nas salas de vacinação e nas ações fora dos postos, as equipes conferem as carteirinhas e os sistemas digitais para atualizar os esquemas vacinais rapidamente. A ampliação do público-alvo para evitar perdas depende das recomendações do Ministério da Saúde, que lidera o Programa Nacional de Imunizações (PNI).
