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domingo, 31/08/2025

Desigualdade de gênero na primeira edição do concurso nacional

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Um estudo realizado pela República.org revelou uma divisão desigual entre homens e mulheres durante a primeira edição do Concurso Público Nacional Unificado (CNU), destacando uma persistente desigualdade na ocupação de cargos públicos, especialmente nas áreas consideradas mais técnicas e melhor remuneradas.

A maior diferença foi observada nos blocos relacionados às áreas de tecnologia e economia. No bloco 2 (Tecnologia, Dados e Informações), apenas 8,4% dos aprovados foram mulheres. Já no bloco 8 (Setores econômicos e regulação), a presença feminina foi de apenas 25,7%.

No primeiro bloco, a maior quantidade de vagas foi para o cargo de Analista em Tecnologia da Informação (ATI), com 300 oportunidades e remuneração inicial de R$ 11.150,80. No bloco econômico, o destaque ficou para o cargo de Analista de Comércio Exterior (ACE), que ofereceu 50 vagas com salário inicial de R$ 20.924,80.

Entretanto, o bloco 5 (Educação, Saúde, Desenvolvimento Social e Direitos) teve maioria feminina, com 60,3%. A maior oferta neste grupo foi para o cargo de Analista de Políticas Sociais (ATPS), com 460 vagas e salário inicial de R$ 8.336,82.

Os dados foram coletados pela República.org com base nas informações divulgadas pelo Ministério da Gestão e Inovação (MGI) sobre o certame.

Paula Frias, coordenadora de dados do instituto, destaca que o cenário do CNU revela a necessidade urgente de discutir a segregação horizontal entre homens e mulheres no serviço público e de pensar em estratégias para mudar essa realidade.

A segregação horizontal ocorre quando há uma distribuição desigual entre homens e mulheres em diferentes áreas, mesmo quando os cargos têm níveis hierárquicos semelhantes. “Essa divisão reforça estereótipos de gênero e amplia as diferenças salariais no setor público”, explica Frias.

Ela aponta que essa separação não só mantém os estereótipos, como também colabora para a desigualdade salarial, uma vez que áreas tradicionalmente masculinas, como tecnologia e finanças, geralmente oferecem salários mais elevados.

Para a especialista, embora a reserva de vagas para mulheres na segunda edição do concurso seja um avanço, é insuficiente sem mecanismos eficazes de acompanhamento. “A reserva pode ajudar a melhorar essa situação, mas é fundamental monitorar essas mulheres ingressantes, já que a reserva será aplicada apenas em uma fase e não ao longo de toda a jornada”, ressalta.

Frias enfatiza que garantir o acesso é só parte do desafio, sendo fundamental assegurar que as mulheres permaneçam e progridam em áreas onde são minoria, o que requer políticas de incentivo, formação e um ambiente livre de discriminação.

“Por mais que a iniciativa possa aumentar a proporção de mulheres, ela não garante sua entrada em cargos historicamente ocupados por homens. O governo precisa analisar cada etapa do concurso para identificar em que fase as mulheres são excluídas”, complementa.

Participação feminina nos órgãos públicos

A segunda edição do Concurso Unificado oferecerá 3.652 vagas divididas entre 32 órgãos federais, enquanto na edição anterior os cargos estavam distribuídos em 21 órgãos da administração pública federal.

Agora, as mulheres terão mais oportunidades para avançar para a segunda fase do processo seletivo, que será organizado em nove blocos temáticos com edital unificado e método de inscrição que permite escolha de preferência entre cargos dentro do mesmo bloco.

As provas objetiva e discursiva do CNU serão aplicadas em dois dias, 5 de outubro e 7 de dezembro.

Equiparação de oportunidades

Segundo a ministra da Gestão, Esther Dweck, a medida adotada no segundo CNU não consiste na reserva de vagas para mulheres, mas sim na equiparação do percentual de mulheres aprovadas da primeira para a segunda fase.

Dweck explica que as mulheres, por enfrentarem jornadas múltiplas, têm menos tempo para se preparar exclusivamente para os estudos necessários, o que cria uma desvantagem em relação aos homens.

“A média de idade dos aprovados na primeira edição foi entre 35 e 45 anos, com pessoas já inseridas no mercado e que possuem filhos. Exigir dedicação exclusiva aos estudos acaba por criar uma desigualdade para as mulheres”, avalia Dweck.

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