Especialistas reunidos em um seminário na Câmara dos Deputados debateram os desafios ambientais e econômicos para a substituição gradual dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, que estão ligados ao aquecimento global. A maioria defende a implementação de metas anuais, prazos obrigatórios e a criação de fundos para assegurar justiça climática.
Carolina Marçal, coordenadora de projetos do Instituto ClimaInfo, ressaltou a necessidade do Brasil superar contradições na gestão do tema: enquanto o país se destaca como líder climático global, há expansão da indústria fóssil em áreas sensíveis, como na Margem Equatorial.
Ricardo Fuji, analista do WWF Brasil, destacou os impactos sociais e ambientais da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, apontando que o investimento direcionado a fontes renováveis, como eletricidade limpa e biocombustíveis, traria benefícios consideráveis.
Outro ponto relevante apresentado foi que dois terços da população mundial vivem em nações que importam petróleo, o que resultou em aumento do custo de vida na atual crise global. O diretor da 350.org Brasil, João Cerqueira, incentivou a aprovação de projetos que eliminem subsídios ao carvão mineral para promover a transição energética sustentável.
O deputado Fernando Mineiro defendeu o papel do governo brasileiro na condução política frente à crise, destacando que a ação política tem sido determinante para posicionar o país melhor do que outras nações no processo de transição energética justa.
Bruna Targino, do Instituto E+ Transição Energética, sugeriu que o Brasil foque em planejamento, financiamento e desenvolvimento industrial de longo prazo, evitando substituir a dependência dos combustíveis fósseis por uma nova dependência tecnológica. Ela enfatizou a importância de tratar minerais estratégicos com ênfase na valorização agregada, rastreabilidade, circularidade e robustos padrões socioambientais.
O evento foi organizado pelas Comissões de Meio Ambiente, da Amazônia e de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados.
