JOÃO PEDRO FEZA
FOLHAPRESS
Atendida em um abrigo montado em uma escola municipal em Peruíbe, no litoral sul do estado de São Paulo, Gildete Oliveira de Souza, 46 anos, conta como é difícil lidar com as fortes chuvas que atingem a região todo ano. “Todo ano é essa vida, já faz dez anos assim”, ela diz, lembrando que teve que deixar sua casa inundada com água até na rua.
Gildete vive no bairro Caraguava com mais sete pessoas, entre adultos, crianças e pré-adolescentes. “Não tem como ficar na casa por causa das crianças, por isso estamos juntos no abrigo até tudo melhorar”, explica.
Em Peruíbe, cerca de cem pessoas ficaram desabrigadas e estão no abrigo da escola municipal do bairro Balneário Samburá, e outras 130 foram para casas de parentes nos bairros Jardim das Flores e Vila Erminda.
A Serra do Guaraú apresenta pontos de solo encharcado e risco de deslizamento, com a passagem de veículos controlada e possível fechamento preventivo. Embora algumas ruas ainda estejam alagadas, boa parte da água já foi drenada, segundo a prefeitura. Foram registradas até 381 mm de chuva no bairro Guaraú e 289 mm no centro da cidade, os valores mais recentes divulgados pela Defesa Civil.
O órgão e a prefeitura criaram um plano para enfrentar a crise, ajudando as famílias e minimizando os estragos. Até o momento, não houve vítimas fatais. Em 2024, cerca de 500 moradores de Peruíbe precisaram deixar suas casas devido às chuvas.
Em Mongaguá, que fica a 45 km de Peruíbe, a prefeitura declarou estado de atenção devido ao aumento dos rios e pontos de alagamento. Nas últimas 24 horas, a cidade registrou 96,42 mm de chuva, somando 141,54 mm em 72 horas, considerado volume alto pela Defesa Civil.
Há alagamentos nos bairros Itaóca, Agenor, Jardim Praia Grande, Barigui, Itaguaí e Flórida Mirim. Não há relatos de vítimas. No sábado, a região central teve inundações temporárias e quedas de árvores em estradas turísticas e avenidas importantes.
A Defesa Civil recomenda que, em períodos de chuva, a população evite áreas alagadas, não tente atravessar enxurradas e utilize os canais oficiais em casos de emergência.
Em Natividade da Serra, um deslizamento de terra atingiu uma casa e deixou uma pessoa desaparecida; buscas foram interrompidas à noite por segurança e devem continuar pela manhã.
Ubatuba declara situação de emergência
No litoral norte, Ubatuba suspendeu as aulas da rede municipal nesta segunda. Chuvas fortes causaram alagamentos e sujeira em escolas. A prefeita Flávia Pascoal (PL) decretou situação de emergência municipal válida por 180 dias, permitindo ações rápidas para ajudar famílias, realizar serviços emergenciais e liberar recursos do estado e do governo federal.
No bairro Angelim, 15 famílias ficaram desalojadas e foram acolhidas por conhecidos. No sul da cidade, mais de 400 imóveis foram afetados. A escola Emei Tereza dos Santos serve como ponto de apoio para armazenamento de alimentos e preparo de refeições, que também acontecem em parceria com uma igreja local.
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Ubatuba continua sob alto risco hidrológico após o volume de chuva alcançar mais de 200 mm em 72 horas, um valor próximo à média histórica de todo o mês de fevereiro. O solo está saturado, aumentando os riscos de novos deslizamentos e alagamentos.

