Deputados criticaram duramente a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras, anunciada na última quarta-feira (9) pelo presidente Donald Trump em carta dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O aumento das taxas foi justificado pelo presidente americano com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), condenando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e acusando o Brasil de interferir em eleições livres e censurar redes sociais americanas.
No Plenário, o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) repudiou a medida, considerando-a um desrespeito e enfatizando que o Brasil precisa reagir com firmeza. Já o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) apontou que a ação dos EUA é um ataque às instituições brasileiras e à democracia. Para os deputados Guilherme Boulos e Ivan Valente (ambos do Psol-SP), a tarifa prejudicará os trabalhadores brasileiros e está fundamentada em motivações políticas, não econômicas.
O deputado Joseildo Ramos (PT-BA) destacou que o bloco dos países emergentes BRICS, do qual o Brasil faz parte, tem causado incômodo ao governo norte-americano, mencionando a tentativa dos EUA de enfraquecer o grupo e substituir o dólar como moeda padrão mundial. Em resposta, o presidente Lula afirmou a soberania dos países que compõem o BRICS.
Do ponto de vista da oposição, parlamentares afirmaram que o governo brasileiro e o STF são responsáveis pela imposição das tarifas. A parlamentar Jandira Feghali (PCdoB-RJ) acusou o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro de atuar a favor dos interesses estadunidenses, enquanto o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) reforçou a crítica sobre a atuação do ex-deputado.
Mesmo entre os governistas, houve críticas à postura diplomática do governo brasileiro. O deputado Nikolas Ferreira atribuiu a responsabilidade ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, e o deputado Zé Trovão (PL-SC) destacou a falta de diplomacia. Outros parlamentares do PL e NOVO também responsabilizaram o Supremo Tribunal Federal pela situação.
Quanto às contramedidas, parlamentares citaram a Lei 15.122/25, que autoriza o governo brasileiro a aplicar medidas recíprocas contra países que imponham restrições comerciais às exportações brasileiras, incluindo elevação de taxas ou suspensão de concessões comerciais.
O presidente Lula, usando suas redes sociais, afirmou que o Brasil é um país soberano e responderá à tarifa conforme a legislação nacional de reciprocidade econômica. Ele contestou a justificativa dos EUA sobre um suposto déficit, afirmando que os dados estadunidenses mostram um superávit significativo na balança comercial com o Brasil nos últimos 15 anos.
