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Depoimento de assessores agrava crise no PSL e expõe filhos de Bolsonaro

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Depoimento de assessores da Presidência na CPI das Fake News agrava turbulência no PSL e expõe ação de filhos de Bolsonaro

Integrantes do “gabinete do ódio”, montado no Palácio, teriam ligações com Carlos Bolsonaro
(foto: AFP / Sergio LIMA )

Os fantasmas das eleições de 2018 ainda devem assombrar muita gente graúda do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. Nos últimos dias, a crise na legenda mudou de patamar e escalou a rampa do Palácio do Planalto. As atenções voltadas às candidaturas de fachada em Pernambuco e Minas Gerais agora se voltam também para as suspeitas de que a estrutura da sede do governo esteja sendo usada para comandar um batalhão de perfis falsos nas redes sociais, com a missão de espalhar difamações e mentiras. Em entrevista ao Correio, o presidente da CPI mista das Fake News, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), disse que “a comissão de inquérito não foi criada para servir de arena de disputa política, mas adotará todo o rigor nas investigações e na responsabilização dos envolvidos”.

“A CPMI aprovou requerimento de convocação de pessoas que trabalharam na campanha do presidente Jair Bolsonaro para que esclareçam denúncias de disseminação de fake news. Vamos apurar com todo o rigor, mas não vou permitir que a CPMI seja transformada em palanque para quem queira se vingar”, afirmou o senador, assegurando não ser governista nem de oposição. “Nosso objetivo é deixar um grande legado para o país, com uma legislação mais dura contra as fake news e uma maior proteção para a sociedade. Afinal, as fake news destroem reputações, ofendem famílias, e não podemos mais permitir que pessoas mal-intencionadas se sintam seguras por trás de um computador para continuar a fazer isso”, afirmou.

Impulsionada pelas investigações sobre o uso de candidaturas fantasmas nas eleições passadas, a crise no PSL se transformou em uma disputa interna entre partidários do presidente do partido, deputado Luciano Bivar (PE), e de Bolsonaro. O presidente da República virou alvo de ameaças e acusações de ex-aliados. A revelação da deputada Joice Hasselmann (SP), retirada por Bolsonaro da liderança do governo no Congresso, de que a difusão de fake news iniciada na campanha continua a todo vapor dentro do Planalto abalou em Brasília.

Nos próximos dias, a CPMI vai agendar os depoimentos de seis assessores de Bolsonaro que tiveram a convocação aprovada na semana passada. Os requerimentos foram apresentados pela oposição, que tem maioria no colegiado e imposto sucessivas derrotas à ala governista. Entre os convocados estão integrantes do chamado “gabinete do ódio”, uma expressão usada internamente no governo para se referir ao grupo formado pelos assessores especiais da Presidência Tércio Arnaud Tomaz e José Matheus Sales Gomes, além de Mateus Diniz, lotado na Secretaria de Imprensa. Eles são ligados ao vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente.

A lista de convocados inclui também duas assessoras que trabalharam na AM4 Inteligência Digital, empresa contratada pela campanha de Bolsonaro. São elas Rebecca Félix e Taíse Feijó, trazidas para o governo pelo ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno, demitido em fevereiro depois de se desentender com Carlos Bolsonaro. Rebecca foi demitida do cargo que ocupava no Palácio no último dia 17. Durante a campanha, ela coordenou a equipe de comunicação digital, encarregada das redes sociais. Chegou a prestar depoimento no Tribunal Superior Eleitoral em processo que investiga o disparo de mensagens em massa por WhatsApp.

Taíse, lotada na Secretaria de Modernização do Estado, entrou no governo na assessoria do Bebianno, que coordenou a campanha de Bolsonaro. Na AM4, ela ajudou a operar a estratégia de comunicação digital do então candidato. Outros convocados pela CPMI são o secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, e o assessor especial da Presidência Filipe Martins.

As expectativas para esta semana na CPI giram em torno do depoimento do deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), ex-aliado e agora desafeto de Bolsonaro, marcado para quarta-feira. Em agosto, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ao ser questionado sobre o suposto impulsionamento de fake news pela campanha presidencial do PSL, Frota respondeu que sabia de todo o método. Como o parlamentar foi convidado, ele não é obrigado a comparecer

Os movimentos em Brasília indicam que a crise do PSL poderá trazer ainda mais dores de cabeça para Bolsonaro. Há um sentimento grande de revolta entre deputados contra o presidente e seu filho e deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que se tornou líder da legenda na Câmara em substituição a Delegado Waldir (GO), após uma conturbada disputa.

Apesar de Eduardo insistir que a poeira baixou e a crise está debelada, uma forte tensão ainda está no ar. “Eles desmoralizaram o partido publicamente de uma maneira desumana, disseram que não há transparência, deram um golpe para tomar o controle, ofenderam o presidente Bivar e vários deputados, e agora querem dar uma de bonzinhos dizendo que a crise acabou? Nada disso, eles vão ter que reparar todas essas difamações que cometeram”, disse o deputado Júnior Bozella (PSL-SP).

O retorno de Queiroz
Em áudios de WhatsApp, publicados pela Folha de S. Paulo, Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), se queixa de ter sido abandonado pelo grupo político que elegeu Jair Bolsonaro no enfrentamento da investigação que o Ministério Público move contra ele e o senador. Queiroz e Flávio são investigados por supostas práticas de lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa na época em que o filho do presidente era deputado estadual no Rio. “O MP está com uma p* do tamanho de um cometa para enterrar na gente. Não vi ninguém agir”, diz Queiroz. Em outro trecho, ele revela ter planos para o diretório regional do PSL no Rio de Janeiro, até agora comandado por Flávio. “Resolvendo essa p* que está vindo na minha direção, vamos ver se a gente assume esse partido aí. Eu e você de frente aí. Lapidar essa p*”, afirma ele ao interlocutor, que não foi identificado. 

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Bolsonaro esvaziou agenda contra corrupção, diz Moro

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Em entrevista, o ex-ministro da Justiça falou sobre a aproximação do presidente com o Centrão e sua postura “negacionista” em relação ao coronavírus

Moro disse que assinou a portaria que permite aquisição de mais munição por “pressão” do presidente (Andre Coelho/Getty Images)

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro afirmou que faltou apoio do presidente Jair Bolsonaro a ações de combate à corrupção. “Me desculpe aqui os seguidores do presidente se essa é uma verdade inconveniente, mas essa agenda contra a corrupção não teve um impulso por parte do presidente da República”, disse Moro em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, exibida na noite de domingo. Segundo o ex-juiz da Operação Lava Jato, medidas nesse sentido foram sendo “esvaziadas” pelo presidente.

Moro declarou ainda que considera “questionáveis” as recentes alianças feitas por Bolsonaro com os partidos do Centrão. O presidente tem se aproximado do bloco – e negociado cargos com o grupo – em troca de apoio no Congresso.

O ex-ministro também foi indagado sobre a condução da pandemia do novo coronavírus pelo presidente. Para Moro, que defende o isolamento social como principal medida de prevenção à covid-19, Bolsonaro adota postura “negacionista” em relação ao vírus. “Acho que a minha lealdade ao presidente demanda que eu me posicione com a verdade, com o que eu penso, e não apenas concordando com a posição do presidente. Se for assim, ele não precisa de um ministro, precisa de um papagaio”, afirmou o ex-juiz ao comentar as divergências com o chefe do Executivo em relação à crise na Saúde.

O ex-juiz também comentou a reunião ministerial de 22 de abril, realizada dois dias antes de anunciar sua demissão do cargo e tornada pública na sexta-feira, e as mensagens reveladas pelo Estadão de que Bolsonaro já havia decidido trocar a direção da PF antes do encontro do dia 22. “Eu não ia discutir isso numa reunião ministerial, até porque o ambiente ali não era muito favorável ao contraditório.” Em relação aos palavrões ditos durante a reunião, afirmou que “o tom subiu nos últimos meses”.

Armas

Moro declarou também que a portaria que assinou, ainda ministro, que permite a aquisição de mais munição, foi resultado de “pressão” do presidente. “Certamente (que sim). Eu não queria que isso fosse usado como subterfúgio da interferência na Polícia Federal. Eu entendi naquele momento que não tinha condições de me opor a isso porque já existia essa querela envolvendo a Polícia Federal”, disse o ex-ministro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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Brasil navega sem enxergar o que vai acontecer, diz Teich sobre covid-19

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Em entrevista, o ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, falou sobre a falta de alinhamento com o presidente e se mostrou a favor de um isolamento mais seletivo

Teich: ex-ministro minimizou a ida de vários militares para o ministério da Saúde (Gabriela Biló/Estadão Conteúdo)

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STF arquiva queixa contra Joice Hasselmann por ofensa a ‘ex-gays’

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Caso foi arquivado porque ‘deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões’

“Respeito os “viados” assumidos. Os que são corajosos. Os que se escondem no conservadorismo, fazem pinta de machões escondidos em suas pseudos canetas e ficam mandando indiretas como se fosse “machos” não merecem meu respeito. Frouxo é frouxo, não importa o posto que tenha”, escreveu Joice nas redes Reprodução/Instagram

O decano do STF, ministro Celso de Mello, arquivou uma notícia-crime apresentada contra a deputada Joice Hasselmann por “desrespeitar, humilhar e ofender” ex-gays.

A ação foi movida pelo servidor público Claudemiro Soares, que se apresenta nas redes como evangélico e ex-gay, depois de Joice ter postado, em outubro de 2019, a seguinte mensagem nas redes:

“Respeito os “viados” assumidos. Os que são corajosos. Os que se escondem no conservadorismo, fazem pinta de machões escondidos em suas pseudos canetas e ficam mandando indiretas como se fosse “machos” não merecem meu respeito. Frouxo é frouxo, não importa o posto que tenha”.

“O texto da conta verificada da deputada demonstra que a mesma incita o ódio contra homossexuais que não se assumem como tal e contra os homossexuais egodistônicos (os ex-gays)”, escreve Soares na ação ao STF.

“A literatura trazida à lume expõe claramente o animus com o qual agiu a Deputada Joice Hasselmann, no sentido de desrespeitar, humilhar e ofender os homossexuais egodistônicos, segundo ela, “OS VIADOS” não assumidos”, segue Soares.

A PGR pediu o arquivamento do caso por considerar que a deputada dispõe de imunidade parlamentar para se expressar. “Os deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”, registra a decisão de Mello, que seguiu o entendimento da procuradoria.

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A alma de Sergio Cabral ainda habita o governo Witzel

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Proposta de delação de Arthur Soares, conhecido como ‘Rei Arthur’, é nova bomba contra o governo do Rio

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel Philippe Lima/Governo do RJ/Divulgação

Eleito com o discurso do novo na política, Wilson Witzel administra uma máquina com o que há de mais velho na desgraça administrativa que há décadas sufoca o Rio.

Um esquema de propina envolvendo liberação de pagamentos atrasados a fornecedores do governo do Rio mediante pagamento de comissões que chegam a 30%.

Os personagens reluzentes na narrativa que já rendeu algumas décadas de prisão ao bando de Cabral são o Pastor Everaldo e André Moura, dois nomes famosos do time de Witzel.

“Em menos de um ano, segundo ele, o esquema teria arrecadado cerca de 30 milhões de reais com a cobrança de 20% a 30% do valor de cada fatura paga”, registram os repórteres Cássio Bruno, Thiago Bronzatto, Laryssa Borges.

Como revelou o Radar, Witzel já vinha procurando um substituto para Moura. Agora entende-se o verdadeiro motivo.

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PGR vai retomar investigações contra Rodrigo Maia

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Procuradoria decidiu pedir o desarquivamento de fatos envolvendo Maia para poder reanalisar em um contexto ampliado as acusações ainda pendentes

Maia, reaproximação com Bolsonaro e problemas na PGR Cristiano Mariz/.

O amor que voltou a brotar entre Rodrigo Maia e Bolsonaro surge num momento difícil para o presidente da Câmara. Além de perder interlocução no Parlamento, ele voltará a sentir o bafo quente da Lava-Jato.

Recentemente, o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF, cobrou uma posição da PGR sobre o inquérito relacionado às delações de executivos da Odebrecht.

A PGR decidiu pedir o desarquivamento de fatos envolvendo Maia para poder reanalisar em um contexto ampliado as acusações ainda pendentes contra ele. Além do inquérito da Odebrecht, Maia é alvo de investigação relacionada à empreiteira OAS.

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Após críticas, ministro da Saúde manda equipe assinar norma da cloroquina

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Contrariando recomendações de entidades científicas, a pasta orientou uso de medicamento contra a covid-19

Eduardo Pazuello: Ministério da Saúde tem sete secretarias, sendo que três estão com substitutos no comando (Valter Campanato/Agência Brasil)

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