O delegado Vitor Becker, responsável pelas investigações do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, comentou nas redes sociais sobre diversas mensagens que recebeu relacionadas ao caso. Entre as mais comuns, ele destacou afirmações que negam o abuso, dizendo: “Não houve estupro algum. A vítima consentiu.” Aproveitando a atenção gerada, o delegado explicou o significado do consentimento na esfera criminal. “Se ela disser que não deseja continuar, mas for forçada, configura estupro. O ‘não’ da mulher é fundamental.”
Além disso, o delegado destacou que “o consentimento não é permanente, não é automático, não é eterno, não é perpétuo”. “O fato de a mulher aceitar sair com alguém, ir a um apartamento ou até iniciar uma relação sexual com uma, duas, três, cinco ou dez pessoas, não implica que ela tenha consentido com todas as situações.”
Segundo a Polícia Civil, na data do crime, a vítima, também de 17 anos, recebeu um convite de um colega da escola para ir à casa de um amigo no bairro de Copacabana. Lá, a jovem foi abusada por João Gabriel Xavier Bertho, Vitor Hugo, Bruno Alegretti e Matheus Martins.
De acordo com o delegado Ângelo Lajes, o crime foi uma “armadilha premeditada”, e os responsáveis podem pegar quase 20 anos de cadeia.
Na chegada ao prédio, o adolescente que a convidou sugeriu que fariam algo diferente, o que ela recusou prontamente. Dentro do apartamento, a adolescente foi levada a um quarto, onde ficou trancada com quatro homens que insistiam para que mantivesse relações sexuais.
Com a recusa, eles começaram a se despir e praticaram atos libidinosos com uso de violência física e psicológica contra a vítima.
Em consequência dos fatos, os homens foram presos e responderão por estupro, e o adolescente será responsabilizado por ato infracional análogo ao crime.
As investigações continuam para localizar e responsabilizar os demais envolvidos.
A defesa de João Gabriel Xavier Bertho negou a acusação. “A jovem disse em seu depoimento que permitiu a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e um amigo tinham um encontro íntimo. Também relatou ter atendido a outros pedidos.”
A coluna permanece aberta para esclarecimentos dos demais envolvidos.
