Uma foto publicada para celebrar a posse de Raphaela Natali Cardoso, de 31 anos, como delegada da Polícia Civil de São Paulo gerou uma série de ataques preconceituosos nas redes sociais. Raphaela enfrentou discriminação e mensagens ofensivas depois de compartilhar sua conquista, fruto de quatro anos e meio de esforço para passar em concursos públicos. A Polícia Civil do Estado está investigando o ocorrido.
“O que era para ser uma comemoração teve uma reação muito diferente e negativa”, disse Raphaela em vídeo divulgado nas redes sociais.
As mensagens agressivas foram feitas por perfis que ainda não foram identificados e continham ofensas de teor sexista. Entre os comentários, havia frases como “Delegado, juiz e qualquer cargo na justiça: mulher não deveria ter acesso” e “Seria melhor se estivesse cuidando dos filhos”.
Também houve ataques pessoais, incluindo insinuações sobre a vida privada e a saúde mental da delegada. Um comentário dizia: “Difícil acreditar que esta mulher não tenha problemas mentais”; outro disse: “Espero que ela lide melhor com o crime organizado do que com homens”.
Conforme o boletim de ocorrência, as mensagens foram denunciadas como discriminatórias. O caso foi registrado pela Delegacia Eletrônica como discriminação e injúria, e repassado ao 51º Distrito Policial (Rio Pequeno) para investigação.
“Isso tem nome: misoginia. São pessoas com aversão às mulheres. Tudo que elas fazem ou os lugares que ocupam são tratados como errados”, afirmou Raphaela. Ela garantiu que esses ataques não vão impedir outras mulheres de buscar cargos importantes no setor público.
“Esse tipo de comentário tem efeito contrário, nós vamos ocupar esses espaços e posições de poder porque queremos e podemos. Somos tão competentes quanto os homens, isso não é discutível”, acrescentou.
Com a repercussão, o Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo lançou a campanha #LugarDeMulherÉOndeElaQuiser, em apoio às mulheres em cargos de liderança.
O deputado federal delegado Bruno Lima (PP) publicou em rede social que protocolou uma Moção de Repúdio aos ataques contra Raphaela. “Não é apenas opinião, é violência e tentativa de deslegitimar mulheres capacitadas que atuam em áreas de segurança pública e justiça”, ressaltou.
Estadão Conteúdo.
