O presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, é um dos alvos da Operação Barco de Papel, realizada pela Polícia Federal (PF) na sexta-feira, 23, para investigar possíveis irregularidades nos investimentos feitos pelo fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro em títulos do Banco Master.
As defesas de Antunes e das outras pessoas mencionadas na investigação não foram localizadas. O espaço continua aberto para manifestação.
Segundo informações do Estadão, Antunes já estava ciente da possibilidade de ser alvo de uma operação da PF, e começou a evitar sua residência no Rio de Janeiro por medo de ser surpreendido pelos agentes federais. No dia 15 de janeiro, ele viajou para os Estados Unidos e desde então seu paradeiro é desconhecido.
O Rioprevidência informou, por meio de nota, que Antunes está oficialmente em período de férias, programadas desde novembro de 2025, conforme as normas internas vigentes.
Antunes é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e possui mestrado em Direitos Fundamentais e Novos Direitos pela Universidade Estácio de Sá (Unesa), além de outras seis especializações.
Antes de presidir o Rioprevidência, ele trabalhou no Banco do Brasil (BB) e na Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). Na Previ, onde atuou por mais de 15 anos, começou como advogado júnior e alcançou a posição de consultor jurídico. Assumiu a presidência do Rioprevidência em 5 de julho de 2023.
A Polícia Federal investiga uma suposta gestão imprudente por parte de dirigentes do Rioprevidência, que autorizaram investimentos de R$ 1 bilhão no Banco Master. Há a suspeita de que esses investimentos foram aprovados de forma irregular, contrariando a finalidade do instituto de previdência, e expuseram os servidores públicos a riscos elevados.
Os crimes investigados incluem infrações contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução ao erro por parte de órgãos públicos, fraude à fiscalização ou investidores, associação criminosa e corrupção passiva.
A instituição busca reverter os investimentos feitos em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, os quais são garantidos por precatórios federais. Normalmente, essas letras são destinadas a investidores profissionais e não possuem proteção pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). De acordo com o Rioprevidência, esses títulos foram emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034.
Foram cumpridas quatro ordens judiciais no Rio de Janeiro, incluindo buscas na sede da instituição e nos endereços dos gestores. Além de Antunes, também foram alvos da operação o ex-diretor de investimentos Euchério Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal, que deixaram seus cargos após surgirem suspeitas relacionadas ao caso do Banco Master.
Como os mandados cumpridos foram apenas de busca e apreensão, Antunes não é considerado foragido.
Estadão Conteúdo
