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segunda-feira, 26/01/2026

Déficit externo do Brasil chega a US$ 68,8 bilhões em 2025, pior desde 2014

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Em Brasília

NATHALIA GARCIA
FOLHAPRESS

O Brasil registrou um déficit externo de US$ 68,8 bilhões no ano de 2025, o que corresponde a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB), marcando o pior resultado desde 2014, conforme dados divulgados pelo Banco Central.

Em 2024, o déficit foi de US$ 66,2 bilhões, representando 3,03% do PIB, indicando um aumento de 3,9% no saldo negativo anual. O resultado de 2025 é o maior em um ano desde 2014, quando o déficit em transações correntes chegou a US$ 110,5 bilhões (4,5% do PIB). O Banco Central mantém essa série histórica desde 1995.

O saldo das transações correntes inclui a balança comercial (exportações e importações de bens), serviços (como gastos com transporte, seguros e viagens) e rendas (lucros e dividendos enviados ao exterior, entre outros).

Segundo o Banco Central, o aumento de US$ 2,6 bilhões no déficit de 2025 foi causado pela diminuição de US$ 5,9 bilhões no superávit da balança comercial, parcialmente equilibrada pela redução de US$ 2,2 bilhões no déficit de serviços e um aumento de US$ 1 bilhão no superávit da renda secundária. O déficit na renda primária manteve-se próximo ao registrado em 2024.

Fernando Rocha, chefe do departamento de Estatísticas do Banco Central, ressaltou que o país teve aumento na movimentação comercial tanto na balança de bens quanto na de serviços.

Os investimentos diretos no país superaram o déficit externo, ajudando a financiar o saldo negativo das transações correntes. Em 2025, esses investimentos totalizaram US$ 77,7 bilhões (3,41% do PIB), um aumento de 4,8% em relação a 2024, quando atingiram US$ 74,1 bilhões (3,39% do PIB).

Rocha ressaltou: “Os valores de investimentos diretos no país e déficits de transações correntes em 2025 foram semelhantes aos de 2024, ambos próximos a 3% do PIB. A diferença de 0,4 ponto percentual do PIB, cerca de US$ 8,9 bilhões, reafirma a solidez das contas externas brasileiras, com déficit nas transações correntes totalmente financiado pelos investimentos diretos”.

Além disso, os investimentos estrangeiros em carteira e títulos de renda fixa também ofereceram suporte financeiro. Houve uma entrada líquida de US$ 15,3 bilhões em investimentos em carteira em 2025, contrastando com a saída de aproximadamente US$ 5 bilhões no ano anterior, representando uma virada de US$ 20 bilhões nesse tipo de investimento.

O Banco Central havia previsto para 2025 um déficit em transações correntes de US$ 76 bilhões (3,3% do PIB) e entrada líquida de investimento direto de US$ 75 bilhões (3,3% do PIB), conforme relatório monetário divulgado em dezembro. Para 2026, a projeção é de déficit de US$ 60 bilhões nas transações correntes e ingressos de US$ 70 bilhões em investimentos diretos.

Quanto às viagens internacionais, o gasto de brasileiros no exterior aumentou para US$ 21,7 bilhões em 2025, superando os US$ 19,7 bilhões do ano anterior. O déficit nessa categoria foi de R$ 13,9 bilhões, o maior desde 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, que registrou déficit de US$ 18,7 bilhões.

As estatísticas também mostram uma saída significativa de dólares do país em 2025, totalizando US$ 31,95 bilhões, a segunda maior saída anual desde 1982, ficando atrás apenas dos US$ 44,768 bilhões registrados em 2019.

Na área financeira, o Brasil teve saída de US$ 81 bilhões, também a segunda maior da história em termos nominais, contra US$ 87,6 bilhões de saída em 2024. Esses fluxos financeiros estão relacionados a investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos e investimentos estrangeiros diretos.

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