Claudio Araujo
A deputada Célia Xakriabá sugeriu que 5% dos investimentos em ações climáticas globais sejam direcionados para questões de gênero e meio ambiente.
Durante o painel “Promovendo ação climática justa: caminhos parlamentares para soluções que considerem o gênero”, parlamentares brasileiras e especialistas ressaltaram que as mulheres são as mais impactadas pela crise climática.
O evento foi organizado pela União Interparlamentar, pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, e contou com a presença de representantes de 47 países na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém (PA).
A deputada Célia Xakriabá defendeu a expansão internacional do projeto Sem Mulher Não Tem Clima, que investiga violência contra meninas e mulheres causada pela crise ambiental e crimes envolvendo o meio ambiente. De acordo com ela, 20 países já aderiram à iniciativa.
Ela trouxe à tona casos de violência relacionados à crise no povo Yanomami.
“Mais de 30 meninas foram vítimas de abuso sexual em troca de alimentos. Além disso, há o tráfico de mulheres gerado pela mineração ilegal em terras indígenas. Mulheres dos povos Kayapó e Guarani Kaiowá sofrem malformações devido à contaminação por mercúrio”, afirmou.
Célia Xakriabá propôs que uma parcela de 5% dos recursos climáticos dos países seja destinada para a pauta de gênero e clima.
A diretora do Fundo de População da ONU (UNFPA), Julia Bunting, reforçou que os parlamentares representam a conexão essencial entre políticas, orçamento e comunidades, e ressaltou a importância de incluir os direitos reprodutivos nas metas climáticas nacionais (NDCs).
A médica Flavia Bustreo, ex-assessora da Organização Mundial da Saúde (OMS), destacou que houve resistência durante as negociações do Plano de Ação de Gênero na COP30 ao incluir o tema saúde reprodutiva.
A senadora Leila Barros (PDT-DF) frisou que a crise climática engloba aspectos sociais, econômicos e de gênero. Ela destacou que mulheres enfrentam eventos climáticos extremos, insegurança alimentar e perda de meios de subsistência, além de estarem sub-representadas nos espaços de decisão.
“Não é possível alcançar uma transição justa sem a participação ativa e o protagonismo das mulheres. A União Interparlamentar deve liderar conosco a criação de uma agenda parlamentar que garanta voz, recursos e poder para que mulheres de todos os países possam desempenhar essa função,” declarou a senadora.
