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De espião da KGB ao “11 de setembro russo”: a história de Vladimir Putin

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Para parte dos russos, Putin representa o líder que estabilizou o país após a queda da URSS. Após referendo, o presidente poderá ficar no poder até 2036

Putin em celebração pelos 75 anos do fim da Segunda Guerra: herdeiro soviético (Host Photo Agency/Getty Images)

O referendo de sete dias que terminou na Rússia nesta quarta-feira, 1, fez o mundo novamente olhar para o histórico do presidente russo Vladimir Putin à frente do país, de mais de 144 milhões de habitantes e herdeiro da extinta União Soviética. Os russos na casa dos 20 anos nunca conheceram outro líder no poder, e, para o futuro, há pouca ou nenhuma opção de outros candidatos promissores na oposição ou dentro do partido governista. No século 21, só Putin comandou a Rússia na prática, alternando entre cargos de presidente e primeiro-ministro.

Com os resultados do referendo, a população aprovou por mais de 70% dos votos uma reforma constitucional que permitirá a Putin ficar no poder até 2036 caso siga vencendo as eleições — por mais 12 anos após o fim de seu atual mandato, em 2024.

A mudança já havia sido aprovada pelo Parlamento em março, mas analistas apontam que o desejo do presidente foi levar a votação a referendo para demonstrar apoio popular. Em meio a tudo isso, Putin terá também de lidar com o avanço do coronavírus na Rússia, que já é o terceiro país em número de casos, atrás de Brasil e Estados Unidos — manter o referendo em meio à pandemia foi uma das críticas feitas pela oposição ao presidente.

Na reportagem abaixo, publicada originalmente em 2017, a Exame destrincha parte do histórico do presidente à frente da Rússia, seus feitos no cargo e as críticas a ele.

Putin com a rainha Elizabeth, do Reino Unido, em 2003: presidente está no poder na Rússia desde 1999 (Tim Graham Photo Library/Getty Images)

O homem da KGB

A Rússia está de volta ao jogo da geopolítica nos últimos anos. O país da Europa oriental tem se portado cada vez mais como herdeiro soviético e, apesar de a Guerra Fria ter acabado há mais de 20 anos, novos embates com o Ocidente se delineiam no mapa. Para resgatar seu título de superpotência, o país tem tem feito questão de provar sua influência no tabuleiro, marcando presença nos assuntos que vão da Síria aos Estados Unidos. O mestre nesse xadrez imperialista? Vladimir Putin.

No poder desde 2000, o presidente russo representa, para grande parte da população de seu país, aquele que estabilizou o país após a queda da URSS na década de 90 e que não se curva aos interesses ocidentais. “Ele não é um grande orador, não é um líder carismático, mas chega até o russo médio porque passa credibilidade. Ele representa o que muitos acreditam ser um poder necessário para resgatar a autoridade russa que foi perdida”, diz o historiador Sidney Ferreira Leite, especialista em Relações Internacionais e pró-reitor do Centro Universitário Belas-Artes.

Um homem fisicamente forte, ex-espião do serviço secreto soviético e centralizador, Putin é respeitado por seus conterrâneos, mas seu perfil discreto e ao mesmo tempo incisivo intriga o resto do mundo. Para o senador americano John McCain, Vladimir Putin é um “assassino e um agente da KGB”. Já para Donald Trump, “um líder bem melhor” do que o ex-presidente americano Barack Obama.

Filho de uma operária e de um soldado da marinha que lutou na Segunda Guerra, o homem mais poderoso da Rússia cresceu num subúrbio de São Petersburgo, segunda maior cidade do país — chamada de Leningrado até 1991, herança da Revolução Russa que instaurou o comunismo em 1917. Nascido em 1952, foi criado como filho único, uma vez que os irmãos morreram ainda crianças. “Não posso dizer que éramos uma família muito emocional. Não conversávamos muito”, contou ao documentário The World’s Most Powerful President, da rede americana Freedom TV.

Em 1975, então com 24 anos anos, entrou para o treinamento da KGB, o serviço secreto russo, logo após concluir o curso de Direito pela Universidade de Leningrado. Por seu alemão fluente, trabalhou para a KGB na Alemanha Oriental e viu de perto o início da queda do Muro de Berlim, em 1989. O presidente conta que queimou documentos da KGB, na ocasião, para que opositores não os encontrassem. Putin permaneceria no serviço secreto até 1991.

De volta a São Petersburgo, Putin se aproximou do então prefeito Mayor Sobchak. Em 1994, se tornou vice-prefeito da cidade — e seria o início de sua vida pública. Dois anos depois, já em Moscou, conheceu o alto escalão da política russa. A escalada foi rápida. Passou a integrar a FSP, agência de inteligência que substituiu a KGB após o fim da URSS, foi nomeado diretor da instituição, logo depois garantiu o cargo de secretário do Conselho de Segurança e, em 1999, foi escolhido para ser primeiro-ministro do então presidente Boris Yeltsin — o primeiro líder eleito democraticamente após o fim da URSS.

Para muitos, boa parte da rápida ascensão de Putin se deve ao apoio de Yeltsin, e a relação dos dois é vista como controversa. Circula um boato de que Putin, no comando da FSP, teria chantageado o procurador-geral russo, Yury Skuratov, para impedir que ele investigasse o envolvimento de Yeltsin em um esquema de propina. Por isso, Yeltsin é acusado de ter escolhido Putin para ser seu braço-direito apenas por acreditar que ele, no futuro, o protegeria novamente de outras investigações.

Ninguém pode dizer que Yeltsin não estava certo: talvez por herança dos treinamentos de KGB, Putin tem fama de ser extremamente leal com os amigos. Quando assumiu a presidência pela primeira vez, em 2000, perguntaram qual era seu colega mais digno de confiança. Ele citou cinco pessoas na ocasião e, 17 anos depois, todas elas ainda ocupam cargos do alto escalão do governo.

Putin, em sua primeira vez como primeiro-ministro, em 1999: escolhido por Boris Yeltsin, primeiro líder eleito após o fim da URSS (Laski Diffusion/Getty Images)

O 11 de setembro russo
Yeltsin não só nomeou Putin como primeiro-ministro como anunciou que apostava nele para ser seu sucessor — e o seu pupilo, de fato, venceu as eleições do ano seguinte. Se hoje Vladimir Putin é o nome mais forte da política russa, na época ele era apenas um ex-espião da KGB praticamente desconhecido. Como conseguiu votos suficientes para se eleger presidente? Sua popularidade cresceu logo no início do seu trabalho como premiê, graças a uma ofensiva militar que muitos estudiosos classificam como o “11 de setembro russo”.

No fim da década de 1990, quando o império soviético se desmantelava, um dos territórios em disputa era a Chechênia, que se proclamara independente em 1991. Para retomar o controle da região, Yeltsin iniciou a Primeira Guerra da Chechênia em 1994, e o embate terminou com uma derrota da Rússia. Mas uma nova ofensiva russa liderada por Putin retomou o território. E a nova investida russa, mais dura, foi justificada por um atentado a um prédio residencial no centro de Moscou, que terminou com a morte de dezenas de russos. Segundo o governo, o ataque foi articulado pelos chechenos, mas, para os oposicionistas, Putin forjou o atentado para justificar a guerra e, de quebra, fortalecer seu nome no radar da política nacional. Uma jornalista e um ex-espião russo que tentaram investigar o caso apareceram mortos anos depois.

O fato é que o caso fez mesmo a popularidade de Putin crescer. Em dezembro de 1999, Yeltsin renunciou e Putin se tornou presidente interino. Em 2000, venceu as eleições logo no primeiro turno, com 53% dos votos. Putin está em seu terceiro mandato como presidente (2000, 2004 e 2012). Como a Constituição russa não permite três mandatos seguidos, nas eleições de 2008, ele voltou a ser primeiro-ministro e apoiou Dmitry Medvedev — seu atual premiê e escolhido a dedo para substituí-lo na presidência até que ele pudesse retornar ao cargo em 2012. Na prática, é Putin quem manda no país há mais de 16 anos. E, para as eleições de 2018, seu partido Rússia Unida já aparece com 40% de favoritismo nas pesquisas de intenção de voto.

Uma ajudinha do petróleo
Sua popularidade é inegável. Uma pesquisa de agosto do Levada Center, instituto russo independente e visto como confiável pela comunidade internacional, identificou que o presidente tinha 82% de aprovação. Outra pesquisa, do também confiável Associated Press-NORC Center for Public Affairs Research, mostrava uma percepção positiva de 81% em 2014. E, na receita do sucesso, um dos ingredientes foi a crise.

Putin assumiu num período economicamente muito difícil para a Rússia: após o fim da União Soviética, os primeiros presidentes, Mikhail Gorbachev e Boris Yeltsin, implantaram um plano de transição para o capitalismo, com privatização desenfreada que beneficiou oligarquias próximas ao governo. O resultado foi desastroso. “Com Yeltsin e Gorbachev, a Rússia perdeu o status de grande potência, e a década de 1990 foi um período de exceção na história de poder do país”, diz o historiador Angelo Segrillo, professor da USP e autor do livro Rússia: Europa ou Ásia.

Enquanto bilhões de dólares da elite russa eram enviados para o exterior, a Rússia se endividava com o Fundo Monetário Internacional, e o PIB caiu 40% só em 1999. “O colapso da União Soviética foi seguido pelo fim da segurança, um descontrole. Então o Putin veio e trouxe algum tipo de estabilidade, de segurança”, diz a historiadora Marci Shore, da Universidade Yale, e autora de The Taste of Ashes: The Afterlife of Totalitarianism in Eastern Europe (“O gosto das cinzas: a vida póstuma do totalitarismo na Europa Oriental”, em tradução livre).

Quando Putin assumiu, implantou algumas reformas, como a desvalorização do rublo russo, para favorecer as exportações. E os preços das commodities voltaram a crescer a partir de 2000. O barril de petróleo, um dos principais produtos russos, passou de 10 dólares para 100, em 2008. Resultado: na era Putin, o PIB subiu cerca de 7% ao ano, a renda e o consumo aumentaram e o número de pessoas abaixo da linha da pobreza caiu de 30% em 2000 para 14% em 2008. “Putin veio logo depois do fundo do poço e recentralizou o Estado”, diz Segrillo. “Muitos gostaram porque acham que ele colocou ordem na casa”. Os líderes centralizadores costumam ser um sucesso na Rússia – uma tradição que se estendeu desde o período dos czares até a Revolução Russa.

Putin e o presidente americano, Donald Trump: embates geopolíticos (Mikhail Svetlov/Getty Images)

O macho-alfa russo

Embora Putin governe a Rússia há mais de uma década, pouco se sabe sobre sua vida pessoal. Do casamento de 30 anos com Lyudmila Shkrebneva, de quem se divorciou em 2013, vieram duas filhas, cujas identidades são guardadas a sete chaves. Uma reportagem da agência de notícias Reuters apurou, embora sem conseguir confirmar a informação, que ambas são pesquisadoras e não usam o sobrenome Putin para não serem identificadas. Ora ou outra, o assunto volta à tona. “Eu nunca disse onde exatamente minhas filhas trabalham, o que elas fazem, e não pretendo fazê-lo agora por muitas razões, incluindo por uma questão de segurança”, declarou o presidente em dezembro passado.

De qualquer forma, Putin não é uma exceção entre os líderes russos, e que a discrição é quase uma característica cultural. “Nos Estados Unidos, tudo é muito público. Os candidatos fazem campanha com suas famílias, todo mundo conhece Michele Obama ou Jackie Kennedy. Mas na Rússia, eles quase nunca falam sobre isso”, diz a cientista política Valerie Sperling, professora da Universidade Clark e membro do Davis Center para Estudos da Rússia e da Eurásia.

Mas a discrição não impede que a imagem pessoal de Putin seja explorada — e trabalhe a seu favor. Principalmente nos primeiros anos de mandato, circulavam fotos do presidente cavalgando sem camisa, praticando esportes ou caçando animais selvagens. E esse é um dos fatores que o fazem reforçar a imagem de liderança e transmitir confiança aos russos. No artigo Capitalismo, autocracia e masculinidades na Rússia, a pesquisadora Tatiana Zhurzhenko estudou como Putin representa o típico homem soviético, o chamado muzhyk — independente, forte, trabalhador, patriota e leal. “O país inteiro sabe a lista de hobbies heróicos do presidente. Isso inclui lutar judô, andar a cavalo, mergulhar, pilotar uma Harley-Davidson ou um avião de caça, resgatar animais selvagens”, escreve Zhurzhenko.

Putin e o presidente americano, Donald Trump: embates geopolíticos (Mikhail Svetlov/Getty Images)

Cerco fechado à oposição

No começo, embora sempre controlador, Putin tentava administrar uma oposição relativamente plural. Mas, com o crescimento dos movimentos contrários ao seu governo, ele vem se tornando cada vez mais autoritário, controlando a imprensa, divulgando estatísticas estatais imprecisas e perseguindo inimigos políticos — são mais de 100 pessoas presas por orientação ideológica na Rússia, segundo a ONG de direitos humanos russa Memorial. Nas eleições de 2012, observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa alegaram que faltou aos adversários de Putin “acesso genuíno” à mídia.

As investidas mais autoritárias do presidente não deixam de ser uma forma de manter o controle frente às ameaças. Para a historiadora e cientista política russa Lilia Shevtsova, pesquisadora da organização Chatham House de Londres e autora do livro A Rússia de Putin, “mais da metade da população já diz que a Rússia precisa de uma oposição. E essa oposição vai crescer, inevitavelmente. Mas é difícil dizer quando”. Com a queda nos preços do petróleo e outras commodities desde 2014 e as sanções econômicas do Ocidente, devido à anexação da Crimeia, o PIB russo caiu mais de 50% entre 2014 e 2015.

E os problemas não estão só dentro de casa. A aproximação da Ucrânia com a Europa Ocidental e com a Otan, aliança militar ocidental, preocupa Putin. E o discurso da organização de que precisa proteger os países bálticos da influência russa, ex-territórios soviéticos, também. “Putin recupera a visão de que a Rússia é o poder central da Eurásia, e que tem o direito de exercer hegemonia sobre os países da região”, diz Sidney Ferreira Leite, da Belas-Artes. Por isso foi tão importante para Putin anexar a Crimeia em 2014: o episódio serviu para mostrar ao Ocidente quem manda na região.

Para conseguir manter sua popularidade alta, é fundamental manter a postura bélica. De acordo com a pesquisadora Lilia Shevtsova, o presidente usa “um conflito político atrás do outro” para se “re-energizar” com o eleitorado. E para realçar sua principal força – a militar – para o resto do mundo. O principal território de influência da Rússia, hoje, é a Síria. Aliado de Bashar al-Assad e com atuação relevante do país, Putin conseguiu mostrar que, se o mundo quiser frear a maior crise de refugiados da história e combater o Estado Islâmico, a conversa vai precisar passar por ele. “Se envolver com a Síria foi o jeito do Putin de voltar para a mesa”, diz Valerie Sperling, da Clark University.

À distância, Putin também se tornou protagonista das eleições presidenciais americanas, se posicionando como aliado do republicano Donald Trump, após anos de sucessivos embates com o democrata Barack Obama. Mas as polêmicas não podiam ficar de lado: há suspeitas de que a Rússia teria tentado interferir no processo eleitoral e o FBI confirmou que hackers russos vazaram e-mails do Partido Democrata – não se sabe de a mando do governo ou não.

Assim que o novo presidente assumiu, ficou acertado que os dois países – historicamente inimigos – normalizariam as relações. Mas, ao lidar com um estrategista como Putin, é sempre difícil saber quais suas reais intenções. Em janeiro, um espião britânico também vazou um dossiê afirmando que a Rússia supostamente teria dados comprometedores sobre Trump – e que eles seriam usados para chantageá-lo no futuro. “Putin faz questão de deixar claro que ninguém vai tirar vantagem do seu país”, analisa Sperling. “Ele é o cara que quer fazer a Rússia great again”.

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Explosões deixam Beirute, no Líbano, com cenas de guerra; veja vídeos

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Em vídeos publicados em redes sociais, é possível ouvir um forte barulho, seguido por uma nuvem de fumaça que lembra o formato de cogumelo

Explosão em Beirute: ainda não há informações oficiais sobre mortes e feridos. (Anwar AMRO/AFP)

Uma grande explosão foi vista nesta terça-feira, 4, em Beirute, capital do Líbano. De acordo com o diretor geral da Segurança Geral Abbas Ibrahim, as violentas explosões podem estar ligadas a “materiais explosivos” confiscados e mantidos em um armazém “por anos”.

“Parece que há um armazém contendo materiais confiscados há anos, e parece que eram materiais muito explosivos”, disse. “Os serviços responsáveis estão realizando a investigação, e dirão qual é a natureza do incidente”, acrescentou.

O ministro da Saúde do Líbano disse que mais de 50 pessoas morreram e mais de 2.750 ficaram feridas.

Em vídeos publicados nas redes sociais, é possível ouvir um forte barulho, seguido por uma nuvem de fumaça que lembra o formato de cogumelo — comum em situações em que há explosão de bombas. A explosão mais forte parece ter acontecido depois de uma outra, mais fraca, que já chamava a atenção das pessoas, que começaram a filmá-la.

Há relatos também de danos causados em prédios vizinhos ao local que fica localizado na zona portuária da cidade e de caos nas ruas da região central. Segundo a rede televisiva libanesa LBCI, foi registrado danos na residência do ex-primeiro-ministro Saad Hariri, que fica no centro de Beirute.

Veja os vídeos da explosão registrada em Beirute, no Líbano:

 

 

A tragédia acontece num momento em que o país passa por uma crise econômica sem precedentes. Com uma dívida que chega a 170% do PIB, o governo não tem mais recursos nem para pagar as suas próprias contas de energia, telefone e internet.

Como resultado, as operadoras de celular reduziram a velocidade de conexão em vários lugares onde há repartições públicas. Também acabou o dinheiro para importar o combustível que gera a eletricidade. Resultado: boa parte das cidades está às escuras.

 

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Tempestade Isaias deve recuperar força de furacão ao avançar pelos EUA

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A tempestade tropical Isaias já passou pela Flórida e deve “recuperar a força de um furacão” na fronteira entre a Carolina do Sul e a Carolina do Norte

Isaias: tempestade tropical, que já foi um furacão de categoria 1 ao atravessar o Caribe, deixou um morto em Porto Rico (afp/AFP)

A tempestade tropical Isaias, que se encontrava nesta segunda-feira na costa da Flórida, dirige-se para os estados da Carolina do Sul e Carolina do Norte, onde chegará como um furacão, de acordo com as previsões meteorológicas.

A velocidade máxima dos ventos da tempestade atinge 110 km/h, de acordo com o último boletim das 08H00 (19H00 de Brasília) emitido pelo Centro Nacional de Furacões (NHC), com sede em Miami.

Os serviços meteorológicos preveem que a tempestade “se fortalecerá durante o dia”, de modo que Isaías, depois de passar a manhã desta segunda-feira pela costa da Geórgia, deve “recuperar a força de um furacão” quando chegar  perto da fronteira entre a Carolina do Sul e a Carolina do Norte, na costa leste dos Estados Unidos.

Uma tempestade se enquadra na categoria 1 da escala Saffir-Simpson, composta por cinco níveis, quando a velocidade dos ventos sustentados excede 119 km/h.

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Na guerra do voto por correio nos EUA, Facebook vai contra Trump

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Resultados vão demorar a sair e eleitores precisam se acostumar, disse o presidente do Facebook, Mark Zuckerberg. Trump já criticou o método de votação

Votação pelo correio: tema de polêmica nos EUA após declarações do presidente Donald Trump (Brian Snyder/Illustration/Reuters)

O voto por correio nos Estados Unidos deve seguir dando o que falar. Após o presidente americano Donald Trump afirmar na semana passada que era a favor de adiar as eleições para evitar que votos fossem feitos pelo correio — o que é permitido nos Estados Unidos em alguns casos —, o Facebook deve entrar na discussão.

Em entrevista ao jornal The New York Times publicada neste fim de semana, o presidente e fundador da companhia, Mark Zuckerberg, afirmou que pretende educar seus usuários acerca desse tipo de votação e da demora natural em contabilizar os votos.

Zuckerberg disse que planeja ter conteúdos informativos com o objetivo de “preparar as pessoas para o fato de que há uma grande probabilidade de que se demore dias ou semanas para contar isso [os votos] — e que não há nada de errado ou ilegítimo nisso.”

O Facebook também está considerando, ainda segundo Zuckerberg, novas regras contra políticos que aleguem vitória de forma prematura, antes do resultado oficial da eleição.

Zuckerberg não mencionou Trump diretamente. Mas o presidente americano vem dando sucessivas declarações contra o voto por correio e questionando sua legitimidade.

Esse tipo de votação, que já era autorizada em parte dos Estados Unidos, vem sendo ampliada em diversos estados americanos em meio à pandemia do novo coronavírus. As eleições presidenciais americanas estão marcadas para 3 de novembro, quando Trump disputará a reeleição contra o democrata Joe Biden.

A declaração mais forte contra a votação à distância veio na semana passada, quando Trump defendeu que as eleições americanas fossem adiadas porque o pleito poderia ser inseguro ao ter parte dos votos pelo correio.

Com a votação pelo correio, escreveu Trump, “2020 será a eleição mais imprecisa e fraudulenta da história. Será uma grande vergonha para os Estados Unidos. Adiem a eleição até que as pessoas possam votar de forma apropriada e segura.”

Na postagem, o presidente americano não deu mais detalhes sobre se fez algum pedido formal para adiamento das eleições e como isso seria feito. Na prática, um presidente não tem poder para adiar o pleito sem que haja aval do Congresso. Não há no momento nenhum tipo de proposta de adiamento das eleições em discussão no Legislativo.

Eleições nas redes sociais

Em outro questionamento de Trump sobre voto pelo correio neste ano, sua postagem terminou sendo marcada pelo Twitter como um aviso de checagem de fatos — o que desencadeou um avanço do governo americano liderado por Trump contra as redes sociais, acusando-as de censura.

O Facebook, por sua vez, vem sendo pressionado a conter o avanço de notícias falsas ou questionamento da legitimidade de instituições em suas redes. Nas eleições de 2016, nas quais Trump foi eleito pela primeira vez, já circularam na internet questionamentos sobre a contagem de votos e a legalidade das eleições.

Na ocasião, a democrata Hillary Clinton venceu em votos absolutos, mas Trump foi eleito porque teve mais delegados no colégio eleitoral. O maior número de votos de Clinton foi questionado por apoiadores de Trump.

Na outra ponta, as redes sociais também vêm sendo questionadas em eleições mundo afora por, segundo críticos, fazerem pouco para combater a circulação de acusações sem fundamento contra candidatos. O Facebook, historicamente, se posiciona dizendo que o que circula em suas redes não será contido, em nome da liberdade de expressão.

Com as pressões constantes, Zuckerberg já admite fazer algumas adaptações. A educação sobre voto pelo correio pode ser uma delas — e novas discussões devem aparecer até a eleição americana em novembro.

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Rússia termina teste de vacina de covid-19 e prevê vacinação em outubro

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A vacina da Rússia não está presente no relatório da OMS e acende dúvidas na comunidade científica

Vacina: Rússia diz que testará proteção em massa em outubro (Kenny Katombe/Reuters)

O governo da Rússia anunciou neste sábado, 1, que irá fazer uma vacinação em massa contra o novo coronavírus já em outubro deste ano. Além deste anúncio, o país, que vem gerando controvérsia sobre a sua vacina, também informou ter finalizado todos os testes de sua proteção e que ela foi capaz de induzir uma resposta imune em todos os voluntários, sem efeitos colaterais ou complicações mais graves.

A informação foi dada pela agência de notícias estatal da Rússia, a RIA. De acordo com a agência, o Instituto Gamaleya está tentando conseguir uma aprovação regulatória para a vacina — um requerimento necessário antes da distribuição.

Os pesquisadores do instituto, antes de tudo, teriam testado as vacinas neles mesmos para avaliar a efetividade do projeto para desenvolver uma resposta imune no organismo humano. Vale notar que todas as vacinas que estão na fase três de testes geraram resposta imune, mas é preciso que a imunidade criada pela vacina no organismo humano seja protetora para evitar os sintomas do contágio pelo novo coronavírus.

Em entrevista a outra agência de notícias russa, a TASS, Denis Manturov, ministro da indústria do país, afirmou que a expectativa é de que “milhões de doses sejam produzidas por mês até 2021”.

No entanto, se a vacina der certo, a Rússia ganhará a nova guerra fria em busca de uma proteção contra a covid-19. Além de aliviar a crise de saúde mundial, que já matou mais de 680 mil pessoas, seria um golpe nos Estados Unidos e no Reino Unido, que recentemente acusaram o país de hackear seus sistemas para derrubar pesquisas sobre vacinas contra a covid-19.

Nenhum estudo relacionado à vacina russa foi divulgado, o que acende dúvidas na comunidade científica em relação à efetividade da proteção. O país tem recebido acusações de que as notícias sobre uma vacina são, na verdade, parte de uma propaganda política.

A fase três de testes começará no início deste mês, segundo um oficial do fundo de investimento do país para uma vacina.

A vacina russa é baseada no adenovírus humano fundido com a espícula de proteína em formato de coroa que dá nome ao coronavírus. É por meio dessa espícula de proteína que o vírus se prende às células humanas e injeta seu material genético para se replicar até causar a apoptose, a morte celular, e, então, partir para a próxima vítima.

Especialistas em saúde pública seguem prevendo as vacinas para meados de 2021.

De acordo com o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) do dia 31 de julho, 26 vacinas estão em fase de testes e outras 139 estão em desenvolvimento. Das 26 em testes clínicos, 6 estão na última fase. A vacina da Rússia não está presente no relatório da OMS.

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Austrália adota medidas duras em Melbourne para conter avanço da covid-19

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Medidas foram anunciadas um dia depois do estado de Victoria registrar 429 casos e 13 mortes provocadas por coronavírus

O cidadão que não respeitar o toque de recolher pode ser multado em 1.652 dólares australianos (Darrian Traynor/Getty Images)

As lojas não essenciais de Melbourne, a segunda maior cidade da Austrália, devem fechar as portas a partir da próxima quinta-feira para frear a propagação do novo coronavírus, anunciou o governo do estado de Victoria. O primeiro-ministro de Victoria, Daniel Andrews, afirmou que a maioria dos negócios e empresas devem interromper as atividades a partir de meia-noite de quarta-feira. Supermercados, farmácias e lojas de bebidas permanecerão abertos.

“É de partir o coração ter que fechar os locais de trabalho, mas é o que precisamos fazer para frear o avanço deste vírus extremamente infeccioso”, afirmou Andrews em uma entrevista coletiva. “Este período de seis semanas é absolutamente crítico”, disse.

Alguns sectores, como o da produção de carne ou a construção civil, terão que reduzir as atividades a partir de sexta-feira. Os escritórios públicos também fecharão as portas.

O governo acredita que as medidas evitarão que um milhão de pessoas compareçam aos locais de trabalho.

O anúncio aconteceu um dia depois do estado de Victoria registrar 429 casos e 13 mortes provocadas pela covid-19. No domingo, as autoridades anunciaram um toque de recolher noturno em Melbourne, onde os moradores não podem fazer deslocamentos a mais de cinco quilômetros de suas casas.

Os habitantes de Melbourne devem permanecer em casa das 20h00 às 5h00 até 13 de setembro. Apenas as pessoas que exercem funções essenciais, os profissionais da saúde e aquelas que vão para os hospitais podem sair de suas residências durante a noite. O cidadão que não respeitar o toque de recolher pode ser multado em 1.652 dólares australianos (US$ 1.175).

As medidas drásticas isolam ainda mais Melbourne dentro da Austrália, que conseguiu conter a pandemia.

 

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Cargo de prestígio ou mero auxiliar? Como é ser vice-presidente dos EUA

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O pré-candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, disse que vai anunciar dentro de alguns dias quem o acompanhará na chapa às eleições de novembro

Joe Biden: o candidato, que se for eleito, terá 78 anos ao assumir o cargo, tem claro que se vê como uma figura de transição (Brendan McDermid/File Photo/Reuters)

O pré-candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, anunciará dentro de alguns dias quem o acompanhará na chapa às eleições de novembro. Mas o que realmente faz um vice-presidente nos Estados Unidos?

1. Eles realmente importam?

É possível que a vice-presidência americana não seja tão frustrante e desconcertante quanto o papel de Julia Louis-Dreyfus na série “Veep”, da HBO.

Os vices americanos são um pouco como os músicos de apoio de um show. Percorrem o país, dizendo às pessoas o quanto seu chefe é genial. E embora trabalhem em um dos edifícios mais famosos do mundo, não haverá muitas ruas com seus nomes quando saírem de lá.

Mas mesmo assim, são muito importantes por uma simples razão: estão a um triz da Presidência.

John Tyler, Millard Fillmore, Andrew Johnson, Chester Arthur, Theodore Roosevelt, Calvin Coolidge, Harry Truman e Lyndon Johnson viraram presidentes após a morte do mandatário.

No caso de Johnson, foi depois do assassinato do presidente John F. Kennedy, em 1963. Ele prestou juramento duas horas e oito minutos depois, a bordo do Air Force One. E Gerald Ford o fez apenas meia hora depois de Richard Nixon assinar sua renúncia, em 1974.

2. O que Biden procura?

O vice-presidente de Donald Trump, Mike Pence, se encaixa na imagem tradicional de um segundo violino.

Pence tem funções importantes, inclusive a de coordenar a equipe de resposta do novo coronavírus na Casa Branca, mas sua tarefa principal parece ser elogiar o trabalho de Trump.

Biden, que foi vice nos dois mandatos de Barack Obama, diz estar em busca de algo diferente.

Ele fala com carinho de suas responsabilidades quando ocupava o cargo, enfatizando como dirigiu no governo o resgate maciço da economia em 2009. E diz que quer que seu próprio vice-presidente seja “simpático” como ele.

“Penso que Biden está procurando um parceiro político”, alguém que “realmente funcione como um de seus assessores mais próximos”, disse Joel Goldstein, professor de direito da Universidade de Saint Louis e especialista em vice-presidência.

Biden, que se for eleito, terá 78 anos ao assumir o cargo, tem claro que se vê como uma figura de transição. Seu (sua) adjunto(a), que provavelmente será alguém muito mais jovem, seria essencialmente o(a) próximo(a) candidato(a) democrata.

E visto que Biden declarou que escolherá uma mulher, ela faria História, independentemente de como for a sua gestão.

Só outras duas mulheres foram escolhidas até hoje candidatas à vice-presidência: Geraldine Ferraro em 1984 e Sarah Palin em 2008. Nenhuma delas chegou à Casa Branca.

E se a companheira de chapa de Biden chegar a sucedê-lo, ela se tornaria a primeira mulher a presidir os Estados Unidos.

3. São poderosos?

Formalmente, os vice-presidentes americanos têm a responsabilidade de emitir o voto decisivo quando são gerados becos sem saída no Senado.

Menos formalmente, alguns vice-presidentes, como Dick Cheney no governo de George W. Bush, ganharam fama de serem o verdadeiro poder por trás de um presidente inexperiente.

Mas a suposição de que a vice-presidência é um trampolim perfeito para o cargo mais alto não é tão certa. Apenas 14 vices chegaram à Presidência e deles, nove não foram eleitos, mas chegaram ao Salão Oval após a morte ou a renúncia do presidente.

O último vice-presidente a vencer eleições presidenciais foi George H. W. Bush, que governou entre 1989 e 1993.

4. Alguém se lembra deles?

Diferentemente dos presidentes, poucos vices são lembrados.

Quem ouviu falar de William Rufus King ou de William Wheeler? Mas é claro que há exceções, como Dick Cheney.

Ou Al Gore, que era quase inseparável de Bill Clinton na vice-presidência e, embora tenha perdido por uma margem apertadíssima as eleições presidenciais de 2000, conquistou fama internacional como ativista contra as mudanças climáticas.

Por fim, está o próprio ex-vice-presidente Biden. Se as pesquisas acertarem sobre suas chances de vencer Trump, ele terá um lugar de destaque nos livros de História.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

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