NICOLA PAMPLONA
FOLHAPRESS
A Reag, que administra fundos de investimento ligados ao Banco Master, está sendo investigada em dois processos na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por possíveis irregularidades financeiras. Um terceiro processo foi encerrado em 2024 após pagamento de multa.
Uma das investigações foca na compra de títulos do antigo Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) pelos fundos da Reag. A segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, realizada no dia 14, teve como alvo esses fundos.
Uma reportagem da Folha de S.Paulo revelou que o Banco Master utilizava certificados de ações do extinto Besc, chamados cártulas. Gestores compravam esses títulos com baixo valor real como se fossem valiosos, inflando os fundos e justificando retiradas para investir em outros fundos também administrados pela Reag.
A CVM não deu detalhes sobre as investigações. O processo que apura as operações com os títulos do Besc foi aberto em 2022, analisando operações feitas por cinco fundos da Reag em 2020.
Sete réus estão envolvidos: além da Reag e seu controlador João Carlos Mansur, há três gestoras de recursos – Monetar, Terra Investimentos e WNT – e duas pessoas físicas, Marcelo de Macedo Soares e Silva (pela Monetar) e Rafael Barbosa Santos Coelho (pela WNT).
Em novembro de 2025, a CVM definiu um diretor relator, mas o julgamento ainda não tem data marcada.
A Monetar e a Terra Investimentos afirmaram que só prestavam serviços fiduciários, sem participar da gestão dos fundos envolvidos, e que não mantêm vínculo com as empresas citadas nem prestam serviços a fundos da Reag desde 2021.
A Reag informou que questões sobre a gestora Reag Investimentos devem ser enviadas à Arandu Investimentos, que não respondeu até o momento.
A operação Compliance Zero revelou um esquema bilionário de desvios, onde empréstimos do Banco Master foram usados para aplicar em fundos da Reag, que maquiavam seu patrimônio com títulos de baixo valor de mercado.
Outra investigação aberta em 2024 avalia se a Reag deixou de divulgar corretamente ao mercado a compra de participação relevante na plataforma GetNinjas, iniciada em 2023, que deu à Reag influência na gestão e a tornou uma empresa listada em Bolsa.
A Reag tentou encerrar esse processo pagando R$ 300 mil, mas a CVM rejeitou a proposta.
Num processo anterior, a Reag pagou R$ 360 mil para um termo de compromisso, e seu diretor, Silvano Gertzel, pagou R$ 180 mil. Essa investigação tratava de problemas de liquidez em fundos da Reag, que tinham saídas de caixa maiores que seus ativos líquidos.
Para a CVM, as apurações revelaram falhas graves na gestão da liquidez pelas administradoras, que forneciam informações não confiáveis e colocavam em dúvida a robustez e precisão dos controles internos.
