Cerca de 625 mil pessoas no Brasil precisam de cuidados paliativos, mas somente 14% têm acesso a esses serviços, segundo o Ministério da Saúde. No Sistema Único de Saúde (SUS), menos de 10% dos hospitais oferecem atendimento estruturado nessa área.
Para melhorar essa assistência, profissionais do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) participaram, no dia 11 de agosto, do curso ‘Cuidados Paliativos para Pacientes Críticos’, realizado no auditório do hospital. A capacitação foi dirigida, principalmente, às equipes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e do setor de emergência, alinhada à Política Nacional de Cuidados Paliativos, instituída em 2024. Essa política visa integrar os cuidados paliativos em todos os níveis do SUS, incluindo emergências e terapia intensiva.
O Dr. Arthur Amaral, médico especialista em cuidados paliativos e chefe do Núcleo de Cuidados Paliativos do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), destacou que é importante desfazer o mito de que cuidados paliativos significam falta de tratamento. Segundo ele, estudos mostram que pacientes que recebem esse tipo de cuidado mais cedo têm melhor qualidade de vida e, às vezes, maior tempo de sobrevida, em comparação com os que recebem apenas tratamentos convencionais.
Nas UTIs, onde a taxa de mortalidade fica entre 20% e 35%, os cuidados paliativos são especialmente importantes para pacientes frágeis, com várias doenças, falência de órgãos, reinternações frequentes ou que passam por procedimentos invasivos. Dr. Amaral recomendou iniciar esses cuidados o quanto antes, priorizando o alívio do sofrimento e a adequação dos procedimentos médicos.
O curso preparou a equipe multidisciplinar para identificar cedo a necessidade dos cuidados paliativos, melhorar a comunicação com os familiares, ajudar nas decisões clínicas difíceis e garantir um atendimento ético, equilibrado e centrado no paciente.
Nubia Maria dos Santos, assistente social do HRSM e especialista em cuidados paliativos, destacou que o sucesso do tratamento vai além da técnica médica. Segundo ela, o mais importante é respeitar os valores, desejos e a história de vida do paciente, garantindo dignidade, conforto e cuidado até o fim da vida.
Dr. Amaral ainda ressaltou que as decisões devem ser tomadas em conjunto entre a equipe de saúde, o paciente e seus familiares, com comunicação clara e empática, planejamento antecipado e respeito à autonomia da pessoa, evitando tratamentos excessivos ou descaso.
O treinamento será repetido em 12 de agosto para alcançar outros profissionais e ampliar o acesso à capacitação no HRSM.
Com informações do IgesDF.
