DANIELLE CASTRO
RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS)
O consumo exagerado de alimentos gordurosos e bebidas alcoólicas, comuns nas festas de fim de ano, junto com a falta de cuidado no uso de remédios, pode causar a chamada Síndrome do Coração de Feriado.
Especialistas alertam que entre o Natal e o Ano Novo ocorrem até 37% mais hospitalizações por infarto, afetando até quem não tem problemas no coração.
Essa síndrome pode causar também fibrilação atrial. A cardiologista Fabiana Hanna Rached, do Incor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), explica que o problema aparece após consumo excessivo em pouco tempo.
Um estudo sueco de 2018, que analisou 283 mil casos de infarto em 15 anos, mostrou que o risco na véspera de Natal é 37% maior do que em outros dias. Pessoas acima de 75 anos com diabetes ou problemas no coração são as mais vulneráveis, especialmente às 22h do dia 24 de dezembro.
O aumento no risco está ligado ao estresse emocional, consumo excessivo de comida e bebida, e variações de temperatura, fatores comuns nessa época. Diferente do Natal, outras datas como a Páscoa não apresentam esse aumento.
Quem tem problemas no coração deve ter cuidado redobrado, mantendo o uso correto dos remédios, segundo o cardiologista Firmino Haag, do Hospital Albert Sabin.
O álcool pode alterar o ritmo do coração e desregular eletrólitos, causando batimentos irregulares. Refeições carregadas em gorduras saturadas e sal também elevam a pressão arterial e a inflamação.
As novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), atualizadas em setembro de 2025, recomendam limites mais rígidos para colesterol LDL e pressão arterial, ajudando a detectar problemas rapidamente.
Fabio Taniguchi, diretor do serviço de cirurgia cardiovascular do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, destaca que não existe consumo seguro de álcool segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), e que o excesso pode trazer sérios riscos ao coração.
A fibrilação atrial é uma das arritmias mais perigosas e pode acelerar a doença coronariana até em jovens entre 18 e 30 anos.
Firmino Haag reforça que o período das festas está ligado ao aumento de problemas cardíacos, tanto por excessos como por um aumento nos casos de infarto e AVC.
Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto e obesidade têm ainda mais risco. Medidas como limitar o álcool, reduzir gorduras saturadas e sal, e preferir alimentos magros, como peixes e vegetais, ajudam a proteger o coração.
Evitar embutidos, frituras e bebidas alcoólicas com energéticos é importante, especialmente para quem tem arritmia ou pressão alta, alerta Fabiana Hanna Rached.
Se consumir álcool, é recomendado intercalar com água e ingerir alimentos ricos em eletrólitos, como frutas e água de coco, evitando calor excessivo e exposição ao sol.
Taniguchi lembra que os energéticos contêm cafeína e taurina, que podem aumentar os riscos para quem já tem predisposição genética ou doenças cardíacas.
Ter boas noites de sono, manter-se hidratado e monitorar a pressão arterial e o pulso em casa são medidas importantes.
Firmino Haag recomenda ainda manter a prática regular de atividades físicas para ajudar na saúde do coração.
