LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) está enfrentando problemas novamente, o que aumentou as dúvidas sobre a confiabilidade dos dados que o órgão divulga.
Essa situação difícil vem desde 2024 e ficou mais evidente em janeiro, quando a direção do IBGE confirmou a demissão de duas servidoras, incluindo Rebeca Palis, que coordenava o setor responsável pelo cálculo do PIB (Produto Interno Bruto).
Essa decisão surpreendeu muitos servidores às vésperas da divulgação do próximo resultado, marcada para 3 de março.
Nas redes sociais, pessoas contrárias ao governo atual usaram o episódio para sugerir que os dados poderiam estar sendo manipulados, mas especialistas que conhecem o trabalho do IBGE rejeitam essa ideia.
Para quem trabalha ou já trabalhou no IBGE, mesmo com os conflitos entre a direção e os funcionários, a equipe técnica permanece seguindo métodos reconhecidos internacionalmente, garantindo que os dados são produzidos e divulgados com transparência, sem interferências indevidas.
O principal motivo da crise seria o desentendimento sobre como a gestão do presidente Marcio Pochmann está conduzindo projetos, sendo vista por alguns servidores como autoritária e voltada para a mídia. A direção, por sua vez, nega essas acusações.
Segundo Wasmália Bivar, que presidiu o IBGE entre 2011 e 2016, o setor das contas nacionais trabalha com uma grande equipe para consolidar os dados necessários e acredita que a ideia de manipulação dos números é infundada e séria demais para ser considerada.
Roberto Olinto, ex-presidente do órgão, alertou para os riscos que essa crise pode trazer para a imagem do IBGE, principalmente com as eleições de 2026 se aproximando. Ele teme que o instituto seja usado para ataques políticos.
O IBGE informou que, mesmo com essas mudanças, os processos de divulgação continuam normalmente e que houve aumento no número de servidores e no orçamento desde 2023, além de um plano de trabalho que prevê muitas publicações para 2026.
O conflito começou no segundo semestre de 2024, quando os servidores criticaram projetos como a criação da fundação IBGE+, que permitiria pesquisas para o setor privado, além de mudanças no estatuto da instituição. Essas propostas foram suspensas em janeiro de 2025.
A saída de coordenadores importantes nesse período causou preocupação, pois suas funções são essenciais para atualizar os dados econômicos, considerando mudanças na economia e ambiente.
Após essas demissões, outros servidores também deixaram seus cargos em sinal de protesto. O sindicato dos servidores chamou essas decisões de retaliação e denunciou uma ‘caça às bruxas’.
Marcio Pochmann, através das redes sociais, defendeu a gestão afirmando que o IBGE está indo bem e criticou as informações contrárias como falsas.
NÃO ACEITARÍAMOS MANIPULAÇÃO, AFIRMA SINDICATO
O sindicato dos servidores divulgou uma nota dizendo que repudia notícias falsas sobre a credibilidade do IBGE e afirmou que nunca apoiou qualquer tipo de manipulação dos dados produzidos.
Wasmália Bivar também critica a atual gestão e lamenta a saída da coordenadora Rebeca, expressando preocupação com possíveis atrasos nos trabalhos do instituto.
Ela destacou que os dados são produzidos por técnicos especializados e que uma vez finalizados, não podem ser alterados, reforçando a confiança na qualidade das informações divulgadas.
