A guerra iniciada no Irã gerou a maior crise energética já vista, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). Essa situação afeta diretamente o fornecimento de energia, provocando impactos nos preços e na oferta mundial.
O conflito no Oriente Médio e o fechamento quase total do Estreito de Ormuz aumentam a instabilidade no fornecimento global de energia. Governos e empresas enfrentam um choque maior do que as últimas crises energéticas das últimas cinco décadas.
Os mercados financeiros estão cautelosos. Em 7 de abril, os preços do petróleo se estabilizaram após semanas de alta, e as principais bolsas tiveram ganhos, mesmo com as tensões militares na região.
Teerã resiste às exigências do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto o exército de Israel anunciou nova onda de ataques no território iraniano.
A guerra tem impacto severo nas infraestruturas energéticas do Golfo, e o Estreito de Ormuz é prioridade nas preocupações globais. A ONU irá votar sobre a situação dessa via marítima, que está quase totalmente fechada desde o início do conflito. Essa passagem é vital para o transporte global de petróleo e gás.
Em entrevista ao jornal francês Le Figaro, o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, declarou que essa crise é mais grave do que as crises de 1973, 1979 e 2022 somadas. Ele alertou que, se o Estreito de Ormuz continuar fechado durante abril, a perda na produção de petróleo será o dobro da registrada em março.
Desde o começo do conflito, 75 pontos de infraestrutura energética foram atacados, com mais de um terço seriamente danificados. Isso dificulta os esforços para retomar o fornecimento normal.
No curto prazo, Birol recomenda uso prudente da energia, investindo em conservação e eficiência.
Crise pode acelerar transformações
Apesar do cenário difícil, Birol vê motivos para otimismo no médio e longo prazo. Ele acredita que a crise levará a uma grande mudança no sistema energético mundial, favorecendo o avanço das energias renováveis, como a solar e a eólica, que podem ser instaladas rapidamente.
A energia nuclear, incluindo pequenos reatores modulares e extensão da vida útil das usinas atuais, também deve receber novo impulso. Veículos elétricos provavelmente terão crescimento acelerado.
Europa enfrenta desafios
Na Europa, a dependência de combustíveis fósseis importados voltou ao foco. O Banco Central Europeu (BCE) alertou que essa dependência é um dos maiores riscos para manter a estabilidade dos preços. Frank Elderson, membro do Conselho do BCE, destacou a importância de investir em energia limpa e local para reduzir essa vulnerabilidade.
Na França, 18% dos postos de gasolina ficaram temporariamente sem pelo menos um tipo de combustível após o feriado da Páscoa. Apesar disso, as autoridades garantem que não há falhas de abastecimento e preparam auxílios para setores afetados.
Impactos no setor aéreo
O setor de aviação também sofre com o aumento dos preços do petróleo. Pascal de Izaguirre, presidente da Federação Nacional de Aviação Civil Francesa (Fnam) e CEO da Corsair, declarou que aumentos nas passagens e cancelamentos de voos são inevitáveis. O preço do querosene subiu de US$ 750 para US$ 1.900 por tonelada, elevando a participação desse combustível nos custos das companhias aéreas de 25% para 45%.
Os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz agravaram temores sobre o fornecimento global, assim como as restrições de voo que aumentam o consumo de combustível.

