MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS
As criptomoedas já são mais populares entre os brasileiros do que ações e CDBs, conforme aponta a 2ª edição da Pesquisa Nacional das Criptomoedas, feita pela Paradigma, um instituto de pesquisa especialista em criptoativos, em parceria com o Datafolha. Aproximadamente 17,2% dos brasileiros com mais de 16 anos afirmam ter ou já terem tido valores investidos em criptomoedas, contra 15,1% em CDBs e títulos públicos, e 7,4% em ações.
Além disso, 66,4% dos brasileiros dizem conhecer criptomoedas, número que cresceu 10,1 pontos percentuais desde 2025, quando a primeira edição do estudo foi realizada.
A pesquisa ocorreu presencialmente entre 11 e 14 de maio de 2026, com 2.004 pessoas entrevistadas em 137 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Entre as formas de investimento analisadas, os ativos digitais ficam atrás apenas da poupança, imóveis, dinheiro guardado em casa e fundos de investimento. Conforme o estudo, 57,1% dos entrevistados já investiram em poupança, 34% em imóveis, 30,5% mantiveram dinheiro em espécie, 26,1% aplicaram em fundos, 14% investiram em dólar ou outras moedas e 9,8% em ouro.
Entre quem investiu em criptomoedas, 83% usaram o aplicativo do banco para realizar a operação, enquanto apenas 20% recorreram a corretoras especializadas em criptoativos.
Bitcoin e Ethereum são as criptomoedas mais conhecidas, mencionadas por 60,7% e 11,1% dos participantes, respectivamente. Segundo dados da plataforma CoinMarketCap, essas duas representam 69% do valor total do mercado de criptomoedas, considerando preço e quantidade em circulação.
O Drex, moeda digital do Banco Central, é o terceiro ativo mais conhecido, com 10,3% das citações.
A pesquisa mostra ainda que o acesso aos criptoativos não está limitado a pessoas com rendas altas. Entre os que investiram, 77,6% ganham até três salários mínimos e 89,4% têm renda de até cinco salários mínimos.
O conhecimento sobre criptomoedas também varia conforme o nível de escolaridade: 89,7% dos que têm ensino superior conhecem os ativos, contra 76% com ensino médio e 38% com ensino fundamental.
O mercado de criptomoedas tem crescido no Brasil nos últimos anos. Relatórios da Receita Federal mostram que foram movimentados R$ 505,5 bilhões em criptoativos em 2025.
Desde fevereiro de 2026, o Banco Central regulamenta as prestadoras de serviços de ativos digitais, determinando capital mínimo, separação patrimonial e supervisão dessas empresas.
A nova regulamentação visa garantir mais segurança e estabilidade ao mercado, e especialistas avaliam que essas regras podem ajudar a aumentar o uso de criptomoedas entre os brasileiros.
