Uma investigação da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) revelou que criminosos instalavam roteadores MikroTik nas redes internas do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) e do serviço Na Hora. Com esses dispositivos, eles acessavam remotamente os sistemas para fazer alterações ilegais, como cancelamento de multas, desvinculação de débitos e transferências irregulares de veículos.
Ao menos oito equipamentos foram apreendidos em diferentes unidades, além de joias e uma arma de fogo. A operação, chamada Código Fantasma, foi deflagrada na sexta-feira (28/8) e resultou na prisão preventiva de quatro homens, com mandados cumpridos em locais como Taguatinga Norte e Vicente Pires.
João Guilherme, delegado da DRCC, afirmou que algumas pessoas com facilidade de acesso nas unidades públicas auxiliavam na instalação dos dispositivos. Até o momento, não há evidência de envolvimento de servidores do Detran-DF no esquema.
De acordo com a investigação, o principal suspeito, que já possui passagens por roubo, estelionato e organização criminosa, comandava o grupo e adquiriu os equipamentos usados na fraude. Ele havia planejado expandir a ação para outras instituições, incluindo bancos.
A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens móveis e imóveis ligados aos investigados. Durante a abordagem, o líder do grupo tentou destruir provas, jogando eletrônicos no vaso sanitário de sua residência.
A polícia destacou que as fraudes causaram prejuízos econômicos e impactos sociais. O Detran-DF identificou as irregularidades e reverteu as modificações.
Esta é a quarta fase da Operação Código Fantasma, parte de uma série de ações que culminaram em oito operações contra grupos que tentavam invadir e alterar sistemas do Detran-DF. Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, invasão de dispositivo informático, estelionato qualificado e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar a 32 anos de prisão.
As investigações continuam buscando identificar todos os envolvidos e desvendar a estrutura da organização criminosa.
